Beanie Feldstein e Kaitlyn Dever em "Booksmart" (2019) |©NOS Audiovisuais

Booksmart: Inteligentes e Rebeldes, em análise

“Booksmart: Inteligentes e Rebeldes” é a primeira longa-metragem realizada pela atriz Olivia Wilde. Uma comédia adolescente que não se leva demasiado a sério, e que nos prova que este género não está morto, antes pelo contrário.

Estreia amanhã, dia 15 de agosto, uma das comédias mais baladas deste verão. Lançado nos Estados Unidos da América em maio deste ano, “Booksmart” tornou-se um êxito inesperado, provando que o filme de adolescentes, o “teen flick“, nunca sai de moda.

A grande maioria do público entrou em contacto com Olivia Wilde, pela primeira vez, através de “House M.D.” (2004) e do seu papel como “13”. A atriz cresceu na indústria, protagonizou diversos filmes e faz agora uma primeira incursão bem-sucedida no campo da realização. “Booksmart” é, pelo menos, a comédia adolescente do ano, o que já não é dizer pouco.

Booksmart
Beanie Feldstein e Kaitlyn Dever em “Booksmart” (2019) |©NOS Audiovisuais

A narrativa de “Booksmart” é muito simples, mas é tão simples como bem contada. Desde já, é um filme que vence por ser uma “criança” dos seus tempos. É um filme claramente direcionado para o seu público, que o conhece bem, e que vence por ter uma equipa jovem, que reconhece quais os valores que se pretendem ver reflectidos num filme adolescente em pleno século XXI. O que significa isso? Que as sensibilidades e barómetros desta primeira obra estão bem ajustados, calculados, planeados. O filme foi promovido como “a comédia desta geração”. Uma afirmação correta, pois, como explicarei, este filme não é nada senão geracional. Em primeiro lugar, há que afirmar – “Booksmart” sabe bem qual é o seu público-alvo e não tem problemas de identidade.

É-nos narrada a história de duas melhores amigas: Amy (Kaitlyn Dever) e Molly (Beanie Feldstein). Duas “marronas” típicas, juntas contra o mundo e algo introvertidas. A dupla considerava que a sua virtude, bom comportamento e natureza estudiosa as levaria mais longe do que aos seus colegas “baldas”. Contudo, é aqui que o filme nos oferece a sua primeira inversão de paradigmas. Em “Booksmart”, chegamos à conclusão, ou antes, as protagonistas chegam à conclusão que ser “marrão” não compensa, e que há tempo para tudo nesta vida. Ao fim de contas, os seus colegas menos aplicados também vão para Universidades de renome, porque sabem gerir o tempo e equilibrar farra e estudo. Chocadas com a forma como desperdiçaram o secundário, Amy e Molly decidem compensar o tempo perdido com uma noite épica de mau comportamento, na véspera do último dia de aulas.

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O que se segue à premissa é um sem fim de planos, festas, imprevistos e momentos surpreendentes. Um ponto de partida tão simples poderia facilmente ter-nos levado para um conteúdo chato, previsível e vazio. Ao fim de contas, parece ser uma história que já ouvimos mil vezes. Contudo, nunca a vimos nestes moldes hilariantes, o que faz toda a diferença. Esta é uma verdadeira comédia, que nos deixa agarrados do início ao fim. Contém diversos momentos hilariantes, e é bastante suportada por um elenco secundário repleto de “cromos” inesquecíveis. Temos também direito a várias reviravoltas, pequenas variações de pressupostos, que fazem toda a diferença.

Book Smart
“Booksmart” (2019) |©NOS Audiovisuais

Como não podia deixar de ser, reforço que “Booksmart” é um filme do seu tempo. Assim sendo, é um filme que tem em consideração a lógica de representatividade e a sua representação em Hollywood. Um movimento também ele notório no campo do filme adolescente. Assim, uma das amigas desta parelha, Amy, interpretada por Kaitlyn Dever, é lésbica assumida. Não está baralhada, não está no armário, não tem uma relação mas nem tão pouco se esconde junto dos pais e colegas, e não é marginalizada por isso. A própria Amy acaba por aprender ao longo do filme, entre falsas suspeitas de homossexualidade relativas a outras personagens, passando por alguma descoberta sexual. Kaitlyn desempenha este papel com um à vontade que nos deixa desarmados. Sem dúvida, é uma das promessas destes últimos tempos, e ficamos a aguardar com expectativa o que se lhe seguirá no currículo.

Molly, a sua melhor amiga, é interpretada por Beanie Feldstein. Aos 26 anos, Beanie está “rés-vés Campo de Ourique” prestes a ser demasiado “velha” para desempenhar o papel de adolescente. Contudo, até agora, foi assim que a vimos brilhar. A irmã de Jonah Hill foi empurrada para o estrelato em 2017, com o seu papel da melhor amiga em “Lady Bird” de Greta Gerwig. Este será apenas mais um de muitos filmes onde poderemos ver esta jovem talentosa, que está já escalada para os filmes “How to Build a Girl” e “The Humans” a estrear algures entre 2019 e 2020.

Billie Lourd é a excêntrica Gigi em “Booksmart” |©NOS Audiovisuais

Regresso ao elenco secundário marcante, o qual não pode ser ignorado. No papel da rapariga popular no liceu, rica e excêntrica, temos Billie Lourd, filha de Carrie Fisher. A sua Gigi é irreverente, caricatural, completamente absurda e desprovida de contacto com a realidade. Tão pouco se parece com uma personagem real, mas não deixa de encantar e preencher o ecrã. A sua personagem anda de mão dada com a de Skyler Gisondo (“Santa Clarita Diet”). O seu Jared é igualmente caricatural, embora represente alguém um pouco mais “real”. O miúdo que se esforça sempre demasiado para ser popular, e que só se embaraça no processo.

Embora diversas personagens possuam esta natureza caricatural, são por norma doces, afáveis, e compreensíveis até certa medida. Torcemos por todos eles, e destacamos o filme como um desprovido de antagonistas. Não existe sequer uma “mean girl“, uma rival, alguém que destrói os planos das nossas protagonistas. Existe um equilíbrio invejável em certos filmes dentro do género, pois a fonte de conflito não é forçada, é apenas a vida, e as discussões comuns e justificáveis que ocorrem entre um par de miúdas.

São várias as situações hilariantes, envolvendo alguns clichés de género como expectativas frustradas, pornografia em voz alta ou “trips” de droga que acontecem por acidente. Não vamos contar mais do que isto, no que diz respeito às surpresas, pois é necessário preservar a maravilhosa surpresa que “Booksmart” é no auge da silly season.

Por esse lado, consideram que “Booksmart” merece entrar para os filmes de referência do género? 

BOOKSMART
Booksmart Poster

Movie title: Booksmart

Director(s): Olivia Wilde

Actor(s): Beanie Feldstein, Kaitlyn Dever , Billie Lourd , Skyler Gisondo, Lisa Kudrow

Genre: Romance, Comédia

  • Maggie Silva - 90
  • Cláudio Alves - 70
  • Inês Serra - 70
  • Daniel Rodrigues - 70
75

CONCLUSÃO

"Booksmart" mostra que o género da comédia adolescente, o dito teen movie, nunca deixa de estar em voga. Um triunfo, esta primeira longa-metragem realizada pela atriz Olivia Wilde.

O MELHOR: A abordagem consciente, atual e feminina que é dada à temática. As personagens excêntricas, mas ainda assim assimiláveis, pelas quais torcemos.

O PIOR: Podia talvez desenvolver ainda mais as suas temáticas, ideias e acções. É um filme com um ritmo perfeito, mas que até ganhava com uns 20 minutos adicionais. Verdade seja dita, é mais uma sugestão do que uma crítica.

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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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