Adeus David Bowie (1947-2016)

 

Dois dias depois de celebrar o seu 69º aniversário, o grande camaleão do mundo da música deixou-nos. Lembremos o génio de David Bowie neste dia de luto.

Alegadamente nasceu no Sul de Londres a 8 de janeiro de 1947, mas todos sabemos que tal ser como foi David Bowie terá de ser originário de outro mundo, algum diferente plano de energia onde seja lógica a génese de tal turbilhão de ensandecida criatividade e sobre-humano talento. Se veio de outro planeta, esperamos que Ziggy Stardust tenha lá voltado, depois de nos agraciar, comuns dos mortais, com a sua genialidade desde que entrou na esfera pública na década de 60.

David Bowie teve uma marca incontornável na história da música contemporânea, sendo que a sua influência ainda hoje em dia se sente, e a sua ousadia continua a parecer transgressiva e deliciosamente original, mesmo depois de todas estas décadas e do próprio Bowie ter afirmado que neste momento, não há ideias originais. Desde a luminosa revolução musical do glam rock, em que a androgenia característica de Bowie atingiu píncaros de inimaginável glória até aos seus anos tardios, onde a chama do seu génio ainda ardia forte, será impossível o mundo ignorar o legado deste músico, ator, estrela, alienígena e ícone.

David Bowie

Tendo-nos deixado dois dias após o seu 69º aniversário, Bowie conseguiu, no entanto, lançar o seu último álbum, Blackstar, na data do seu derradeiro aniversário, agraciando os seus devotos fãs com um último hurra, antes de a sua morte ter sido anunciada hoje através das redes sociais. Bowie foi vítima de um cancro do fígado que lhe havia sido diagnosticado há já 18 meses, mas não foi por isso que ele cessou o seu trabalho, sendo que, apesar de ter completado Blackstar, Bowie deixa incompleto o seu projeto de um espetáculo musical de título Lazarus, que tinha estado a ensaiar até se encontrar demasiado debilitado para o fazer.

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Bowie não se limitou contudo, apenas ao mundo da música, injetando também a sua particular magia numa infinidade de outras artes, servindo de musa, especialmente na moda, e artista ensandecido de inspiração e criatividade. Ele trouxe o drama e transgressão ao panorama musical mas mesmo no cinema, este iconoclasta marcou presença, quer seja como ator ou como intérprete musical. Quem se irá alguma vez esquecer do sedutor Jareth de Labirinto, ou do alienígena hedonista de The Man Who Fell to Earth? Ou mesmo de momentos mais próximos do cinema atual, como o final de The Perks of Being a Wallflower, em que “Heroes” serve de gloriosa celebração musical de uma juventude tão efémera como apaixonante?

David Bowie

Mesmo a sua lenda e mística levaram à criação de maravilhosas obras de cinema, de destacar a exploração de Todd Haynes sobre a mitologia do glam rock e da figura de Ziggy Stardust, em particular, Velvet Goldmine, e A Bigger Splash, um filme protagonizado por Tilda Swinton em que a atriz, que colaborou com Bowie num videoclip do seu penúltimo álbum, interpreta uma figura inspirada na persona alienígena de David Bowie.

Uma estrela de rock incomparável, David Bowie deixa para trás uma vida cheia de sucessos, impetuosos riscos artísticos e uma lenda tão formidável como verdadeira, não fosse este homem um dos derradeiros ícones do último século de cultura humana, mesmo que a sua presença tenha sempre parecido provir de outras dimensões que não a nossa.

David-Bowie

Obrigado por teres partilhado o teu génio connosco e de teres iluminado este mundo durante 69 anos. Pelo menos no coração dos seus admiradores a lenda deste herói não viverá só por um dia, mas sim para todo o sempre.

 

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

One thought on “Adeus David Bowie (1947-2016)

  • Obrigada por este texto, Cláudio.

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