Westerman (foto de Bex Day)

“Blue Comanche” marca o regresso de Westerman

Westerman está de volta, assinou com a Partisan Records e brindou-nos com um novo tema, “Blue Comanche”. Podes ouvi-lo aqui.

É curioso pensar que já passaram quase dois anos desde “Confirmation”. Em 2017, Westerman lançara o EP Call and Response, mas foi com a chegada deste célebre single que se deu a grande eclosão do artista no mundo da música. 2018 ficou marcado pelo lançamento do segundo EP, Ark, que se destacou no nosso Mês em Música, na altura.
Hoje, Westerman está de volta com um novo single e o anúncio de que assinou com a Partisan Records (o que nos leva a magicar sobre o que poderá estar aí para vir). Por enquanto, temos “Blue Comanche”, a primeira canção nova do artista há já algum tempo.

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Ao longo dos útimos anos, Westerman já tinha substituído a guitarra acústica e as músicas serenas por temas mais jazzísticos e electrónicos. “Blue Comanche” vem confirmar que o compositor, apesar de praticamente desaparecido durante 2019, continua imerso nesta jornada.

Uma consciencialização do impacto das mudanças climáticas e um consequente ativismo espelhado nos vários âmbitos da nossa vida, inclusive na arte, marcou sem dúvida a última década. Neste novo single, Will Westerman encontra espaço para expor as suas preocupações e previsões sobre este tema:

“Blue Comanche” é sobre a inevitabilidade da perda ambiental como consequência da modernização. Não sou um ludita, não acho que deveríamos regressar à Idade da Pedra, mas não deixa de haver algo profundamente triste em relação ao que se está a perder. Para mim a política partidária é frustrante, porque é tão cíclica. Sou obcecado por ética, e política e ética podem ser maus companheiros. Sou político de uma forma solitária. Há assuntos que considero importantes e que ocupam o meu pensamento, mas não me dou bem com política organizada. No sistema partidário o compromisso e a concessão são inevitáveis, o que é frustrante. É por isso que gosto de escrever, posso dizer o que quero sem qualquer tipo de diluição. Mesmo assim, eu queria que esta fosse uma canção calma, não irritada. Hoje em dia, é tão fácil viver numa caixa de ressonância de más notícias, mas se olharmos com atenção ainda é possível encontrar atos individuais de bondade em todo o lado. Precisamos de estar envolvidos e sensíveis ao sofrimento, mas não é construtivo viver neste espaço o tempo todo.

Em “Blue Comanche” ainda sentimos a presença daquele intérprete longínquo de “Albatross” e “Confirmation”, que divaga por entre uma harmoniosa interação de sintetizadores e guitarras que Westerman e o seu colaborador Bullion constroem. Numa espécie de aceitação resignada, o compositor começa a canção por dizer “I am nearly there, cyborg/Ready to take your course”. Sem perder de vista as atuais circunstâncias e as negativas previsões para futuro, assume um olhar de admiração para com o mundo que vê lentamente perder-se, quer sejam as árvores que estão reduzidas a bolotas ou a imaginação de um passeio pelos campos de milho ao pôr do sol.

Mais do que tudo, Westerman, como todos nós, está à procura de uma resposta. “I’ve been looking for an answer” canta ele antes de atingir o refrão, onde um crescendo de sintetizadores e uma linha de baixo o acompanham no seu insistente “Turn back around”.

O regresso de Westerman é sem dúvida uma boa notícia e este novo single deixa-nos ávidos pelo que aí vem.

WESTERMAN | “BLUE COMANCHE”

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