Stephen King gostou da nova versão de “Carrie”. A série de Mike Flanagan estreou a 7 de outubro na Prime Video Portugal, com os oito episódios disponíveis de uma só vez. Antes da estreia, o escritor elogiou o projeto na rede Threads e classificou-o como “brilhante”.
Depois, publicou um vídeo a ver a série com a cadela Molly e pediu aos fãs que fizessem o mesmo. Nesse vídeo, chamou o realizador de “o melhor adaptador” da sua obra. Além disso, o escritor é ainda produtor executivo da série. No geral, as primeiras reações do público foram positivas. Ainda assim, uma saga em particular incomoda King mais do que as outras.
Qual é a saga que Stephen King mais detesta?

Resposta rápida: “Children of the Corn”! Tudo começou com um conto publicado em 1977 na revista Penthouse. O filme original estreou em 1984 e rendeu bem nas bilheteiras. Foi o suficiente para os produtores insistirem. Linda Hamilton, protagonista do primeiro, já admitiu que o resultado não foi famoso.
Em 2013, o próprio Stephen King foi claro sobre o assunto. Disse que tinha de “morder o lábio” perante várias adaptações. Sobre as sequelas, resumiu que “todas foram péssimas”. Na altura, falava de sete continuações. Na verdade, já existiam oito. Entretanto, mais duas foram lançadas, fazendo um total de dez.
Quantos filmes já tem a saga Children of the Corn?

Muitos, e quase todos de baixo orçamento. Entre 1993 e 2001, estrearam seis sequelas. Em 2009 chegou um remake e, em 2011, um reboot. Seguiu-se uma sequela desse reboot, em 2018. Em 2023, surgiu mais um reboot, que é, para já, a entrada mais recente.
Entre os títulos estão: “The Final Sacrifice”, “Urban Harvest”, “The Gathering”, “Fields of Terror”, “Isaac’s Return”, “Revelation”, “Genesis”, “Runaway” e o remake de 2020. O segundo ficou conhecido por incluir uma jovem Charlize Theron no elenco. Ainda assim, a franquia nunca conquistou a crítica. Aos poucos, tornou-se um exemplo de como se pode esticar uma história curta até ao limite.
Porque é que Stephen King não gosta de Shining?

Provavelmente, a crítica mais famosa do escritor. O romance “The Shining” saiu em 1977 e Stanley Kubrick levou-o ao cinema em 1980. Stephen King detesta a versão do realizador desde que estreou, apesar de o filme ser hoje considerado um clássico.
O problema principal está na personagem de Jack Torrance (Jack Nicholson). O autor considera que a longa retirou ao protagonista qualquer evolução emocional. À Rolling Stone, explicou que, no livro, se vê um homem a tentar ser bom e a enlouquecer aos poucos. Já no filme, a personagem parecia louca desde a primeira cena.

Além disso, Stephen King também reparou na diferença de tom. “O livro é quente e o filme é frio”, resumiu. Há ainda a questão de Wendy (Shelley Duvall). O autor escreveu-a como uma mulher forte, que faria tudo para proteger o filho, e acusa Stanley Kubrick de a transformar numa figura frágil.
Porém, o escritor não nega o mérito visual. Já descreveu a longa como “um Cadillac grande e bonito, mas sem motor”. Em 2018, no romance “The Outsider”, fez até uma pequena provocação. A personagem Holly Gibney vê outra obra do realizador porque, diz o texto, é melhor do que “Shining”.
Por fim, Stephen King tentou dar a sua própria resposta. Participou na minissérie de Mick Garris, que quis ser mais fiel ao livro. Mais tarde, a adaptação de “Doctor Sleep”, realizada por Mike Flanagan, procurou juntar o universo de Kubrick com a visão do autor.



