Stephen King não escreve só sobre terror: também vê muita televisão, e quando elogia uma série, damos-lhe ouvidos. Estas são três minisséries da Netflix que mereceram a sua aprovação.
The Boroughs

Sam Cooper acabou de ficar viúvo e muda-se, a contragosto, para The Boroughs, uma comunidade de reformados no deserto do Novo México que se vende como um paraíso tranquilo. A fachada dura pouco. Numa noite, Sam tem um encontro aterrador e percebe que há algo monstruoso a rondar as ruas calmas do condomínio.
Ninguém o leva a sério, nem sequer as autoridades. Por isso, Sam tem de pedir ajuda aos vizinhos. Forma-se assim uma equipa improvável de excêntricos, com uma antiga jornalista, um homem de fé em busca de sentido, uma agente musical desiludida e um médico brilhante.
Juntos, tentam descobrir o que se esconde sob a superfície do lugar antes que seja tarde demais. A ameaça vem de outro mundo e quer roubar-lhes aquilo que mais lhes falta: tempo.
A série mistura ficção científica e suspense com humor e uma reflexão sobre envelhecimento e solidão. Alguns críticos descrevem-na como um Stranger Things para séniores.
King elogiou-a no Threads: “Um deleite absoluto. Bónus: acho que, por ser Netflix, podes ver os episódios todos. Vale mesmo a pena.” Addiss respondeu a agradecer e a dizer que o trabalho de King tinha sido uma grande influência na série.
No Rotten Tomatoes, tem 96% no Tomatometer. O consenso fala numa série de ficção científica bem construída, com elenco de estrelas e muita engenhosidade.
Baby Reindeer

Donny Dunn é um humorista em início de carreira que trabalha num pub de Londres para pagar as contas. Um dia, mostra simpatia a uma cliente solitária, Martha. Basta isso para ela se fixar nele.
O que começa como uma presença estranha, mas inofensiva, transforma-se numa perseguição. Martha envia mensagens sem parar, aparece em todo o lado e enche-o de presentes. Donny, incapaz de a afastar sem se sentir culpado, vê a vida desfazer-se.
A série vai além do retrato de uma stalker. Ao mesmo tempo, recua ao passado de Donny e a um trauma que escondeu durante anos, e explora temas como abuso, saúde mental e vergonha. Aos poucos, percebe-se porque demora tanto a pedir ajuda.
Baby Reindeer baseia-se na experiência real de Richard Gadd, que a criou, escreveu e protagoniza, com Jessica Gunning no papel de Martha. A Netflix estreou-a em abril de 2024. Tem sete episódios de cerca de 30 minutos, num tom que alterna entre o humor negro e o desconforto.
Num ensaio no The Times, King escreveu que o sexto episódio é “uma das melhores coisas que já vi na televisão (ou no cinema, aliás)”. Elogiou ainda o formato, já que os episódios curtos parecem “pequenas facadas rápidas desferidas por uma faca muito afiada”.
No Rotten Tomatoes, soma 99% no Tomatometer. O consenso destaca uma obra de autoficção cortante, que pode ser dura de ver mas compensa pela complexidade emocional e pelas interpretações.
The Stranger

Adam Price tem uma vida que parece perfeita: casa nos subúrbios, uma família unida e uma mulher, Corinne, em quem confia sem reservas. Tudo muda quando uma desconhecida o aborda e lhe revela um segredo devastador sobre ela. Adam confronta Corinne, a verdade confirma-se e, pouco depois, ela desaparece.
Enquanto procura respostas, Adam descobre que a Estranha não escolheu só a ele. Aproxima-se de outras pessoas, expõe segredos que ninguém queria ver à luz do dia e deixa vidas em ruínas. Algumas revelações acabam em chantagem e crimes, e a detetive Johanna Griffin é arrastada para o caso.
A série segue várias histórias que parecem separadas e que vão convergindo. Como é habitual nos romances de Harlan Coben, abre com um flashback que só faz sentido mais tarde, e os segredos dos subúrbios emergem um a um.
King deixou o veredicto no X: “The Stranger, na Netflix: excelente mistério. Viciante.”
No Rotten Tomatoes, tem 87% no Tomatometer. Os críticos elogiam o elenco forte e a tensão suficiente para prender o espectador, embora o considerem menos cativante do que o romance.


