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Em 1995, o aclamado cineasta Ang Lee (“Brokeback Mountain”) realizou uma adaptação do romance clássico de Jane Austen, “Sense and Sensibility”, ancorado no argumento de Emma Thompson, que acabou por protagonizar uma das irmãs Dashwood e vencer o Óscar pela sua escrita. Durante muitos anos, esta interpretação do livro foi a referência máxima no cinema no que diz respeito a “Sensibilidade e Bom Senso”.

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Eis que 31 anos depois, Georgia Oakley, cineasta muito afeta à cena indie, e que em 2022 realizou o excelente drama LGBTQIA+ “Blue Jean” (estreado por cá no Queer Lisboa), entregou uma nova adaptação do clássico de Austen capaz de rivalizar com a obra de Lee e Thompson.

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Sense and Sensibility: de 1995 a 2026

Se não há na sua interpretação tanto pedigree cinematográfico, ou pelo menos nomes atrás das câmaras tão consolidados, sem dúvida não deixa de existir uma visão clara e satisfatória do material. Este novo “Sense and Sensibility” é visualmente deslumbrante, a roçar por vezes a poesia visual, com inúmeras imagens contemplativas da natureza e planos de pormenor de objectos interessantes e belos, mas também forte do ponto de vista do argumento, escrito pela estreante no cinema Diana Reid, mais conhecida pelo seu trabalho a nível dos romances.

A nova adaptação é pitoresca, bela, repleta de valor de entretenimento e munida de um humor que permeia ininterruptamente os 132 minutos de filme. “Culpados” pelo sucesso da nova versão são também, em grande parte, os interpretes, com um elenco irrepreensível e em nada inferior ao escolhido para a versão de Ang Lee.

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Elenco encabeçado por uma grande heroína

Como pessoa escolhida para liderar o elenco temos Daisy-Edgar Jones, um dos nomes mais célebres associados a esta versão, conhecida pelo seu trabalho na série  “Normal People” (2020) ou no filme “Fresh” (2022). Jones parece ter sido especialmente criada em laboratório para interpretar uma irmã Austen e uma irmã Dashwood especificamente. A contenção da sua Elinor é perfeita e tudo na sua interpretação decorre na perfeição. Em muitos aspectos é uma melhor Elinor que Emma Thompson (perdoem-me a constante comparação entre obras), nem que seja pela melhor adequação de idade à personagem.

Sensibilidade e Bom Senso 2026
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Já o seu par perfeito, Edward Ferrars, aqui interpretado por George MacKay, que nos deslumbrou no passado em filmes como “1917” ou particularmente “The Beast”, é o seu justo equivalente em todas as matérias. Juntos, conseguem traduzir na perfeição as dificuldades de comunicação e enganos que arrastam o seu sofrimento e desencontro.

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Quanto à restante família Dashwood, o casting é bastante bem sucedido do ponto de vista “visual”, com todas as irmãs e a mãe a credivelmente parecerem partilhar ADN. Catriona Balfe (“Outlander”) é satisfatória como a matriarca da família e a muito menos conhecida Esmé Creed-Miles é encantadora como a tempestuosa Marianne, embora seja a única que não suplanta a interpretação de 1995, sendo Kate Winslet quase a personificação do espírito indomável desta irmã.

Stacy Martin (“Ninfomaníaca”) é também uma escolha excelente para a caprichosa Fanny e Fiona Shaw (Saga “Harry Potter”) deslumbra como a bem intencionada mas caótica Mrs. Jennings.

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A visão de Jane Austen, de novo no cinema

Este “Sensibilidade e Bom Senso” de 2026, que chegou agora às salas comerciais, é uma das mais satisfatórias adaptações entre o longo catálogo de Austen no cinema. Uma autora que representou na perfeição, com humor e crítica inerente subtil, aquela que foi a sua realidade, a sua vida, a sua experiência como mulher da pequena burguesia inglesa do século XVII/XIX num mundo onde a figura masculina em tudo se via privilegiada e onde o matrimónio era a única escapatória para uma rapariga com baixo rendimento.

 

Não para Austen, que nunca se casou e conseguiu quebrar o molde, não sem deixar pelo caminho um dos melhores e mais influentes legados românticos da história da ficção. Quanto a esta sua história, que se viu adaptada de novo este ano, é aqui tratada com cuidado, com uma lente que acentua a beleza e o humor, e que moderniza ligeiramente o texto sem o maltratar (como já aconteceu em outras interpretações recentes, como “Persuasion”).

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A não perder, no grande ecrã, onde as histórias de Jane Austen continuarão de certo a traduzir-se, uma e outra vez, ao longo das décadas.

Sense And Sensibility, a Crítica

Conclusão

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Este “Sensibilidade e Bom Senso” de 2026, que chegou agora às salas comerciais, é uma das mais satisfatórias adaptações entre o longo catálogo de Austen no cinema. Entre o elenco, a fotografia e o texto, tudo cintila na versão apresentada pela cineasta Georgia Oakley.

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8/10
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