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Scream 7, a Crítica

“Scream” é um dos mais duradouros franchises de terror do século XXI (e de sempre), com filmes desde 1996, uma constante auto-referencialidade que se alimenta sequela pós-sequela e a capacidade de manter cameos por parte das suas protagonistas originais. Mas será que “Scream 7” conseguiu criar um mistério de Ghostface equiparável ao experienciado em outros capítulos da saga de terror?

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A resposta rápida é não! À data, “Scream 7” é o filme mais mal classificado pela crítica entre todas as entradas até então. Não é que este sétimo capítulo seja péssimo, mas vive na sombra do quão sólida foi a sexta entrada, assombrado pelas decisões polémicas dos produtores e por uma falta de capacidade de se voltar a reinventar. Será que não há mais nada a dizer aqui?

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Scream 7: o fantasma do que poderia ter sido

Desta vez, no slasher “Scream 7”, o alvo de Ghostface é Tatum Evans (Isabel May), a filha mais velha de Sidney Prescott (Neve Campbell). Sydney, a ‘scream queen’ original do filme dos anos 90 esteve ausente no último capítulo, e por isso esta sétima entrada do franchise depende muito do seu regresso e há que dizer que Neve Campbell ainda é capaz de suportar estas sequelas, o problema não está nela…

Melissa Barrera and Jenna Ortega in Scream VI (2023)
Foto por Philippe Bossé/Philippe Bossé – © 2022 PARAMOUNT PICTURES. ALL RIGHTS RESERVED.

Como muitos de nós sabemos, “Scream 7” vive na sombra do quão melhor poderia ter sido. Isto porque a saga de filmes de terror tinha encontrado nova vida nas suas últimas duas sequelas – “Scream VI” (2023) e “Scream” (2022). Em grande parte devido ao casting abençoado das carismáticas Melissa Barrera (“In the Heights”) e Jenna Ortega (“Wednesday”) na pele das irmãs Sam e Tara Carpenter. Este par foi a melhor coisa que aconteceu ao franchise em muitos anos, particularmente no filme de 2023, no qual a dupla brilhou como protagonistas.

Ora, a história de “Scream 7” é a história de um filme amaldiçoado antes mesmo de começar a sua produção. Surge a infame decisão de despedir Melissa Barrera, em 2023, depois de a atriz ter manifestado, nas redes sociais, o seu apoio pelo povo da Palestina e contra o genocídio em Gaza perpetuado por Israel. Na sequência deste desenvolvimento chocante, Jenna Ortega acabou por se afastar também ela do projeto, neste caso voluntariamente e como gesto de apoio para com Barrera.

Gritos 7 e o seu elenco pouco empolgante

Neste caso, quem fica mesmo a perder é a Paramount Pictures, distribuidora do filme. “Scream 7” é a primeira entrada do franchise realizada por Kevin Williamson, responsável por escrever o primeiro filme em 1996, bem como “Scream 2” (1997) e “Scream 4” (2011). Tal também não foi capaz de salvar esta entrada na filmografia dos Ghostfaces. Em grande parte porque o elenco secundário não tem a capacidade de suportar a narrativa e muito também devido à falta de carisma da co-protagonista Isabel May (“Young Sheldon”), uma típica atriz de filme de terror. Genérica, com uma face comum e repleta de cirurgia estética e zero carisma.

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Isabel May Gritos 7 scream 7
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O filme começa com uma boa sequência inicial, abençoado pela qualidade auto-referencial que caracteriza todo o franchise. Mas depressa a sequência narrativa amena, à medida que acompanhamos a filha de Sydney, perturbada pela sombra do passado da mãe. O desenvolvimento narrativo é notoriamente lento e, como apontado acima, a personagem de Tatum, a filha da protagonista, é pouco apelativa e atormentada pelas caras muito mais distintas que povoaram recentemente o franchise.

O problema nunca está nos “legacy actors”. Neve Campbell está sólida e prova que uma scream queen não tem limite de idade, como é dito no filme com todas as letras. Já Courtney Cox, como a metediça Gale Weathers, está igual a si mesma e surge com uma entrada muito forte e em grande. Sim, as personagens de legado não desiludem, mas o mesmo não se pode dizer dos novos protagonistas ou do elenco secundário que fica aquém.

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Ademais, “Scream 7” também sofre de poucos jumpscares e de imenso tempo morto. Todavia, os fãs mais devotos de slashers podem descansar: existem algumas mortes memoráveis ao longo do filme, duas para ser mais exata. Mas também é certo que, para propósitos de ritmo, a longa-metragem beneficiaria de ter uns bons 20 minutos a menos.

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Mas com este filme é tudo uma questão de gestão de expectativas. As expectativas elevadas depois de “Scream 6” são goradas e a narrativa dos Ghostfaces deste capítulo é inverossímil, pouco convincente, insuficiente. A reviravolta dos Ghostfaces deixa muito a desejar e é extremamente incongruente. As suas motivações roçam o idiota, o incompreensível e acabam por enfraquecer “Gritos 7” no seu todo.

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E por toda a má publicidade que “Scream 7” teve antes mesmo de entrar em produção, esse acaba por não ser o seu maior pecado. O seu maior pecado é mesmo ser um filme de terror esquecível e com uma resolução incapaz de satisfazer.

Scream 7, a Crítica

Conclusão

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  • “Scream 7” vive na sombra da entrada prévia no franchise e não consegue sobreviver a uma perda que infringiu a si próprio – a perda das manas Carpenter de Melissa Barrera e Jenna Ortega.
Overall
4.5/10
4.5/10
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