Está a ser um ano histórico para as bilheteiras mundiais. Grandes blockbusters como “Homem-Aranha: Um Novo Dia” ou “A Odisseia” merecem crédito pelo enorme sucesso que estão a ter, mas a verdade é que um pequeno filme independente é mesmo o grande fenómeno de 2026.
Feito por 750 mil dólares e realizado por um antigo criador de conteúdos, “Obsession – A Felicidade é Relativa” já passou a marca dos 500 milhões de dólares em todo o mundo. Assim, com uma recepção crítica extremamente positiva e um forte burburinho social, começou a especular-se que podíamos estar perante um inesperado candidato aos Óscares 2027.
Agora, é oficial: a Focus Features vai mesmo posicionar o filme de Curry Barker numa campanha aos Óscares 2027, com foco em 15 categorias.
Um pequeno filme que já se tornou o maior fenómeno de Hollywood

Curry Barker era conhecido pelos sketches no YouTube antes de escrever e realizar “Obsession”, a sua primeira longa-metragem com lançamento comercial. A história acompanha Bear (Michael Johnston), apaixonado sem remédio, que parte o misterioso “One Wish Willow” para conquistar Nikki (Inde Navarrette). O desejo é concedido, mas o preço acaba por ser bem mais sombrio do que imaginava.
Quando chegou aos cinemas, a longa-metragem já tinha deixado os cinéfilos com a pulga atrás da orelha. Já que no ano anterior, perante uma exibição triunfante no no Midnight Madness do Festival de Toronto, a Focus Features comprou os direitos por 15 milhões de dólares, um recorde para o cinema de género no festival. Um ano depois, não só multiplicou o investimento várias vezes como o filme se tornou o título mais rentável da história do estúdio e um dos maiores casos de sucesso face ao orçamento de sempre.
Obsession: O filme que pode surpreender tudo e todos nos Óscares 2027

O sucesso não ficou só pelos números. “Obsession” reúne 93% de aprovação no Rotten Tomatoes e 77 pontos no Metacritic, uma combinação rara de sucesso comercial e crítico. Foi precisamente essa dupla vitória que empurrou a Focus Features a confirmar, esta semana, uma campanha oficial aos Óscares, alargada a 15 categorias diferentes.
O boca a boca à volta de “Obsession” nasceu sobretudo da Geração Z, que abraçou uma premissa clássica contada por uma lente crítica pouco complacente com o seu protagonista. No centro de tudo está Inde Navarrette. Aos 25 anos, depois de papéis em “13 Reasons Why” e “Superman & Lois”, a atriz encontra finalmente o papel que a lança para a ribalta, ao dar corpo a uma vilã que é, também ela, vítima de um destino que não escolheu.
Apesar de muitas dúvidas, Inde será posicionada como Melhor Atriz, batendo de frente com nomes como Julianne Moore (“The Debute”) ou Renate Reinsve (“Fjord”). Elogiada por todos e alvo de uma campanha forte nas redes sociais para que fosse reconhecida, o sucesso de Navarrette já é tal que a atriz se juntou ao Universo Cinematográfico da Marvel.
A narrativa de descoberta de uma nova estrela em Navarette e a reunião de atores praticamente desconhecidos num filme de sucesso pode ser a receita perfeita para conquistar a atenção da categoria de Melhor Casting. Além disso, “Obsession” tem um caso muito forte para garantir uma nomeação em Argumento Original. É uma categoria historicamente aberta a fenómenos, mesmo que esses não consigam lugar noutras corridas, como “Knives Out” ou “The Big Sick”.
A Odisseia de Christopher Nolan ainda detém o favoritismo

Ainda assim, há um nome que domina completamente a conversa desta temporada: “A Odisseia”. O épico já ultrapassou os mil milhões de dólares mundialmente, e é o grande favorito aos Óscares.
Perante um adversário deste calibre, o caminho de “Obsession” para Melhor Filme parece bem mais estreito. A vantagem do filme de terror está sobretudo no facto de a Academia ter, nos últimos anos, mostrado mais abertura a fenómenos de género: “Foge”, “A Substância” e “Sinners” já lá estiveram, e Amy Madigan chegou a vencer por “Weapons” sem qualquer outro apoio do filme.
A maior dúvida sobre a verdadeira força de “Obsession” é que este é um fenómeno essencialmente jovem. Historicamente, o público que vibrou com o filme de Barker está pouco representado entre os votantes da Academia. Contudo, vale a pena lembrar que o filme já quebrou a barreira. Isto é, nomes como Steven Spielberg, Christopher Nolan e Francis Ford Coppola já elogiaram o filme publicamente.
Para refletir, fica ainda uma estatística curiosa: quase todos os êxitos originais que passaram os 200 milhões nas bilheteiras dos EUA e ainda por cima conquistaram a crítica, acabaram nomeados tanto a Melhor Filme como a Melhor Realizador. A lista inclui nomes como “Avatar” ou “Sinners”. Curiosamente, a única exceção nesse clube é “Regresso ao Futuro”… É essa companhia que “Obsession” quer mesmo evitar.
Estas são as nossas previsões para Obsession nos Óscares 2027

Com tudo isto em conta, acreditamos que “Obsession” superará as expetativas dos mais céticos. A esta altura, a longa-metragem de Curry Barker parece demasiado barulhenta e importante para ser completamente esquecida pela Academia. Em Setembro de 2026, e antes da confirmação de outros candidatos, são estas as categorias que acreditamos serem possíveis para o maior fenómeno do ano:
- Melhor Filme
- Melhor Atriz Principal
- Melhor Argumento Original
- Melhor Casting

