Photo by COURTESY OF NETFLIX - © 2026 Netflix, Inc.

A 78.ª cerimónia dos Emmys está marcada para 15 de setembro, apresentada por Mariska Hargitay. Entre os grandes nomes da noite, a Netflix lidera as categorias de Minissérie / Série Antológica graças à segunda temporada de “Beef“, com 16 nomeações. Ainda assim, a corrida está longe de ser fácil de prever e, para mim, a Academia deixou de fora nomes que bem mereciam estar na festa.

Por isso, e só por um momento, vamos esquecer as previsões e falar antes das minhas escolhas pessoais: quem devia ganhar, quem ficou injustamente esquecido e, já agora, um ator que, se dependesse só de mim, teria que comprar uma nova prateleira para guardar tantas estatuetas.

Pub

Lê Também:
Minissérie de 12 episódios, com Paul Mescal e Edgar Daisy Jones, tem 91% no Rotten Tomatoes e está prestes a abandonar o Streaming em Portugal

Melhor Atriz Secundária em Minissérie ou Filme

Linda Cardellini Emmys DTF St Louis©HBO Max

Omissão: Cailee Spaeny, “Beef” – Com toda a gente da série a ser reconhecido, é incompreensível que a voraz performance da jovem atriz tenha sido esquecida pela Academia. Para mim, Spaeny é o grande destaque desta temporada e ver a transformação da sua Ashley é o ponto alto de uma temporada menos bem sucedida.

O meu vencedor: Linda Cardellini , “DTF St. Louis” – Associada a papéis mais doces, Cardellini recebe a complexa Carol, uma subversão do tropo da “femme fatale”. Era fácil interpretar Carol como alguém insuportável, mas Cardellini encontra humanidade numa mulher que usa uma armadura cínica para esconder as suas inseguranças. Assim, se a série de Steven Conrad funciona também, é muito devido ao desempenho magnético de Cardellini.

Pub

Melhor Ator Secundário em Minissérie ou Filme

DTF St Louis Jason Bateman
© HBO Max
  • Jason Bateman – “DTF St. Louis”
  • Richard Gadd – “Half Man”
  • David Harbour – “DTF St. Louis”
  • Richard Jenkins – “DTF St. Louis”
  • Charles Melton – “Beef”
  • Nick Offerman – “Death by Lightning

Omissão: Jake Lacy, “All Her Fault” – Ao lado do grande desempenho de Snook na minissérie da SkyShowtime está o sempre competente Jake Lacy. Replicando um tipo de personagem em que se tem especializado, Lacy vai mais além com uma composição charmosa e perfeitamente cativante, que vai se revelando aos poucos.

O meu vencedor: Jason Bateman, “DTF St. Louis” – Não faz muito sentido que Bateman ou Harbour concorram nesta categoria, mas a escolha fraudulenta de campanha não pode apagar o brilho das performances. Escolher entre os dois mais Jenkins é díficil, mas acabo por optar por Jason Bateman. Conrad criou três protagonistas extremamente atípicos e cheios de camadas. Na pele de Clark Forrest, Bateman começa como o arquétipo do “betinho” com a vida controlada, quase gabarolas. À medida que a série avança, vamos descobrindo alguém mais vulnerável, alguém que esconde uma enorme necessidade em se conectar, em se encontrar. Ao longo da sua carreira, Bateman foi acusado de “interpretar sempre o mesmo papel”. Basta ver a série da HBO Max para entender que tal não é verdade.

Pub

Melhor Realização em Minissérie ou Filme

Black Rabbit Jude Law Jason Bateman Emmys
© Carnival Film & Television / Universal International Studios
  • Jake Schreier – “Beef” (episódio “It Will Stay This Way And You Will Obey”)
  • Lee Sung Jin – “Beef” (episódio “Oh, The Comfort, The Inexpressible Comfort”)
  • Jason Bateman – “Black Rabbit” (episódio “The Black Rabbits”)
  • Steven Conrad – “DTF St. Louis”

Omissão: Bassam Tariq, “House Or Home” (“Bait”) – Riz Ahmed conseguiu a nomeação em Ator, mas a minissérie da Prime Video acabou por ser excluída. A identidade visual atrativa e hipnotizante do projeto devia ter sido reconhecido com este caótico episódio.

Pub

O meu vencedor: Jason Bateman, “Black Rabbit” – Além de estar a provar a sua versatilidade à frente das câmaras, Bateman tem feito um trabalho notável para mostrar que é um realizador de primeira linha.  Ao assumir os primeiros episódios, é Bateman quem define o caminho estético da série e nos volta a levar numa viagem sinuosa e realista, à semelhança de “Ozark”.

Melhor Argumento em Minissérie ou Filme

DTF St Louis David Harbour
© HBO Max
  • Megan Gallagher – “All Her Fault” (episódio “Episode 8”)
  • Gabe Rotter e Daniel Pearle – “The Beast in Me” (episódio “Sick Puppy”)
  • Lee Sung Jin – “Beef” (episódio “All the Things We’re Never Going to Have”)
  • Mike Makowsky – “Death by Lightning”
  • Steven Conrad – “DTF St. Louis”

Omissão: Azam Mahmood, “House or Home” (“Bait”) – Mais uma vez, a criatividade e o caos da minissérie de Riz Ahmed mereciam mais reconhecimento.

Pub

O meu vencedor: Steven Conrad, “DTF St. Louis” – É a grande surpresa do ano. Inicialmente vendida como um “mistério prestige” da HBO Max, rapidamente entendemos que o crime é a parte da história em que Conrad está menos interessado. Personagens bem fortes, um toque de humor bizarro e um olhar sui generis daquilo que é a vida mundana. Quando acreditávamos que este tipo de sátira à la “Beleza Americana” já tinha dado tudo o que tinha a dar, Conrad imprime-lhe o senso de humor ao estilo de Nathan Fielder e Tim Robinson e apresenta o melhor argumento do ano.

Lê Também:
Minissérie britânica de 4 episódios com Carey Mulligan, candidata aos Emmys 2026, já na Netflix Portugal

Melhor Ator em Minissérie ou Filme

Jason Bateman Emmys Netflix Black Rabbit
© 2025 Netflix, Inc.
  • Riz Ahmed – “Bait”
  • Jason Bateman – “Black Rabbit”
  • Charlie Hunnam – “Monster: The Ed Gein Story”
  • Oscar Isaac – “Beef”
  • Matthew Rhys – “The Beast in Me”

Omissão: Jude Law – “Black Rabbit” – Não é para ser repetitivo, mas a minissérie da Netflix merecia mais reconhecimento. No centro do projeto, Jude Law surge como o homem que tem tudo controlado… mas que esconde um caos interno e autodestrutivo. Law e Bateman em cena são dinamite pura, e a magia de um não acontece sem o outro.

Pub

O meu vencedor: Jason Bateman – “Black Rabbit” – Não há duas sem três…. Se eu mandasse, Jason Bateman ganharia três Emmys individuais. Nada mais que justo para o ator de 57 anos que continua a mostrar que é mais do que a caixinha em que o querem colocar. De barba comprida e sorriso malicioso, o Vince de Bateman mostra-nos um novo lado totalmente desconhecido do intérprete. Já não temos o “betinho” nem o inseguro autodepreciativo, estamos perante um sacana charmoso e autodestrutivo que salta do ecrã. Tal como o Jake de Law, nós somos arrastados para um caminho sem volta.

Lê Também:
Minissérie de apenas 4 episódios baseada em factos reais nomeada aos Emmys 2026, já na Netflix Portugal

Melhor Atriz em Minissérie ou Filme

All Her Fault Sarah Snook
© Carnival Film & Television / Universal International Studios
  • Claire Danes – “The Beast in Me”
  • Sally Field – “Remarkably Bright Creatures
  • Carey Mulligan – “Beef”
  • Sarah Pidgeon – “Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette”
  • Sarah Snook – “All Her Fault”

Omissão: Lily James, “Swiped” – O filme sobre a criadora do Bumble acabou por ficar de fora dos Emmys, mas a obra de Rachel Lee Goldenberg merece mais crédito do que recebeu. Muito do que a faz funcionar, é o carismático desempenho de James no centro. Whitney Wolfe Herd foi uma figura injustamente perseguida pelos media, e James dá-lhe força para a tornar mais que uma vítima, mas também sabe quando lhe dar o toque de vulnerabilidade perfeito. Para uma atriz que nunca me impressionou, “Swiped” mostrou um potencial em James que merece ser explorado.

Pub

O meu vencedor: Sarah Snook, “All Her Fault” – Desde o ano passado que eu seleciono Snook como o melhor desempenho protagonista em qualquer categoria. Quando finalmente vi a Lindsay de Carey Mulligan tive mais dúvidas do que achei que teria. Mas ao final do dia, a Marissa de Snook continua a ser a minha escolha. Desde o primeiro minuto, nós mergulhamos no drama de uma mãe que viu o seu pior pesadelo tornar-se realidade. A personagem fica num estado quase apático a série inteira, e seria fácil para outra atriz perder o público. Contudo, o olhar carregado e a expressividade da atriz manifestam a sua dor sem precisar de grandes diálogos ou alaridos. Mesmo quando a série envereda em caminhos absurdos e barulhentos, é o silêncio letal de Snook que faz tudo funcionar.

Melhor Minissérie ou Série Antológica

DTF ST. LOUIS HBO MAX EMMYS
© 2026 Netflix, Inc.
  • “All Her Fault” (Skyshowtime)
  • “The Beast in Me” (Netflix)
  • “Beef” (Netflix)
  • “DTF St. Louis” (HBO Max)
  • “Love Story: John F. Kennedy Jr. & Carolyn Bessette” (FX/Hulu)

Omissão: “Black Rabbit” Esta é uma série que vive da colisão entre Jake (Jude Law), o homem de negócios impecável, e Vince (Jason Bateman), o irmão caótico e autodestrutivo. O que começa como um contraste clássico evolui para um espelho desconfortável, revelando que a fachada controlada de Jake esconde um vazio e uma propensão para o desastre tão grandes quanto os de Vince. Empurrada por decisões desesperadas e pela excelente participação de Troy Kotsur como um chefe da máfia surdo, é uma das minisséries mais subestimadas do ano e merecia ter sido lembrada.

Pub

O meu vencedor: “DTF St. Louis” – Uma história que nos surpreende e subverte sempre as expetativas. Assim, estamos perante o retrato honesto e desconcertante de três adultos na meia idade e os seus anseios e problemas, ancorado por desempenhos brilhantes. Para mim, é a melhor minissérie de 2026 e uma das mais interessantes da história da HBO Max. E já agora, é o quarto Emmy que eu daria a Jason Bateman (como produtor executivo da série).


About The Author


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *