Novo Baldur’s Gate gera controvérsia devido a personagem transsexual.

Nova expansão recebida de forma hostil por parte da comunidade gamer.

A série Baldur’s Gate é um marco incontornável na história dos videojogos. O primeiro jogo, lançado em 1998, tornou-se um dos pilares dos RPGs com o seu foco em criar um mundo aberto pronto para ser explorado e repleto das mais variadas personagens, como o adorável Minsc e o seu “hamster espacial” de estimação Boo, e a série não parou de crescer com sequelas, expansões, spin-offs e, 15 anos depois, um remake com o nome Baldur’s Gate: Enhanced Edition. E eis que neste dia 31 de março surgiu a nova expansão Siege of Dragonspear, criada pela produtora Beamdog, que conta uma nova história inédita com novas quests, objetos e equipamentomúsicas novas e até uma nova classe, o Xamã. Mas nenhuma destas novidades foi o que verdadeiramente captou a atenção de uma parte da comunidade gamer. Aquilo que realmente se tornou um ponto de contenção para muitas pessoas foi a existência de uma personagem transsexual, criando uma onda de revolta e críticas negativas.

Lê também: Novos rumores sobre Beyond Good and Evil 2

A personagem em questão chama-se Mizhena. Ela é uma NPC (“non-playable character” ou “personagem não controlável”) que não pode juntar-se ao grupo de aventureiros controlado pelo jogador e não faz parte da história central do jogo. Aliás, é perfeitamente possível completar o jogo inteiro sem nunca falar com ela e até mesmo para descobrir que a personagem é transsexual é necessário fazer uma série de perguntas relacionadas com o seu nome “incomum”, sendo que a essa altura ela dará a seguinte resposta:

“Quando nasci os meus pais pensavam que eu era um rapaz e assim me criaram. Com o passar do tempo todos nos apercebemos que eu era na verdade uma mulher. Eu criei o meu nome a partir de sílabas de línguas diferentes. Todas elas têm um significado especial para mim, são a reflexão mais pura de quem eu sou.”

Baldur's Gate

Esta inclusão não foi bem recebida por uma certa parte da comunidade gamer, a qual tem inundado os fóruns da Beamdog e do Steam com acusações de serem excessivamente “politicamente corretos”  e de “tentarem forçar as suas ideologias LGBT nos jogadores de Baldur’s Gate”. Alguns até clamam por um boicote completo aos jogos da companhia até que a personagem seja removida completamente do jogo e o número de análises com uma pontuação negativa criadas por jogadores em sites como Steam, GoG e Metacritic tem disparado na última semana.

Lê também: Doom | Open Beta com mais novidades

Por sua vez, a Beamdog não parece querer ceder perante estas reações. Num e-mail enviado ao site Kotaku, a produtora diz o seguinte:

“Recebemos muito feedback em relação a Mizhena, uma personagem secundária que revela ser transsexual. Pensando bem, teria sido melhor se tivessemos criado uma personagem transsexual mais desenvolvida. Esta é uma lição que iremos ter em mente no nosso desenvolvimento como criadores e iremos melhorar esta personagem numa atualização futura.”

Adicionalmente, nem todos estão contra a inclusão desta personagem e vários fãs de Baldur’s Gate manifestaram-se a favor da Beamdog em resposta a esta onda de revolta, incluindo alguns membros da reputada produtora Bioware, criadora dos Baldur’s Gate originais, atravês do Twitter apelando à diversidade nos videojogos por forma a continuarem a crescer como uma forma de arte e de expressão humana.

Baldur’s Gate: Enhanced Edition encontra-se disponível para PC no Steam e GoG.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *