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A Torre de Gelo, a Crítica

Estreou ontem, 26 de fevereiro, em exclusivo na FilmIn o novo filme “A Torre de Gelo” (2025, Lucile Hadzihalilovic). A longa-metragem teve estreia direta no streaming em Portugal sem ter tido exibição comercial nas salas de cinema. Contudo, fez parte da seleção oficial do festival MotelX em 2025.

“A Torre de Gelo” é uma obra com laivos de fantástico onde uma jovem órfã foge de um orfanato sem rumo e acaba por ir parar a um estúdio de cinema. Nesse estúdio estão a filmar uma adaptação de “A Rainha das Neves” inspirada no conto de Hans Christian Andersen. Deixamos a nossa análise ao novo filme.

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Qual a narrativa de A Torre do Gelo?

“A Torre do Gelo” aborda a história de Jeanne (interpretada por Clara Pacini), uma rapariga de 15 anos que foge de um orfanato sem um rumo pré-destinado. Por fim, chega até um estúdio de cinema onde decorrem as filmagens de uma adaptação para cinema de “A Rainha das Neves” com Cristina (Marion Cotillard) no papel titular. Inicialmente, vê a rodagem fascinada às escondidas. Depois, acaba por também participar no filme como atriz e, entre ela e Cristina, surge uma estranha ligação de fascínio mútuo.

Além das protagonistas, fazem ainda parte do elenco do filme Gaspar Noé (marido da realizadora e que faz de realizador de “A Rainha das Neves”), August Diehl, Aurélia Petit, Cassandre Louis Urbain, Laurent Lufroy, Valentina Vezzoso, Marine Gesbert, entre outros.

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Um filme visualmente impactante

A Torre de Gelo
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Se procuras um filme onde o lado visual e a fantasia sejam o grande destaque, “A Torre de Gelo” é um filme que não podes perder. Trata-se, pois, de um filme muito impactante de forma visual onde a paisagem azul e branca predomina. Por outro lado, também é um filme muito cheio de contrastes e onde os negros também estão bastante presentes. Nesse sentido, é, de facto, uma pena que esta longa-metragem não tenha tido uma passagem pelas salas de cinema, uma vez que que a experiência em casa não lhe fará jus. Assim, proponho-te que vejas o filme, pelo menos, numa televisão de dimensões generosas e, preferencialmente, com colunas. Não vejas de todo esta obra no computador ou no telemóvel pois não vais conseguir ter uma experiência mínima que o filme requer.

A grande mais-valia do filme passa precisamente pela fotografia e pela direção artística. Nesses aspetos, o mundo da rodagem de “A Rainha das Neves” confunde-se com o mundo da narrativa fora da rodagem. Para lá disso, a música que caracteriza as cenas também está muito bem pensada e dá uma intensidade maior à fantasia do filme, especialmente nas cenas de “A Rainha das Neves” entre Jeanne e Cristina. Por fim, o trabalho das duas atrizes principais também eleva “A Torre de Gelo” para um bom nível de qualidade que convida à abstração e um vazio que nos gela em absoluto.

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Mas, de resto, pouco ou nada mais conseguimos elogiar positivamente de “A Torre de Gelo”. Assim, esta é uma narrativa muito abstrata ao qual falta substância para a tornar relevante, o que é pena. Parece não haver qualquer justificação para a existência desta narrativa e personagens que não seja um elogio ao belo e à fantasia.

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O que é verdadeiramente A Torre de Gelo?

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“A Torre de Gelo” tem como inspiração o conto de Hans Christian Andersen “A Rainha das Neves”. Título que, curiosamente, tem uma adaptação já bastante famosa ao cinema de animação com “Frozen – O Reino do Gelo” (2013, Chris Buck e Jennifer Lee). Em todo o caso, o conto de Andersen é mesmo uma breve inspiração em “A Torre de Gelo” que só faz mesmo parte da rodagem do filme ficcionado.

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Nesse aspeto, nesta narrativa, a personagem de Cristina confunde-se com a personagem da Rainha das Neves. Cristina é apelidada de fria e distante pelos seus colegas (tal como a Rainha é) e só mesmo com Jeanne as coisas são diferentes. Mas será que o fascínio de Jeanne é por Cristina ou pela Rainha das Neves? Isso não é esclarecido e faz parte da magia desta narrativa. Há uma atração inexplicável entre as duas que é justificada pelo colar de Jeanne e pelo cristal da Rainha das Neves que roubam uma à outra.

Contudo, para lá destes pequenos objetos, a vida de ambas é, na verdade, um espelho uma da outra. Também Cristina ficou órfã cedo e, talvez por isso mesmo se fascine com o destino de Jeanne e pareça querer ajudar-lhe.

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Apesar disso, o mundo da narrativa fora da rodagem confunde-se com a rodagem de “A Rainha das Neves”. Jeanne sonha ou fantasia com aquele mundo como se fosse algo natural para ela… No entanto, pela alucinação ou não, tudo começa a ser demasiado real. Assim, Jeanne tem de escapar da armadilha de Cristina (ou será da Rainha das Neves?) antes que seja tarde demais.

Em resumo…

“A Torre de Gelo” é, portanto, um filme-puzzle onde sonhos, fantasias e ‘realidades’ se confundem. No entanto, a história por trás é demasiado ‘banal’ (ou seja, realista) para que consideremos tudo um ‘estranho’ filme-puzzle. O argumento perde-se, então, num mundo de exuberância visual.

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A Torre de Gelo

Conclusão

  • “A Torre de Gelo” aborda a história de uma jovem órfã que chega a um estúdio de cinema onde estão a filmar uma nova adaptação de “A Rainha das Neves”. Aos poucos, também ela passa a fazer parte da rodagem.
  • Um filme visualmente impactante que, nesse âmbito, é pena não ter passado pelas salas de cinema nacionais. Também a interpretação das atrizes principais está bem conseguida com uma frieza tal que nos atrai para as suas personagens.
  • Para lá disso, é um filme que se perde num argumento algo vazio e confuso no meio de uma história algo banal.
Overall
6/10
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