Em 2026, o MOTELx assinalou a sua 20.ª edição com uma programação mais extensa e com filmes para ver entre os dias 3 e 13 de setembro, entre o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa. A abrir o certame tivemos direito a ver “Drag”, comédia de terror realizada por Raviv Ullman e Greg Yagolnitzer. O filme assinala a estreia na realização para a dupla.
“Drag”, com Lizzy Caplan (“Masters of Sex”), John Stamos (“E.R”) e Lucy DeVito (“Blonde”) foi o filme escolhido para abrir o 20.º MOTELx, depois desta sessão inaugural incluir também a projeção surpresa (e bem-vinda!) dos primeiros 20 minutos do novo e antecipado “Resident Evil”. A obra de abertura, que casa os géneros criminal, terror e comédia, apresenta-nos a improvável e caótica jornada de duas irmãs muito diferentes.
Um assalto cómico-trágico com Drag (2026)
Durante um assalto a uma casa de classe alta, a parelha de irmãs depara-se com um desafio inaugural catastrófico – a arquitecta deste crime, a irmã mais velha, fica imobilizada quando dá um jeito às costas na casa de banho da sua vítima. Agora, dando nome ao filme, terá de ser literalmente arrastada dali para fora. Mas eis que tudo se complica quando o dono da mansão chega a casa bem mais cedo e depressa compreendemos o perigo bem real em que as protagonistas se encontram.

A comédia de terror “Drag” suporta-se em bastante bizarria, nomeadamente nas personalidades excêntricas tanto da irmã interpretada por Lizzy Caplan, como particularmente na peculiar persona do homem que esta se encontra a assaltar, interpretado na perfeição por um John Stamos bem afastado dos papéis a que o associamos. Caplan, a eterna Janis de “Mean Girls”, é como sempre bastante engraçada e magnética e talvez a “ovelha negra” do elenco central seja mesmo a irmã de Lucy DeVito, a pouco conhecida filha de Danny DeVito, que também atua aqui como produtor da longa-metragem. Quiçá o carisma não seja transportado automaticamente nos genes.
Stamos, Caplan e companhia na abertura do MOTELx
Quanto aos trunfos de “Drag”, distingue-se sem dúvida o seu humor e a sua capacidade de nunca, nunca se levar a sério, para benefício do enredo e da sua progressão. Com algumas reviravoltas inesperadas bem-vindas, “Drag” evolui tanto em termos de caos como em termos de perigo. Conseguindo manter-se sempre surpreendente, o filme encaminha-se para um inevitável final sangrento recompensador.

Pelo caminho, temos direito a ver exploradas algumas tropes engraçadas: das dinâmicas entre irmãos irresponsáveis/ responsáveis, passando pelos perfis de serial killers ou ainda pelas dinâmicas habituais de assaltos, “Drag” tem de tudo um pouco e é um filme muito leve e divertido, que sem dúvida fez sentido como momento inaugural de um festival como o MOTELx, que tipicamente se afirma como uma feliz mescla de géneros fílmicos que sejam afins ao terror e seus sub-géneros.
Algumas gargalhadas e algumas exclamações depois, “Drag” deixa-nos com um ponto final algo abrupto mas intencional e embora não vá ficar na memória, cumpriu largamente o seu propósito: entreter.
O MOTELx regressou à capital no início de setembro e de certo claramente cá estaremos, para o ano, prontos a cobrir a sua extensa programação horrorífica. Quanto às datas, de 7 a 13 de Setembro de 2027, o terror regressa a Lisboa.
Drag, a Crítica
Conclusão
“Drag” pode não ser uma obra basilar nos seus respectivos géneros, mas serviu o seu propósito: entreter, fazer rir e criar uma cadeia vertiginosa de eventos catastróficos na abertura do 20.º MOTELx.


