A emancipação das personagens lésbicas no Séc. XXI (2)

 

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Rita, de Mulholland Drive (2001)

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Era provavelmente mais lógico destacar Betty, a confiante e apaixonada aspirante a atriz que coprotagoniza um dos mais crípticos e estudados mistérios dramáticos do mago David Lynch, mas a misteriosa e aparente vítima Rita é a clássica femme fatale que fica na retina. É ela, enigmática em cada cm de pele, o objeto de desejo central, e é ela que representa o anseio invisível do público de dar sentido à história.

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Aileen Wuornos, de Monstro (2003)

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Como se de um passo de mágica se tratasse, Charlize Theron vestiu a pele de Aileen Wuornos para contar a sua dura história verídica – apesar de ter mantido uma apaixonada relação com Selby Wall, Aileen viu-se obrigada a continuar ligada ao mundo da prostituição, tendo sido posteriormente julgada e condenada pelo assassínio de sete homens. Aileen – a mulher e a sua representação cinematográfica – tornou-se um objeto de estudo dada a complexidade psicológica, moral e emocional que a sua história envolve. Navegando por um intermédio ténue entre uma vítima e um “monstro”, a vida de Aileen foi atormentada por drogas e abusos desde a infância, tendo-se mesmo tornado uma prostituta aos 13 anos para se poder sustentar sozinha. O filme e a excecional performance de Theron estudam a complexidade da sua vida e as influências que conduziram à onda de homicídios que levou a cabo.

 

Luce, de Imagina Só (2005)

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Sim, é uma comédia romântica absolutamente genérica, mas é difícil conjurar uma lista de personagens lésbicas onde pudesse não constar o irresistível charme casual de Luce, interpretada por Lena Heady vários anos antes da sua carreira de incesto em Guerra dos Tronos. Entre o sotaque encantador e o sorriso malandro, Luce habitou certamente muitas fantasias juvenis ao conquistar a recém-casada Rachel.

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Nic, de Os Miúdos Estão Bem (2010)

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Há várias razões para destacar a importância de Os Miúdos Estão Bem no contexto da evolução do Cinema lésbico – evidentemente a principal sendo o alcance mainstream que finalmente se materializou numa positiva exposição em vários circuitos de prémios, particularmente nos Óscares da Academia onde arrecadou quatro nomeações, incluindo a de Melhor Filme. Mas se o filme de Lisa Cholodenko atingiu tal grau de sucesso, muito se deve a duas questões basilares: a primeira sendo a história simples e muito adaptada ao seu tempo, onde o facto de se tratar de um casal gay não é central à história mas apenas incidental e natural; a segunda encosta-se à construção minuciosa de um núcleo de personagens absolutamente verosímeis e tridimensionais, onde se destaca a controladora mas leal Nic, interpretada por Anette Bening, uma mulher forte e dolorosamente real que é obrigada a enfrentar a traição da sua companheira.

 

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Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

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