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Blockbuster, em análise

Blockbuster é o novo sitcom da Netflix que, em poucos minutos, entrega divertidas narrativas num espaço de aluguer de filmes.

Ao ver o primeiro trailer de “Blockbuster” guardei imediatamente na watchlist e creio que terá sido esse o caso para a maioria dos fãs de filmes. Este sitcom pega na nostalgia dos negócios locais, nomeadamente dos blockbusters, lojas onde as pessoas podiam alugar filmes. E ironia ou não, o acesso a esta série é feito pela Netflix, uma das responsáveis pelo fim deste modelo de oferta aos apaixonados pela sétima arte.

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Mais do que uma viva lembrança desse simples hábito, a série utiliza como problema central exatamente o fim deste negócio. Na história acompanhamos a última loja blockbuster dos Estados Unidos e as suas dificuldades para sobreviver. Passamos a ser verdadeiros donos ou empregados deste tipo de loja e a todo o momento saltam referências de filmes clássicos e modernos. Títulos que ora aproveitamos para lembrar sempre que são usados em diálogo pelas personagens para fazer uma piada ou comparação engraçada, ora para irmos à descoberta e ver mais tarde. O mesmo acontece com a própria caracterização dos espaços. Como não podia deixar de ser vemos prateleiras cheias de filmes e posters em vários cantos – é uma delícia para quem gosta de cinema.

Na primeira temporada que conta com dez episódios acompanhamos o Timmy Yoon (Randall Park), um idealista do mundo analógico a viver num universo 5G. É com ele que passamos grande parte do tempo. É o patrão da loja e o protagonista desta obra de Vanessa Ramos (“Brooklyn Nine-Nine”). Enquanto responsável pelo videoclube ele tem de gerir e motivar o staff, de forma a manter o seu negócio sustentável.

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A única forma que lhe ocorre é lembrar as pessoas que os blockbusters podem oferecer algo diferente e único: a possibilidade de criar laços humanos com pessoas com interesses comuns, que podem aconselhar a obra ideal para o momento da vida da pessoa (algo que é reforçado em momentos entre funcionários e clientes). Pelo lado inverso, esta é também uma crítica da série aos tempos modernos, onde a maioria das pessoas optam por se isolar em casa a ver streamings. Irónico, porque de que outra forma estaríamos a ver esta série? é uma crítica que, apesar de lógica, se pode descontruir muito facilmente para os mais aficionados das plataformas.

Para condizer com esta intenção da narrativa há uma boa construção das personagens de episódio para episódio. Que nem um sitcom eficaz, ficamos a pouco e pouco cada vez mais familiarizados com as personagens, como se tornassem nossos colegas e amigos. Vivemos os seus momentos bons e maus com intensidade. No caso de Timmy valorizamos o seu caráter e esforço por ser responsável e salvar a loja não só por motivos financeiros, mas também pelo seu altruísmo. Afinal, os seus funcionários já são a sua família e não os quer ter de despedir. Ainda para mais entre os funcionários está a sua grande paixoneta de longa data, Eliza (Melissa Fumero), uma cara conhecida do sitcom de sucesso “Brooklyn Nine-Nine”, da Netflix.

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Outra das preocupações da série é a representatividade. Na loja blockbuster os funcionários não podiam ser mais diferentes uns dos outros, tanto a nível cultural, como de faixa etária. Connie (Olga Merediz) é a sénior da loja que tem sempre bons conselhos para dar e é muito animada, apesar de ter um passado complicado – é o seu trabalho no videoclube que a mantém ativa e com vontade de viver – uma mensagem poderosa de como as pessoas mais velhas precisam de ser valorizadas, em vez de descartadas do mundo do trabalho.

Carlos (Tyler Alvarez) é um imigrante homossexual nos Estados Unidos cheio de sonhos, entre eles, tornar-se num realizador de sucesso. Hannah (Madeleine Arthur) é uma jovem mais discreta que perdeu a mãe muito nova e, desde muito cedo, teve de aprender a viver com pouco. Kayla (Kamaia Fairburn) é a filha de Percy (J.B. Smoove), dono de outra loja, que arrenda o espaço para Timmy e é o seu melhor amigo. É na presença dele que acontecem os momentos mais divertidos da série.

“Blockbuster” tem todos os elementos para ser um sitcom de sucesso com quem qualquer pessoa se pode identificar, seja fã ou não da sétima arte. A história é envolvente e interessante. Tem um ótimo ritmo, sendo os episódios de fácil digestão não só pela sua duração, mas sobretudo pela simplicidade e bom humor do argumento. Para muitos poderá já ser a sua nova série de conforto. Se ainda não te convenci, dá uma vista de olhos em algumas imagens.

TRAILER | “BLOCKBUSTER” VALORIZA CINÉFILOS E NÃO SÓ

Blockbuster, em análise
  • Rafaela Teixeira - 70
70

Conclusão:

“Blockbuster” é um sitcom bastante humano e bem humorado, dedicado a todos os amantes de séries, mas especialmente àqueles que também são apaixonados pela sétima arte. Além de várias referências cinematográficas, apela a uma nostalgia relativa às lojas que alugavam filmes para ver em casa, antes do aparecimento dos streamings.

Pros

  • Argumento engraçado
  • Personagens carismáticas e representativas
  • Nostalgia
  • Bom ritmo

Cons

  • Nem todos os momentos são engraçados, apesar do esforço
  • Alguma previsibilidade
  • Introdução de personagens que acabam descartadas
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Rafaela Teixeira

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