Entre os dias 28 e 30 de agosto de 2026, o Parque da Bela Vista volta a receber o MEO Kalorama para a sua 5.ª edição. Um dos festivais mais jovens da capital continua a consolidar-se como uma aposta segura, à medida que conjuga, no seu cartaz, clássicos eternos com bandas emergentes em múltiplos géneros. Robbie Williams foi rei na noite inaugural.
O arranque do MEO Kalorama neste ano, no dia 28 de agosto, fez-se com uma mistura curiosa e inesperada de géneros, com o pop e o rock a tomarem a dianteira no palco principal. A fechar as lides e como cabeça de cartaz tivemos o britânico Robbie Williams, um mestre do entretenimento puro.
A surpresa positiva de Angine de Poitrine
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Antes disso vimos diversos artistas variados, com destaque para o rock duo canadiano Angine de Poitrine. É certo dizer que o seu rock instrumental e experimental deixou os festivaleiros completamente rendidos, a participarem efusivamente na coreografia algo tosca e sempre divertida do grupo musical. Os Angine de Poitrine fizeram muito com muito pouco, dando valor e ênfase aos “básicos”: um membro na sua guitarra e outro na sua bateria, tocando entusiasticamente e ininterruptamente e suscitando muita curiosidade através dos seus rostos escondidos e as suas vestes coloridas – cavaleiros às pintinhas com uma bravura musical assinalável.
A tépida jazzy pop de MARO
Logo de seguida no Palco MEO, tempo para alguma música portuguesa (embora não em português). MARO subiu ao palco e trouxe consigo um repertório recente, com o seu álbum “SO MUCH HAS CHANGED”, lançado este ano, a promover. Um peso pesado da música portuguesa atual, com quase 1 milhão de ouvintes mensais no Spotify, MARO distinguiu-se ao vencer o Festival da Canção com “Saudade, Saudade”, embora o tema não tenha integrado a setlist desta noite de Kalorama.
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Extremamente luminosa em palco, MARO apresentou a sua mistura de pop e jazz no MEO Kalorama perante uma plateia repleta mas não muito participativa. Quiçá não fosse o nome mais certo para anteceder os rockeiros Interpol, acabando a energia dos presentes na audiência por se dissipar um pouco.
Interpol em piloto automático
As emoções voltaram a intensificar-se quando os Interpol subiram finalmente ao palco. O grupo nova-iorquino, formado em 1997, continua a destacar-se na cena rock e indie e neste dia 28 de agosto trouxe consigo uma agradável surpresa – a partilha do seu novo álbum, “This Mirror Weights a Ton”, lançado precisamente no dia em que subiram o palco do Kalorama.
Quanto ao alinhamento dos Interpol, foi curto (mesmo abaixo da marca da 1 hora) e pautado por um intercalar de clássicos intemporais e novos temas do disco lançado este mês. O álbum incontornável ” Turn On The Bright Lights”, de 2002, reuniu a maioria dos aplausos, como era aliás esperado, mas os norte-americanos careceram de alguma energia em palco. E, tendo em conta que já vieram a Portugal 13 vezes (!!), é certo dizer que a recepção por parte do público não foi o problema, mas antes uma certa tendência para manter uma distância natural entre a banda e a audiência.
O auge da noite com Robbie Williams
Mas se os Interpol se pautaram por um distanciamento emotivo e comunicação muito reduzida, o oposto máximo pode ser dito do performer seguinte. O inglês Robbie Williams, um dos grandes reis da britpop, apresentou-se em Lisboa doente (segundo o próprio) mas com o nível de energia imbatível.
O artista de “Better Man“, nas bocas do mundo novamente, desde a receção muito positiva do seu filme biografia em 2024, arrancou a setlist com o hino pop “Let Me Entertain You”. No Palco MEO, inúmeros músicos, vocalistas de coros e bailarinas ( exclusivamente no feminino). Tudo se iniciou com muita energia e com uma produção de palco ambiciosa para o presente cenário de festival.
A premissa era clara e Robbie Williams assim a trocou desde logo por miúdos: “O que é entretenimento? Será que eu sou entretenimento? Ou estarei ultrapassado?”. A resposta é não, claro está. Embora a maioria dos seus sucessos contem algumas décadas, a sua presença de palco é extraordinária, em particular para um homem já na casa dos 50.
Robbie Williams manteve sempre o coração no peito, e entre homenagens aos seus amados filhos ou à recentemente falecida Dolly Parton, sentir emoção neste espectáculo não foi um desafio. E mesmo com vários êxitos próprios no currículo, Robbie Williams apresentou múltiplas covers bem-sucedidas, que aqueceram ainda mais a multidão, dos icónicos “New York, New York” e “My Way” a “9 to 5” e “Jolene” de Parton.
No final, como não podia deixar de ser, terminou com os êxitos máximos “Feel” e, por fim, “Angels”. Com pirotecnia e uma grande foto de uma jovem Dolly Parton no ecrã central do palco, Robbie Williams deixou-nos, com níveis iguais de emoção e nostalgia. Foi a sua 6ª visita a terras lusas e, não obstante o cansaço anunciado, o espectáculo não sofreu com isso. The Show Must Go On, ao fim de contas.
O MEO Kalorama regressou ao Parque da Bela Vista neste final de agosto e é o local perfeito para queimar os últimos cartuchos dos festivais de verão em 2026. Lá estamos, a relatar os maiores e mais memoráveis concertos.

