©Tore Sætre / Wikimedia

No segundo dia do Kalorama em 2026, a cabeça de cartaz foi Ms. Lauryn Hill. À Bela Vista chegou com uma bagagem repleta de êxitos da viragem do milénio e com muitos convidados presentes: de Wyclef Jean (membro fundador dos Fugees) aos seus filhos YG e Zion Marley.

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A coesão musical no MEO Kalorama

Ao contrário do dia de arranque do MEO Kalorama, que divergiu bastante em termos de géneros de música programados, este 29 de agosto pautou-se por uma perfeita coesão musical no que à programação diz respeito. Fomos presenteados com uma jornada dedicada ao hip-hop, aos ritmos africanos e à fusão entre o rap e o rock. Tanto no palco principal como no Palco Sagres, a música apresentou gritos de guerra e mensagens repletas de relevância política e social.

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Dos apelos pró-Palestina e anti nazismo do londrino Joshua Idehen, passando pela crítica aberta e acérrima aos EUA por parte do americano Vince Staples, ou pela celebração da diáspora cabo-verdiana e lusofonia com CRIOLO, AMARO & DINO, houve de tudo um pouco no Parque da Bela Vista.

Fugees e uma viagem pelo legado de Bob Marley

Mas o apogeu chegou mesmo com a visita de Ms. Lauryn Hill, a cabeça de cartaz e membro fundador dos Fugees. Em palco esteve presente o outro membro restante, Wyclef Jean, e em conjunto celebraram os 30 anos da sua banda – a qual foi extremamente instrumental para a difusão do movimento do Hip Hop – que até então carecia de grandes figuras no feminino.

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Como membro dos Fugees, e como autora do disco fundador “The Miseducation of Lauryn Hill” (1998), Hill é uma figura importantíssima na cena musical e um ícone vivo – não obstante o facto da sua discografia não ser, de todo, particularmente longa.

 

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O espectáculo começou em altas, com Lauryn Hil e Wyclef Jean a percorrem parte da discografia dos seus Fugees, perante uma plateia participativa e eufórica. Contudo, este foi um espectáculo que se fez a várias velocidades. Se a música de Lauryn e Wyclef maravilhou a audiência, com o seu hip hop arrojado a enquadrar na perfeição com a simbiose musical da noite, o mesmo não se pode dizer dos segmentos dedicados a convidados.

Dos seis 6 filhos, Mr. Lauryn Hill convidou dois para se apresentarem em palco – os músicos YG Marley e Zion Marley, os dois primogénitos da artista. No palco da Bela Vista, entoaram temas intemporais criados pelo seu avô mais que icónico, Bob Marley, introduzindo uma dose saudável de reggae no alinhamento.

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Das covers a Fugees: pouca Lauryn Hill em palco?

Além das covers, aventuraram-se também na apresentação de alguns dos seus temas próprios. Todavia, este segmento acabou por se arrastar durante bastante tempo. E se o concerto durou quase duas horas, muito menos foi o tempo que Hill passou efectivamente em palco – o que lamentamos, naturalmente.

Houve tempo para Wyclef Jean apresentar o seu dueto mais afamado – a música de Shakira “Hips Don’t Lie” e ainda assistimos a alguns mash ups e outras covers diversas. Tudo isto, embora meritório, diluiu um pouco o nível de entusiasmo no decurso do concerto e, passado uns sólidos 20 minutos de ausência, foi com alegria que acolhemos de volta Hill.

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O alinhamento fechou, naturalmente, com os êxitos mais sonantes dos Fugees, como a cover “Killing Me Softly With His Song” e, nessa mesma ordem, as canções “Ready or Not” e “Fu-Gee-La”.

De barriga cheia com um final capaz de encher as medidas, fica apenas uma ligeira sensação de que Lauryn poderá estar já algo cansada do seu repertório – introduzindo novo sangue no seu espectáculo e apresentando-nos uma nova geração da família Marley (que é também sua).

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