Qual a polémica da Eurovisão 2026 e porque há boicote?
A Eurovisão 2026 alcança milhões de pessoas em todo o mundo e, apesar deste ano celebrar a sua 70.ª edição, surge envolta numa das discussões mais acesas dos últimos anos. Apesar de continuar a ser apresentada como um festival de música, de celebração cultural e de união entre países, a edição deste ano está marcada por muita tensão política, por profundas divisões entre as emissoras públicas-membros da EBU e por debates sobre a inclusão de Israel.
Nos últimos anos, o concurso voltou a cruzar-se com o contexto geopolítico internacional, especialmente devido à invasão da Faixa de Gaza pelas forças israelitas (na sequência do ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023), e ao impacto diplomático do conflito. Este cenário ultrapassou o âmbito televisivo e passou também para as esferas política e social europeias em geral, o que está a conduzir a uma onda de movimentos de contestação.
É importante sublinhar que este artigo é uma forma de contextualizar, de forma clara e responsável, o que está a acontecer em torno da Eurovisão 2026. Sendo um tema sensível e em constante evolução, baseamo-nos na informação disponível em fontes oficiais e credíveis, como comunicados da EBU, das televisões públicas envolvidas, declarações institucionais que consideremos relevantes, para além da nossa experiência nos últimos anos nas arenas onde decorreu o concurso. Ainda que sejamos fãs do festival e da sua história, o objetivo aqui é sobretudo explicar aos nossos leitores o que se está a passar com a Eurovisão.
Quem afinal organiza a Eurovisão?

A Eurovisão não é organizada por governos, mas sim pela União Europeia de Radiodifusão (EBU), através das suas estações públicas-membros. No caso de Israel, a participação é assegurada pela KAN, emissora pública israelita, tal como em Portugal a estação responsável é a RTP.
Ainda que Israel não faça parte geograficamente da Europa, integra a União Europeia de Radiodifusão, o que lhe permite participar no certame. O mesmo acontece com outros países fora desse espaço geográfico, como o Azerbaijão, a Arménia ou até a Austrália, que participa como convidada desde 2015. Este é apenas um detalhe fundamental para percebermos a natureza do festival. A Eurovisão não é uma competição entre países europeus no sentido estrito, mas sim entre algumas emissoras públicas membros da EBU. Ao longo dos anos, esta estrutura permitiu uma expansão do concurso, para além das fronteiras europeias tradicionais, transformando-o num evento de escala global. Por exemplo, existem países que são membros da EBU, mas que não integram a Eurovisão e que estão também afastados do contexto geográfico europeu, como Marrocos, Argélia, Tunísia, Egito, Líbano ou a Jordânia.
Apesar do festival ser cultural e formalmente independente de governos, as emissoras representam países, com contextos políticos, sociais e diplomáticos que inevitavelmente acabam por influenciar o debate em torno da sua participação. O caso mais retumbante será precisamente a exclusão da Rússia após a invasão da Ucrânia, e o contínuo suporte a Israel, mesmo após a intensificação dos ataques em Gaza e à forte contestação internacional. Só isso permite perceber que existem dois pesos e duas medidas na forma como a EBU se organiza, sendo ela própria reflexo de um sistema que continua longe de ser verdadeiramente imparcial.
Em relação a Israel, a situação tem sido particularmente sensível devido às consequências humanitárias amplamente debatidas a nível internacional. Organizações, governos e sociedade civil têm levantado questões sobre o respeito pelo direito internacional e pelas medidas emitidas pelo Tribunal Internacional de Justiça no contexto do conflito. Estes elementos contribuíram para intensificar a pressão política em torno da participação israelita no concurso.
Eurovisão 2024: o ano de viragem
Em 2024, Israel foi representado por Eden Golan com a canção “Hurricane”, após seleção interna da KAN. A participação gerou polémica ainda antes do evento, com vários pedidos de exclusão e manifestações públicas contra a presença do país.
Durante o Festival Eurovisão da Canção 2024, em Malmö, na Suécia, a atuação de Eden Golan, representante de Israel, decorreu num ambiente altamente tenso, marcado por protestos dentro e fora da arena e por uma forte polarização entre público, artistas e delegações. A participação de Israel foi defendida ainda em 2023 pela União Europeia de Radiodifusão (EBU), que reiterou que o concurso não representa governos, mas sim emissoras. A cidade contou com um dispositivo de segurança reforçado devido ao contexto internacional e às manifestações previstas durante o evento. Enquanto aguardávamos a entrada na arena, era evidente a forte presença policial no recinto, incluindo agentes armados posicionados no topo de edifícios circundantes, num cenário pouco habitual para um festival associado à celebração da paz. A atuação de Eden Golan foi mesmo alvo de reações divididas, incluindo vaias em vários momentos, tanto em ensaios como na final, embora o ambiente televisivo tenha sido ‘ajustado’ através das questionáveis decisões da produção de eliminar o som do público nas transmissões ao vivo.
Fora do contexto eurovisivo, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tem estado envolvido em processos judiciais internos em Israel relacionados com acusações de corrupção (processo cuja audiência foi recentemente cancelada pelo sistema judicial israelita). Além disso, no plano internacional, o contexto do conflito levou o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) a emitir um mandado de captura para Netanyahu, além de medidas provisórias no âmbito do caso apresentado pela África do Sul, que acusa Israel de violações da Convenção do Genocídio, como inclusive revela o relatório da ONU A/HRC/60/CRP.3. Estas medidas não representam uma condenação final, mas aumentaram significativamente a pressão sobre o país.
Eurovisão 2025: continuidade da tensão
Na Eurovisão 2025, Israel foi representado por Yuval Raphael, com a canção “New Day Will Rise”, num contexto em que a participação do país continuou a ser acompanhada por forte atenção mediática e debate em vários países europeus. De acordo com os resultados finais do concurso, Israel alcançou o 2.º lugar na classificação geral, somando um total de 357 pontos, dos quais 297 pontos vieram do televoto do público e 60 pontos dos júris nacionais.
Este resultado voltou a colocar Israel no centro da discussão sobre a Eurovisão, sobretudo pela forte diferença entre o apoio do público e o dos júris profissionais. Ainda assim, a União Europeia de Radiodifusão (EBU) manteve a posição oficial de que os resultados refletem exclusivamente o sistema de votação estabelecido, sem interferência externa ou validação política, reforçando a separação entre o concurso e os contextos governamentais dos países participantes.
Um contexto europeu mais alargado
A controvérsia em torno da Eurovisão não surge de forma isolada. Em simultâneo, mantém-se em cima da mesa, em vários países europeus, o movimento político e social que coloca em causa as relações institucionais entre a União Europeia e o Estado de Israel.
Um dos casos mais significativos é a Iniciativa de Cidadania Europeia que defende a suspensão do acordo de associação entre a UE e Israel, promovida por forças políticas da esquerda europeia como o Bloco de Esquerda, o Podemos e a França Insubmissa. Em poucos meses, a proposta reuniu mais de um milhão de assinaturas, o número mínimo exigido para que a Comissão Europeia seja obrigada a analisar oficialmente o tema.
A mobilização traduz a inquietação de milhões de cidadãos europeus que entendem que a União Europeia não deve manter relações comerciais com um país acusado de violações graves do direito internacional e dos direitos humanos. Para os responsáveis pela iniciativa, o objetivo é aumentar a pressão política para uma possível suspensão do acordo, vista como uma forma de pressão económica e diplomática.
Boicotes e divisões em 2026
Em 2026, a tensão refletiu-se diretamente no concurso, com algumas televisões públicas europeias a anunciarem formas de boicote ou protesto, incluindo não participação ou a não transmissão do festival. Entre os países associados a estas posições estão a Eslovénia, Islândia, Irlanda e Países Baixos, enquanto Espanha ganhou maior destaque por integrar o grupo dos “Big Five”, os principais financiadores do evento.
Há cerca de um ano, o primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, manifestava-se a favor da exclusão de Israel do Festival Eurovisão da Canção e de outras competições internacionais, criticando aquilo que considerava serem “dois pesos e duas medidas” quando comparado com a resposta aplicada à Rússia após a invasão da Ucrânia, em 2022 – relembramos que o país foi excluído não só da Eurovisão, como de outros festivais de música, de cinema e eventos desportivos. Podemos até olhar para a posição de antigos vencedores da Eurovisão, por exemplo, Conchita Wurst, vencedora do festival em 2014, que na declaração que assinou como Tom Neuwirth, referia:
“O Festival Eurovisão da Canção moldou a minha vida. Foi o meu palco, a minha casa, o meu trampolim e um capítulo pelo qual estou profundamente grato. Como artista, a mudança é a minha maior constante. A partir de agora, vou afastar-me do contexto da Eurovisão. Quero concentrar-me noutros projetos profissionais e permitir que novas etapas surjam naturalmente. A minha ligação ao ESC continuará a fazer parte da minha história, mas não será o espaço dos meus próximos passos. Esta é uma decisão pessoal e não farei mais comentários sobre o assunto”.
Já Salvador Sobral, vencedor da Festival Eurovisão da Canção 2017, criticou a decisão da RTP de manter a participação de Portugal na edição deste ano, mesmo após a confirmação da presença de Israel, considerando-a incoerente com outras posições institucionais recentes. Em declarações feitas na rede social Instagram, depois partilhadas pelo Diário de Notícias, o músico afirmou que a televisão pública “dá sinais contraditórios” ao transmitir um concerto solidário com Gaza e, ao mesmo tempo, participar no festival, classificando a decisão como “cobardia política” e apontando falta de coerência institucional. Sobral defendeu ainda que Portugal deveria manter o Festival da Canção, mas encontrar uma alternativa para a participação internacional do vencedor, sugerindo um modelo diferente de reconhecimento artístico.
Várias estruturas representativas dos trabalhadores da RTP chegaram a contestar a decisão de Portugal participar na edição deste ano do Festival Eurovisão da Canção. A tomada de posição foi apresentada num plenário de trabalhadores, que se realizou no contexto da greve geral de 11 de dezembro, e criticava a decisão da União Europeia de Radiodifusão (UER) por manter Israel no concurso apesar das denúncias internacionais sobre a situação em Gaza.
Na moção, os trabalhadores argumentam que a permanência da KAN, televisão pública israelita, no festival contribui para a normalização de um Estado acusado de violações de direitos humanos e consideram “incompreensível” que a RTP tenha confirmado a participação e apoiado as novas regras da UER.
Pode Israel ser expulsa da Eurovisão?
Em teoria, sim – mas não é um processo simples. A exclusão de um país depende da decisão da EBU e dos seus membros. Tal como aconteceu com a Rússia em 2022, a suspensão só ocorre em circunstâncias excecionais e com apoio interno significativo.
No caso de Israel, o cenário revela-se bastante mais complexo. Ao contrário do que aconteceu com a Rússia, cuja exclusão surgiu num contexto de forte consenso político internacional e de rápida reação por parte de várias instituições europeias, Israel mantém-se representado pela KAN, a emissora pública israelita que continua a integrar ativamente a European Broadcasting Union (EBU).
Isso significa que, do ponto de vista institucional, não existe atualmente qualquer decisão formal de suspensão nem um processo oficial em curso que indique uma exclusão imediata. Para que tal medida avançasse, seria necessária uma discussão interna entre os membros da EBU, envolvendo negociações políticas delicadas e o apoio de várias dezenas de organismos de radiodifusão de diferentes países. Trata-se, por isso, de uma decisão muito mais sensível e difícil de alcançar do que muitas vezes se sugere no debate público.
Além da dimensão política e diplomática, existe ainda uma componente económica que não poderemos ignorar. O Festival Eurovisão da Canção movimenta investimentos significativos e depende fortemente de parcerias comerciais. Entre elas destaca-se a presença da Moroccanoil, uma das principais patrocinadoras do evento nos últimos anos, de origem israelita, cuja ligação à marca Eurovisão reforça a complexidade de qualquer decisão. No fundo, a permanência de Israel no concurso é um reforço de um sistema, que embora respeitante das regras internas da EBU, tornam qualquer mudança muito mais difícil.
Que países desistiram da Eurovisão 2026 e porquê?
Este ano cinco países (Espanha, Islândia, Irlanda, Países Baixos e Eslovénia) decidiram afastar-se da edição eurovisivo, num contexto fortemente influenciado pela polémica em foco. A Espanha, é o caso mais impactante, por fazer parte do grupo “Big Five”, os maiores financiadores da Eurovisão e, por isso, com acesso automático à final.
A estação pública espanhola RTVE terá decidido retirar-se do concurso caso a participação de Israel se mantivesse, argumentando que o contexto atual torna impossível ignorar a dimensão política do evento. Segundo declarações do seu presidente, José Pablo López, a Eurovisão não pode ser considerada totalmente apolítica, defendendo que o festival tem implicações que não podem ser ignoradas.
Islândia: divisões internas e pressão pública
No caso da Islândia, a decisão surgiu após um prolongado processo interno de reflexão. A emissora pública RÚV destacou a existência de uma forte divisão no país e também entre vários membros da European Broadcasting Union relativamente à participação de Israel no concurso.
A estação islandesa referiu ainda ter solicitado à EBU a exclusão da KAN, invocando os mesmos precedentes como a exclusão da Rússia em 2022. Para a Islândia, o contexto atual já teria provocado danos reputacionais ao festival e exigia uma solução consensual entre os países participantes. Recorde-se que, durante o Festival Eurovisão da Canção 2019, que decorreu em Telavive, a delegação da Islândia protagonizou um gesto político que gerou ampla repercussão internacional ao exibir a bandeira da Palestina em direto durante a Grande Final.
Para compreender melhor esse contexto, vale a pena ver o documentário “A Song Called Hate”, realizado por Anna Hildur Hildibrandsdottir, que acompanha a participação islandesa e aborda as tensões políticas e sociais em Jerusalém.
Irlanda: decisão justificada por razões humanitárias
A Irlanda, através da sua emissora pública RTÉ, também anunciou que não participaria caso Israel estivesse presente na competição. A estação justificou a sua posição com o que descreveu como “perdas de vidas em larga escala em Gaza” e preocupações com a segurança em Gaza, Cisjordânia e no Líbano. O governo irlandês classificou a decisão como um gesto de solidariedade, sublinhando o peso ético da participação num evento internacional nestas circunstâncias.
Países Baixos: liberdade de imprensa e impacto humanitário
A emissora neerlandesa AVROTROS confirmou a sua saída, citando “o sofrimento humano contínuo em Gaza” e preocupações relacionadas com a liberdade de imprensa. O canal destacou alegações de restrições ao acesso de jornalistas internacionais à Faixa de Gaza e referiu os números elevados de profissionais de comunicação social mortos no conflito, segundo as organizações internacionais.
A posição neerlandesa tem sido de crítica constante ao comportamento da EBU. Precisamos recuar a 2024, quando o representante dos Países Baixos, Joost Klein, foi desqualificado apenas horas antes da Grande Final, na sequência de uma alegada acusação de intimação ocorrido nos bastidores de Malmö. A decisão gerou grande controvérsia e levou à abertura de uma investigação por parte da polícia sueca. No entanto, as autoridades acabaram por arquivar o caso, no verão desse mesmo ano, e concluíram que não havia provas suficientes de que o gesto em causa tivesse sido capaz de causar medo sério ou de que tivesse havido intenção de intimidar. O artista reagiu posteriormente através das redes sociais, afirmando que “não existia qualquer caso” contra si e manifestando alívio com o encerramento da investigação, embora tenha criticado o tempo que o processo demorou a ser concluído. Joost Klein descreveu os meses seguintes como “terríveis” e questionou a demora na decisão, apesar de ter sublinhado o seu gosto por atuar internacionalmente.
O cantor deixou ainda críticas indiretas ao contexto que rodeou a sua exclusão, sugerindo que a decisão poderá ter sido influenciada por interesses comerciais, embora sem clarificar essas alegações. A desqualificação reduziu o número de finalistas para 25 canções em 2024 e tornou-se um dos episódios mais polémicos daquela edição.
Eslovénia: recusa em transmitir o festival
A posição da Eslovénia é semelhante à dos países acima mencionados. Além de não participar, a emissora pública decidiu não transmitir a Eurovisão 2026. Em alternativa, a estação anunciou a emissão de conteúdos relacionados com a Palestina, incluindo documentários que contextualizam a sua história.
Estreante em 1973, Israel soma 47 participações na Festival Eurovisão da Canção e venceu as edições de 1978, 1979, 1998 e 2018. Este ano, o estado participa com a canção “Michelle”, de Noah Bettam, cuja versão original terá sido alvo de revisão após a análise interna da equipa da Eurovisão, devido a alegadas referências de natureza política na letra. Tal como em edições anteriores, o processo de adaptação da canção ilustra o esforço recorrente do concurso em manter as regras de neutralidade.
Qual será o futuro da Eurovisão?
A Eurovisão sempre viveu momentos de polémica ao longo da sua história, mas a edição desta ano prova que algo que nunca vimos antes. Estamos perante um dos maiores eventos televisivos do mundo, mas também como um dos mais sensíveis do ponto de vista político-social contemporâneo.
Neste nosso compromisso mediático de acompanhamento da Eurovisão, não pretendemos, de forma alguma, reduzir o espetáculo exclusivamente à presença de Israel ou a qualquer outra polémica paralela ao concurso. A Eurovisão é, acima de tudo, um evento que reúne dezenas de países, centenas de profissionais e artistas que trabalham durante meses para apresentar a sua música num palco internacional.
Independentemente do debate legítimo que possa existir em torno da participação de Israel, importa também preservar espaço para as canções, as performances e a diversidade criativa que caracteriza esta competição há várias décadas. Muitos artistas chegam à Eurovisão como oportunidade única de mostrar o seu talento a milhões de espectadores e merecem ver esse trabalho reconhecido e valorizado. É igualmente importante recordar que os concorrentes representam projetos musicais e humanos variados, e não é justo que todos os participantes sejam absorvidos por discussões políticas ou institucionais que ultrapassam o âmbito artístico do concurso. Para muitos deles, a Eurovisão representa uma plataforma de crescimento profissional, como aconteceu com vários artistas no passado, e embora esteja a precisar de mais trabalho interno e de uma restruturação profunda alinhada com os ideais realmente humanitários, continuará certamente a ser um espaço de apresentação de talentos.
Se quiseres poderás ler alguns livros publicados sobre o conflito conflito israelo-palestiniano. Entre as nossas sugestões deixamos “Moral Abdication: How the World Failed to Stop the Destruction of Gaza“, de Didier Fassin, “Palestina – Uma Biografia: Cem Anos de Guerra e Resistência“, escrito por Rashid Khalidi, o maior historiador do Médio Oriente nos Estados Unidos. Outra sugestão, seria o romance “Mornings in Jenin”, de Susan Abulhawa. O terceiro livro que recomendamos para compreender de forma mais profunda os impactos geopolíticos e sociais da Eurovisão é “Capire l’Eurovision – tra musica e geopolitica”, da autoria de Giacomo Natali. Trata-se de uma obra que analisa o festival para além da música, explorando a forma como ele reflete dinâmicas políticas, culturais e identitárias na Europa.
Em cinema, os trabalhos recomendados são “A Voz de Hind”, de Kaouther Ben Hania recentemente nomeado ao Óscar de Melhor Filme Internacional e ovacionado no Festival de Veneza de 2025 e “Palestina 36“, realizado pela palestiniana Annemarie Jacir, e que esteve também na lista de finalistas para os Óscares 2026.

