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Lisbon Noir | Entrevista com o elenco

A Prime Video voltou a colaborar com TVI na produção de uma nova série portuguesa e nós estivemos à conversa com o elenco de “Lisbon Noir”.

Depois do remake da telenovela “Ninguém Como Tu“, produzido pela Prime Video em colaboração com a TVI, a plataforma de streaming voltou-se a unir ao canal televisivo para criar uma nova série. Desta vez, trata-se de um thriller policial moderno, que assenta na História do nosso país.

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“Lisbon Noir” é um novo projeto, inspirado pela lenda do ‘Assassino do Aqueduto’, Diogo Alves, considerado o primeiro serial killer português. A série conta com um elenco de luxo, com Pêpê Rapazote (de “Rabo de Peixe” e “Os Enforcados“) e Beatriz Godinho (de “Matilha”) nos papéis principais.

A Magazine.HD esteve à conversa com o elenco de “Lisbon Noir”, a série escrita e realizada por Artur Ribeiro, responsável por “Onde Está Elisa?”.

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“Lisbon Noir” baseia-se na história lendária de Diogo Alves

Magazine.HD: Como é que se prepararam para estas personagens e quais é que foram os maiores desafios encontrados durante as gravações?

Beatriz Godinho: Eu, curiosamente, tive muito pouco tempo para me preparar para esta personagem, mas diga-se de passagem que este universo do crime e dos policiais é uma espécie de ‘guilty pleasure’ para mim, então foi bastante entusiasmante poder construir esta Laura. Claro que fazer uma série de crime vem com uma preparação muito específica, com lidar com armas, com condução de precisão, etc. Nós tivemos a sorte de ter alguns ensaios, eu ainda consegui chegar aos ensaios [risos], e tivemos também muito espaço do Artur [Ribeiro] para podermos descobrir uns com os outros o que é que isto poderia ser.

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Magazine.HD: A história original do serial killer Diogo Alves ocorreu no século XIX. Que tipo de investigação é que fizeram? 

Pêpê Rapazote: Eu diria até que aqui a Beatriz [Godinho] é a pessoa mais informada relativamente ao Diogo Alves. O Diogo Alves é apenas o início, digamos assim, o mote para o desenvolvimento desta série. Obviamente que vamos pegar nesse tema, e é um tema fascinante e que a mim era totalmente desconhecido. Um serial killer português que matou, em dez anos, setenta vítimas, e que é extraordinário nunca ter ouvido falar. Mas, de facto, é apenas o princípio para esta série. É apenas um mote para esta série. Temos aqui um homicida também que vai tirar a inspiração ao Diogo Alves, mas que vai muito mais além e cabe-nos a nós resolver tudo isto. Quanto à minha preparação…. toda a minha vida de jovem delinquente me trouxe a este momento [risos]. Nunca pensei estar do lado certo da lei.

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Beatriz Godinho: Mais ou menos, porque o Daniel também tem o seu… não é delinquente, mas tem a sua personalidade particular, digamos.

Pêpê Rapazote: Sim, as regras são para se quebrar, acima de tudo, não é isso [risos]?

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Sobre o que fala “Lisbon Noir”?

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Magazine.HD: E qual é o papel do Paulo Pires no meio disto tudo?

Paulo Pires: Isto subentende-se aqui, embora não esteja escrito, que estes dois, até por a faixa etária ser a mais próxima, teremos sido ou não colegas. Portanto, nós podemos construir depois um pouco isto, mas eu sou o Diretor, sou ‘o careta’ de serviço, não é? Se ele [Pêpê Rapazote] é o rebelde, eu sou o careta do escritório, sou aquele que o tenta segurar e sou a consciência. Sou aquele que lhe tenta dizer pára, agora não podes ir mais além.

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Como disse, eu faço a parte chata da série, se é que esta série tem alguma parte chata, porque sou o que está no escritório. Eles é que eles é que andam no terreno, é que têm as cenas de ação, é que dão os tiros, é que levam os tiros [risos], é que fazem todas estas coisas. Eu estou aqui no escritório, mas para mim é muito giro fazer e eu já tinha feito outras coisas que serviam um bocadinho para aqui. Depois, todo este guião é muito bem escrito e ele, só por si, já é muito válido. Hoje em dia, nós temos tantas ferramentas, quer dizer cada vez há mais… é clicar, sentarmo-nos à frente de um computador, é ir buscar uns livros, é falar essencialmente com pessoas que são do meio, e houve aqui a oportunidade também de falarmos com pessoas que trabalham nesta área, para darmos o máximo de verdade às nossas personagens.

Pêpê Rapazote: Se quisermos, já agora, um pequeno resumo, e pegando um bocadinho nas palavras do Paulo [Pires]… Ora, nós temos aqui uma brigada de homicídios que começa com esta história a partir de um primeiro eventual homicídio. Ainda não se sabe, até ser provado, mas o Paulo [Pires], será o nosso chefe. Eu serei o chefe da Brigada de Homicídios. Aqui temos o Carlos [André Nunes], que será o meu braço direito. Portanto, eu serei o bom rebelde e nós jogamos muito com esta relação. Há muita cumplicidade! Eu digo “olha que eu vou fazer asneira”, etc. Pronto, já nos conhecemos bem, mas cada um consegue manter-se dentro do fato. Há aqui uma cumplicidade gira!

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Aqui o André [Nunes] faz o braço direito desta Brigada de Homicídios, que tem um saber extremamente investigador, tudo o que seja investigação informática é o ‘expert’ de serviço. Tudo o que seja informação que queiramos pesquisar, pedimos aqui ao Carlos. E depois, junta-se esta jovem, que é a Beatriz [Godinho], que faz de Laura, uma jovem prodígio da PJ e que vem com imensa psicologia forense e é um cérebro superior e, portanto, vem aqui trazer muita dedução, Cartesiana ou não, a toda esta investigação. Pelo meio, temos ainda uma parte em que haverá uma vítima espanhola, por isso, vem uma colaboradora de Espanha, que é interpretada pela Mina El Hammani (de “Elite“), que a princípio não vem com todas as intenções esclarecidas, digamos assim, as mais claras de todas, até passar a ser parte da equipa. Portanto, formamos aqui este ‘quinteto fantástico’, que espero que resulte muito bem para o espectador.

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Qual o papel da Polícia Judiciária nesta nova série?

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André Nunes: Para mim é um prazer. É uma série diferente, um policial. Estivemos em Lisboa, em vários exteriores, em zonas muito bonitas de Lisboa, mas assim numas grandes aventuras [risos]. Não sei se podemos fazer spoiler, mas estivemos logo, a partir do segundo dia, que foi uma coisa que eu achei fabulosa quando li o plano de ensaios, no segundo dia já estávamos na PJ a ter formação e temos que agradecer também muito ao Inspector Nuno e a toda a PJ, porque estivemos a treinar com armas. Foi essencial e tivemos mesmo treino de horas lá.

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Pêpê Rapazote: É verdade! Houve uma série de questões, sobretudo a nível comportamental. Há coisas que, embora não sejam genéricas e todas as pessoas são diferentes, mas há comportamentos que se aprendem na polícia judiciária a ter e a não ter. E nós ficámos um bocadinho mais alerta para isso. Relativamente à fotografia e aos locais que visitámos, como implicam muitas vezes locais altos, dão sempre uma fotografia fantástica e mostra-se um bom bocado de Lisboa. Queria agradecer também ao André [Nunes], especialmente porque cada vez que temos operações especiais, ele dá o corpo às balas [risos].

Magazine.HD: Já houve arranhões, pelo menos, por aí…?

Pêpê Rapazote: E já houve balas perdidas até da própria equipa. Tão bom que é o ambiente, não é [risos]?

Magazine.HD: Como é que foi esse contacto mais direto com a Polícia Judiciária?

André Nunes: Acho que foi uma ótima inspiração, porque não foi só aprender a técnica da arma em si. Já tinha feito uma vez de polícia, mas nunca tinha entrado assim tão a fundo. Uma pessoa começa a entrar no espírito e, além disso, inspira-se também neles próprios, nos inspetores que estão connosco.

Pêpê Rapazote: Há uma grande admiração, desde logo. A nível internacional, tenho amigos na Polícia Judiciária há muitos anos e nós sabemos que no ranking das polícias de investigação internacionais, a Polícia Judiciária está sempre muito bem colocada, inclusive antes de passarem a ter todos os meios que têm hoje em dia à disposição. Neste momento já não há grande distinção entre um FBI, um MI5 e a Polícia Judiciária, porque, de facto já há meios, felizmente, e antigamente não havia, o que é extraordinário e continuavam a ser muito bem vistos, pelo que figuras como a Inspetora Laura povoavam, desde sempre, a Polícia Judiciária para poder então colmatar todas as deficiências que havia em termos de meios, porque éramos um país pobrezinho, mas com gente muito inteligente e capaz da Polícia Judiciária.

Magazine.HD: Imagino que agora a preocupação com a projeção da série e do ponto de vista internacional seja levarem a imagem da PJ portuguesa a bom porto, não é?

Paulo Pires: Eles tiveram muito mais contacto com a polícia neste caso, neste neste projeto específico, do que eu, porque eu não estou nos episódios todos, como disse, sou o chato do escritório. Eles estiveram muito mais no terreno, portanto, tiveram uma preparação diferente da minha. Mas, como disse há pouco, também estive noutras ocasiões e quando há alguma falha, a culpa é sempre nossa e não deles, porque eles foram de uma de uma generosidade absolutamente incrível.

Beatriz Godinho: E tiveram paciência para nos responder às perguntas todas.

Paulo Pires: Portanto, se nós não passarmos uma boa imagem da polícia, a culpa é ou do guião ou nossa, da polícia não é.

André Nunes: Eu fiquei com muito boa impressão da nossa Polícia Judiciária. Não tinha essa noção.

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Artur Ribeiro escreveu e realizou “Lisbon Noir”

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Magazine.HD: Como é que tem sido este trabalho com a equipa que está a trabalhar para que a série seja um sucesso?

Paulo Pires: Para mim, eu não escondo que sou amigo do Artur [Ribeiro]. Gosto imenso dele, mas eu conheço o Artur há muitos anos. Mas acho o Artur fantástico, e fico muito contente por ele, porque é alguém que lhe escreve muito bem e não há muito isto de alguém a escrever e a realizar. Não é alguém que está a realizar uma coisa que não escreveu. Portanto, isto vem da escrita, não só dele, mas também dele. É um prazer muito grande estar a fazer esta série. Acho que é uma série especial e tem tido imensa sorte nos decores. Eu estive poucas vezes nos exteriores, mas sempre que percebo que eles estão em determinado sítio, digo “caramba, como é que vocês conseguiram?”. Já fiz séries policiais e não conseguimos ter acesso a este ou àquele sítio, e esta série está mesmo a ter muita sorte nos cenários.

Pêpê Rapazote: Queria só acrescentar uma coisa aqui em relação ao que o Paulo [Pires] disse, que é esta questão de termos aqui um autor-realizador, porque o Artur até tem mais experiência como argumentista do que como realizador. Nós lemos o guião e ele realiza como escreve, já lhe disse isso várias vezes. É minimalista, consegue dirigir o olhar do espectador para precisamente aquilo que ele está a realizar. Não há muitos planos, não é suposto haver muitos planos. O espectador vai ver o que ele pretende que o espectador veja e isso é muito interessante e, por isso, tem sido um trabalho muito energético, desde logo não cinematográfico. Quando nós criamos imagens sempre que lemos as cenas é, de facto, muito clara a perspetiva através da qual o Artur nos quer transmitir esta história.

Beatriz Godinho: Agora estavas a falar da questão de o Artur ser realizador e argumentista e estava-me a lembrar da primeira vez que li o guião por inteiro, e é muito envolvente, porque fala de algo que é a nossa História portuguesa. Passa-se em Lisboa, que é super trend hoje em dia, a nível mundial. Fala da nossa História, mas atualiza e torna-nos contemporâneos modernos para também poderes competir com produções internacionais, com mais meios, mais dinheiro, etc. Mas eu sinto que há um compromisso muito bom entre estas componentes todas que se torna super envolvente. Eu li o guião e, assim de repente, é uma bela homenagem a Lisboa.

Estás curioso(a) com a série “Lisbon Noir”? Sabes quem foi Diogo Alves?


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