© Nico Aguilar

Com o Festival de Cannes 2026 a chegar ao fim, está na hora de falar de alguns filmes  que estrearam no Palais do Festival nos últimos dias e que foram destaque. Três na Competição Oficial e um na secção Un Certain Regard.

Foram todos filmes divisivos entre o público e os críticos. O que significa que há quem tenha adorado, quem não tenha apreciado e os que os classificam como médios. No entanto, todos foram aplaudidos e levaram milhares de pessoas aos cinemas neste Festival de Cannes 2026.

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Victorian Psycho

“Victorian Psycho” entra no cinema de género, estreando na secção Un Certain Regard, que destaca filmes e novos realizadores, directorial debuts ou cinema original que traz coisas novas.

Assim, mistura elementos de terror, thriller e comédia, tudo na época vitoriana. Acompanha, então, a chegada de uma nova governanta a uma casa onde o staff começa a desaparecer misteriosamente.

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É, sobretudo, um filme que nos diverte, ao mesmo tempo que nos perturba com a sua violência e uma protagonista que está muito confortável com a sua tendência para o mal.

É uma mistura entre “American Psycho” e “Saltburn”, que não nos traz muitas coisas novas ao género, mas conta-as da perspetiva feminina completamente unhinged. É essa mistura entre a violência e o humor que não vemos tantas vezes.

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O Casting do filme está fantástico, com Jason Isaacs e Thomasin Mckenzie em ótimos papéis. Mas o destaque é de Maika Monroe, que interpreta esta protagonista cómica, violenta e completamente sem noção.

The Man I Love

The Man I Love
“The Man I Love”, funciona como promessa e ironia. ©Big Creek

“The Man I Love” passa-se nos anos oitenta, na altura em que a Sida proliferou e afetou muitas pessoas em todo o Mundo. Acompanhamos um artista que está a batalhar contra esta doença e tenta voltar ao teatro para uma nova peça.

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Sobretudo, é um filme que acompanha uma personagem que adora todos os elementos da vida e que quer muito viver. Contra uma doença que lhe tira tudo aquilo que ele adora.

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Como disse o realizador Ira Sachs durante a conferência de Imprensa, “It’s a movie filled with art and love, in a time of pain”. Assim também acompanha o lado do cuidador. A forma como amar e cuidar de um artista é uma vocação.

No entanto, apesar do tema importante da história e de uma performance emocionante de Rami Malek, o filme é curto e acabamos por não ter tempo de conhecer as personagens totalmente. Precisava de mais desenvolvimento e contexto na história para causar mais impacto no espectador..

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Coward

Coward
“Coward”, de Lukas Dhont, é outro filme sobre rapazes esmagados pela ideia de coragem. ©Aline Boyen

Por fim, “Coward” é um filme Belga sobre a Primeira Guerra Mundial onde os soldados na frente de Guerra tentam fugir à violência através da criação de um grupo de teatro. É um filme com uma premissa muito promissora.

A maior parte do filme é muito interessante na exploração deste conceito entre o contraste da violência da guerra e a necessidade da arte para fugir a esta realidade. No entanto, a última parte do filme acaba por se perder num romance que deixa de lado este amor pela arte que mostrava inicialmente.

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