A emancipação das personagens lésbicas no Séc. XXI (3)

 

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Alike, de Pariah (2011)

lésbicas

Em Pariah, o underdog de excelência na edição de Sundance de 2011, conhecemos Alike, uma adolescente de Brooklyn a quem se impõe a devastadora decisão entre expressar abertamente a sua sexualidade ou viver de acordo com o que a família e amigos esperam de si. Além do retrato habitual da homofobia e opressão sentida na comunidade LGBT, Pariah explora novos temas fraturantes tornando Alike num farol despoletador de novas discussões, à medida que navega pelo seu difícil círculo social para se tornar naquilo que é e combatendo sempre a questão: “quão longe estás disposta a ir para ser livre, se isso magoar as pessoas que amas?”.

 

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Mia, de Kyss Mig (2011)

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O enredo do sueco Kyss Mig é bastante padronizado no que respeita ao panorama geral do Cinema Lésbico – uma jovem mulher prestes a casar é atraída por uma outra mulher (que neste caso pode ser a sua futura meia-irmã) afastando-se posteriormente do homem com quem originalmente iria dividir a vida. No entanto, o filme de Alexandra-Therese Keining destaca-se claramente dos restantes objetos do género por ser inequivocamente uma produção de elevado valor qualitativo. As duas performances femininas são exímias no domínio da subtileza, mas a verdadeira jornada que acompanhamos é a de Mia, cuja história é um espelho perfeito das experiências de milhões de mulheres por todo o mundo quando se apaixonaram pela primeira vez por outras mulheres.

 

Laure, de Maria-Rapaz (2011)

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Porque a tradução francesa quer literalmente dizer “rapaz falhado”, Céline Sciamma optou pelo termo inglês, mais honesto e menos pejorativo, para dar nome à sua segunda longa-metragem. Assim, Laure é a protagonista de Tomboy, o filme francês sobre uma menina de dez anos que se muda para uma nova cidade com a família e convence toda a gente de que é um rapaz. A nossa proposta não se coloca apenas pelo inegável talento da jovem Zoé Héran, mas sobretudo pela sensibilidade, ternura e forma descomplexada como é abordada esta história de crescimento – de tal forma que Laure (ou Mikael, se quisermos) se tornou um símbolo educativo quando o filme foi selecionado por várias escolas primárias e secundárias de França para ser exibido como ferramenta didática para encorajar as crianças a desenvolverem à-vontade para discutir questões de género e sexualidade.

 

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Adèle, de A Vida de Adèle (2013)

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É impossível não refletir sobre o quão raro é para um filme tentar sinceramente retratar a realidade do que é apaixonarmo-nos por alguém, sem sentimentalismos falsos, ou músicas pirosas, ou manipulações emocionais baratas. Antes de qualquer coisa, A Vida de Adèle constitui-se como uma ode aos caprichos do coração e às belezas inesperadas da vida, sobre o primeiro amor e a sua urgência, romanticismo, fisicalidade, arrebatamento, desespero e o despertar em nós do desejo dar tudo o que temos e não temos. É vívido e vibrante, e é universal e específico, versando sobre a primeira paixão, as excitantes descobertas da vida e aqueles momentos trágicos em que estragamos tudo e partimos corações – o nosso, e o do outro. É celebração explosiva de glória e dor, um nervo exposto e uma janela para dentro da vida – magoa e deixa marca como ela, mas, de alguma forma, deslumbra com o seu poderio. O facto de a história se escrever sobre duas mulheres é terminantemente irrelevante, mas se alguma perdurará para sempre nas paredes da memória é Adèle, em toda a sua juventude, e amor, e dor. Esta é, como o título indica, a corporização da crónica da sua maturidade e, no fundo, a exploração profunda de uma das mais complexas e belas histórias de amor do cinema contemporâneo.

 

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Catarina Oliveira

Licenciada em Ciências da Comunicação e com formação complementar em Design Gráfico, além de editora e diretora criativa da MHD é também uma das sócias fundadoras da mais recente face da empresa. Colaboradora de Cinema na Vogue Portugal. Gestora de conteúdo na Lava Surf Culture e NOS Empresas - Criar uma Empresa. Autora do blog de Cinema Close-Up.

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