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“La Bola Negra” entrou de mansinho no Festival de Cannes 2026. O último dos três filmes espanhóis em competição a estrear durante o Festival, mesmo no penúltimo dia. Um filme que não se comentava muito até à sua estreia.

Em duas horas e meia, Los Javis conquistaram o público do Grand Theatre Lumière, com uma ovação de 20 minutos. Assim, “La Bola Negra” entra para a lista dos filmes com mais tempo de ovação em pé de sempre. O record continua a ser 23 minutos, para “Pan’s Labyrinth” de Guillermo del Toro.

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“La Bola Negra” continua a história de um dos últimos trabalhos, não acabados, do famoso escritor espanhol Federico García Lorca. O filme é contado através de três histórias diferentes, três homens em três épocas diferentes. Todas interconectadas, por um fio de amor, medo, dor e pela herança das importantes histórias dos seus antepassados.

La Bola Negra capta-nos desde o início com a sua beleza violenta

La Bola Negra
© La Bola Negra

O início do filme coloca-nos mesmo no centro da Guerra Civíl Espanhola com uma cena tão bonita quanto violenta. E é assim que define o tom do filme, mantendo esta dualidade durante as suas duas horas e meia.

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O design de produção e a cinematografia são verdadeiramente maravilhosas e marcantes, colocando o ambiente como uma própria personagem do filme. Pois é quase como se o seu próprio país estivesse contra eles.

E esse sentimento é transmitido através dos pontos de vista da câmara, planos lindíssimos com um mise-en-scéne que é um festim para os sentidos dos espectadores.

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Duas horas e meia de construção de personagens

Como referi, o ambiente é um ponto importante do filme, tal como a história de Espanha e a política de cada era de “La Bola Negra”. No entanto, o foco principal está nas personagens do filme.

É por isso, que é absolutamente necessário que este filme tenha duas horas e meia. São várias eras, variadíssimas personagens. E ainda assim, sentimos que saímos do filme a conhecer o íntimo de cada uma delas. E é isso mesmo, um filme com uma história tão profunda que atravessa gerações, mas um percurso íntimo e realista de cada uma das personagens.

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O filme faz um círculo perfeito, desde o setting da história, a forma como começa e introduz imediatamente o significado da “Bola Negra”, até fechar de uma forma que nos deixa satisfeitos, tristes e esperançosos, tudo ao mesmo tempo.

Mensagens do filme

Ao longo do filme vemos várias histórias de amor que se interligam, em tempos de dificuldade e absoluta violência. No entanto, as mensagens transmitidas no filme não estão apenas nesse amor.

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As histórias que conhecemos são histórias de repressão, uma violência que colocava irmão contra irmão e pais contra filhos. E mostra-nos precisamente o lado do “inimigo”, o contraste entre a empatia e a brutalidade. A fraternidade e a agressividade.

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É também sobre a incapacidade de decidir, a forma como estas pessoas não tinham qualquer hipótese de escolha naqueles momentos, se não fazer aquilo que lhes mandavam, para sobreviverem.

E, por fim, questiona quem contará as nossas histórias quando já não estivermos cá. A importância de falar das centenas de pessoas que viveram as suas histórias em segredo para que hoje haja liberdade e compreensão.

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Os momentos de cinema que nos marcam

Todos os anos há momentos de certos filmes que nos deixam uma marca, que se tornam memoráveis. Foi o que aconteceu o ano passado com “Sinners”, uma sequência musical que ninguém vai esquecer.

Aconteceu novamente este ano com outro filme espanhol aqui no Festival de Cannes, “El Ser Querido” com Javier Bardem e Victoria Luengo. E os espanhóis voltam a marcar pontos com uma cena que dificilmente vai sair do nosso imaginário.

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Também uma sequência musical, uma cena que envolve o flamenco e a música espanhola de uma forma muito bonita. É precisamente uma canção sobre a liberdade, expressão e escolha. E conta com uma coreografia lindíssima onde a personagem de Milo Quifes.

La Bola Negra é suportado pelo seu elenco fantástico

Um filme com esta atenção aos detalhes e desenvolvimento de personagens, não seria possível sem um elenco fantástico. Não teria o mesmo impacto sem Guitarricadelafuente, Milo Quifes, Glenn Close, Penélope Cruz, Miguel Bernardeau, Carlos González e Lola Dueñas. Destacando a sensibilidade e evolução da personagem de Guitarricadelafuente. A força e irreverência da personagem de Miguel Bernardeau.

E a dor e vontade de se expressar da personagem de Milo Gifes. Não esquecendo o pequeno mas marcante papel de Penélope Cruz, que é um catalizador para a personagem de Guitarricadelafuente e um símbolo de liberdade.

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9/10
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