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Estreia já na próxima quinta-feira 17 de setembro nas salas de cinema portuguesas, com distribuição da Cinemundo, a nova comédia dos realizadores de “Amigos Improváveis” (2011, Olivier Nakache e Éric Toledano): “Só Uma Ilusão” (2026).

Nesta nova longa-metragem assistimos à história de uma família num regime de transição na década de 1980. De referir que “Só Uma Ilusão” é, atualmente, o 5.º filme francês mais visto nas salas de cinema em França em 2026 e o 12.º no cômputo geral.

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Só Uma Ilusão (ou uma família à beira de um ataque de nervos)

“Só Uma Ilusão” é um filme que segue num crescendo. Logo no início da longa-metragem assistimos à luta de dois irmãos, o mais velho e o mais novo, pelo seu território. Paralelamente, os seus pais estão numa encruzilhada e discutem um pouco por tudo e por nada. Contudo, ao chegarmos ao final do filme, a relação entre os quatro torna-se inquebrável. Nesse aspeto, o argumento deste filme têm uma construção de personagens perfeita.

Podendo ser um filme cuja ação pudesse decorrer em 2026, os realizadores optaram por situá-lo em 1985. Por fim, apesar de nos últimos dias ter surgido nas redes sociais um estranho movimento de nostalgia pelos anos 80, Olivier Nakache e Éric Toledano não o fizeram apenas por nostalgia. Nesse aspeto, toda a reconstrução de época em “Só Uma Ilusão” traz um outro tratamento às personagens e à narrativa que não passa pela simples nostalgia.

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Uma comédia que se aproxima de todos os públicos

Só Uma Ilusão
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Apesar de, pessoalmente, apenas ter visto destes realizadores o filme “Amigos Improváveis” verifiquei com isso que a linguagem cinematográfica de “Só Uma Ilusão” tem algumas semelhanças com o outro filme – nomeadamente, pelo lado trágico-cómico. No entanto, este é um filme bastante diferente. Desse modo, de uma história sensível e real, passamos para uma comédia de época que, ainda assim, tem uma próxima relação com o real.

Sem qualquer sombra de dúvida, “Só Uma Ilusão” é uma história que apela a que toda a família a veja e onde qualquer espectador irá encontrar uma relação de proximidade, seja pela época, seja pelos sentimentos ou pelas características das personagens.

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Qualquer pessoa com irmãos irá encontrar uma proximidade na relação entre Vincent e Arnaud (brilhantemente interpretados por Simon Boublil e Alexis Rosenstiehl; aliás, tão bem quanto os veteranos Louis Garrel e Camille Cottin), qualquer pessoa que tenha vivido os anos 1980 irá encontrar aqui alguma familiaridade, qualquer pessoa romântica irá também encontrar aqui uma proximidade, qualquer pessoa que tenha sido uma criança com dúvidas e que tenha feito pequenas tropelias irá também simpatizar-se com o filme. “Só Uma Ilusão” é, portanto, um filme para todos os públicos (ainda que focado na família).

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Olivier Nakache e Éric Toledano regressam à sua adolescência

Só Uma Ilusão
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“Só Uma Ilusão” é um filme que tem um carácter pessoal para os realizadores Olivier Nakache e Éric Toledano. Os autores confirmaram-me isso mesmo em entrevista na passada quinta-feira (que publicarei em breve). Deste modo, os autores decidiram localizar a história desta longa-metragem na altura da sua infância/adolescência. Em todo o modo, isso não significa que este filme seja necessariamente um documentário, claro. Os autores tiveram cuidado na reconstrução temporal das cenas. No entanto, demonstraram preocupação em que se tivessem enganado em alguns pormenores. Isto porque o argumento do filme acaba por ser uma amálgama entre factos históricos e memórias algo distantes. Mas nem os documentários são rigorosamente factuais. Por isso, não vamos por aí…

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Em todo o caso, “Só Uma Ilusão” pode até apresentar algumas falhas na sua reconstrução histórica, mas não deixa de estar bastante bem conseguido. A começar pelo seu lado musical e a terminar pela decoração dos espaços ou as roupas dos protagonistas. Logo a abrir o filme, por exemplo, ouvimos a música “Just an illusion” (lançada pela banda Imagination em 1982) – que obviamente remete para o próprio título do filme e que nos faz logo entrar profundamente no espírito dos anos 1980.

A ilusão de Vincent

A acompanhar o lado histórico temos ainda na narrativa deste filme o lado religioso que, depois, se associa igualmente ao racismo. Nesse aspeto, assistimos à transição de Vincent da infância para a sua idade adulta, de acordo com os princípios da religião judaico-árabe. Contudo, a religião acaba por ser apenas um pequeno detalhe neste filme. “Só Uma Ilusão” é, sem dúvida, a história do pequeno Vincent e do seu crescimento. A ilusão do filme é, também nesse sentido, a ilusão de Vincent através da sua paixão por Anne-Karine (Jeanne Lamartine) e pelo facto de ele acabar por confundir a realidade com a ficção (como é apanágio, por exemplo, a cena do carro a preto e branco – em referência a “Um Homem e Uma Mulher” (1966, Claude Lelouch) – ou a cena em que ele imagina Anne-Karine enquanto os seus pais lhe dão um raspanete).

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Só Uma Ilusão – uma história de fragilidades, por isso, humana

Só Uma Ilusão
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“Só Uma Ilusão” pode não ser verdadeiramente uma obra-prima do cinema. Em todo o caso, é um filme onde qualquer espectador irá sentir que pertence àquele mundo. Se é melhor ou pior do que “Amigos Improváveis”, essa é uma não-questão, considerando que são duas narrativas extremamente diferentes. Contudo, ambas têm um potencial grande em estabelecer relações de proximidade com o seu público.

Deste modo, “Só Uma Ilusão” é um filme sobre todos nós: frágeis (porque perdemos o emprego, porque estamos apaixonados, porque sentimos percalços na nossa vida) e fiéis (porque temos amigos, porque temos uma família, porque temos objetivos). Qualquer um de nós irá sentir empatia com Vincent. Da sua fragilidade até aos seus laços inquebráveis com a família e a sua paixão, sofremos com ele.

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A nostalgia dos anos 1980 está presente no filme, gostamos de a ver (por exemplo, pela presença dos videoclubes ou das velhinhas cassetes). No entanto, e felizmente, “Só Uma Ilusão” não é (apenas) um filme nostálgico. É um filme sobre a infância, a adolescência, a idade adulta.

Por fim, apesar de ser uma comédia, esta longa-metragem não traz gargalhadas apenas porque sim e é isso que faz dela uma boa comédia. Porque não precisamos de gargalhadas mas também sobrevivemos com sorrisos e com momentos trágico-cómicos.

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Só Uma Ilusão

Conclusão

  • A nova comédia de época dos realizadores Olivier Nakache e Éric Toledano centra-se na história de transição entre a infância e a adolescência (ou princípio da vida adulta, do ponto de vista religioso no judaísmo) do pequeno Vincent.
  • Mesmo não querendo ser uma obra-prima e sem deixar propriamente grandes reflexões ao espectador, esta é uma comédia que consegue atingir todos os públicos e, isso por si só, é positivo. Todos encontrarão alguma relação de proximidade. Ora com as personagens, ora com o contexto histórico, ora com as temáticas.
  • “Só Uma Ilusão” é uma história intemporal mas que ganha um cunho pessoal dos realizadores/argumentistas ao localizarem-na em 1985.
Overall
7/10
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