Por falar em Boyhood | 12 filmes imperdíveis sobre a juventude (I)

“Boyhood – Momentos de Uma Vida”é a mais recente longa-metragem de Richard Linklater, filmada ao longo de 12 anos com o mesmo elenco. Em comemoração da sua estreia, a Magazine.HD sugere outros 12 filmes imprescindíveis na história do Cinema que são autênticas cápsulas do tempo, tal como é “Boyhood”.

Boyhood”, em estreia nas salas de cinema portuguesas, pisa os trilhos da infância como nenhum outro filme o fez antes. Desde os momentos mais difíceis da dura adolescência, das indesejáveis viagens em família, passando pelos aniversários, pelos triunfos escolares e por situações de pura auto-descoberta…  todos os momentos  de uma vida reunidos numa fita transcendente, filmada ao longo de 12 anos, onde podemos contemplar in loco o crescimento dos seus personagens, ao mesmo tempo que refletimos sobre o nosso próprio crescimento.

E a propósito desta grande estreia (talvez seja a mais importante e mais memorável do ano), apresentamos outros 12 filmes (são 12, tal como os anos que duraram as filmagens do filme de Linklater) que retratam o processo do crescimento humano, nas mais variadas idades. No fundo, obras que se debrucem sobre o chamado coming-of-age, e que são de visualização imprescindível para qualquer cinéfilo atento.

Fiquem com os primeiros seis (sem ordem específica):

Nota: Há tantos outros filmes que mereciam estar nesta lista, como  “Kids” (1995), “Y tu mamá también” (2001) ou “Zerkalo” (1975), mas infelizmente não poderíamos colocá-los todos aqui. 

Nuovo Cinema Paradiso / Cinema Paraíso (1988), de Giuseppe Tornatore

Cinema Paradiso

O filme de Tornatore é, porventura, dos filmes presentes nesta lista, o que mais se aproxima do formato do storytelling de “Boyhood”, e certamente deve ter servido de inspiração a Richard Linklater. “Cinema Paradiso”, para além de ser uma nostálgica celebração do Cinema como arte suprema, é também um épico sobre as vicissitudes crescimento humano, acompanhando Salvatore desde a tenra idade, quando absorvia a magia da sua segunda casa no Cinema Paradiso,  até é idade adulta, mergulhada em profundas memórias da sua família, dos seus amigos, da sua paixão pelo Cinema… e da sua preparação para um mundo não tão cinematográfico que um dia havia de chegar.

Dead Poets Society / O Clube dos Poetas Mortos (1989), de Peter Weir

Dead Poets Society

É curioso colocar “O Clube dos Poetas Mortos” nesta lista. Não porque não o mereça (longe disso) mas, para quem conseguir absorver a última cena de “Boyhood” na plenitude, vai entender que, em certa medida, há uma contraposição de argumentos em filmes que abordam realidades tão similares. Referimo-nos à célebre frase de Robin Williams “seize the day boys, make your lives extraordinary“, que em “Boyhood” encontra um significado de diferente dimensão. De qualquer forma, o filme de Peter Weir é um exemplo inequívoco de uma obra que se debruça sobre o coming-of-age, onde um grupo de rapazes com uma educação conservadora consegue tomar consciência do  seu próprio potencial criativo e da sua capacidade de discernir sobre o que está certo e aquilo que vale a pena lutar.

How Green Was My Valley / O Vale Era Verde (1941), de John Ford

How Green Was My Valley

A obra-prima de John Ford é um nostálgico poema à (dura) infância e ao poder da família na concretização da nossa personalidade e na construção da visão que temos perante os sinuosos desafios da vida. Ao crescer numa comunidade rural no País de Gales, no seio de uma família pobre, Huw Morgan aprende duras lições sobre a vida para as quais ele ainda não estava preparado para conhecer. Ford conta esta história (baseada na obra homónima de Richard Llewellyn) do ponto de vista de Huw que olha para trás e vê que os dias difíceis eram enfrentados com uma coragem e firmeza invulgares. Fica então claro que não há lugar tão verde como a paisagem da sua própria memória.

Moonrise Kingdom / Moonrise Kingdom (2012), de Wes Anderson

Moonrise Kingdom

“Rushmore”, também de Wes Anderson, era outro filme que poderia estar presente nesta seleção, mas optámos por “Moonrise Kngdom” por ser, possivelmente, o expoente máximo da inocência, resiliência e coragem da infância aos olhos de Wes. Dois jovens de 12 anos, Sam e Suzy, guiados pelos seus sonhos bizarros e por um primeiro amor tenaz e genuíno, fogem do seu ‘habitat’ à procura de um pequeno paraíso, colocando, ao mesmo tempo, todos os adultos num rebuliço.

The Graduate / A Primeira Noite (1967), de Mike Nichols

The Graduate

“The Graduate” pode parecer um corpo estranho nesta lista, mas não é. Normalmente, os filmes como os que falamos neste artigo abordam o crescimento através de uma viagem recheada de percalços desde a infância até a idade adulta. “The Graduate” foge a essa formatação, mas não deixa de ser um dos melhores exemplos de um filme sobre o coming-of-age. O personagem de Dustin Hoffman, Benjamin, já é um adulto recém-formado, mas ainda não cresceu o suficiente na sua vida mais íntima. É Mrs. Robinson (Anne Bancroft) que lhe ensina a arte da sedução, mostrando-lhe a importância de ser ele mesmo e de desafiar o status quo.

The Perks of Being a Wallflower / As Vantagens de Ser Invisível (2012), de Stephen Chbosky

The Perks of Being a Wallflower

Não há, no pretérito próximo, uma obra que seja tão fiel à adolescência como esta. O filme de Stephen Chobosky (baseado na sua obra homónima) leva-nos até Charlie (Logan Lerman), um rapaz que entra pela primeira vez para o 9º ano e não tem amigos, até que conhece Sam (Emma Watson) e o seu quase-irmão Patrick (Ezra Miller). “As Vantagens de Ser Invisível”, para além de incidir sobre a descoberta da sexualidade trancada a sete chaves, das relações amorosas sem finais felizes e dos problemas típicos de uma adolescência vulgar, analisa ainda a infância como um retrato negro da vida passada dos três protagonistas. Mas os livros, David Bowie, The Smiths e uma boa amizade curam tudo.

 

Parte 2 »»

Sabe mais sobre Boyhood, aqui.

Fontes: Flavorwire, Goodreads, IMDb, Film.com

Daniel E.S.Rodrigues

Sonho como se estivesse num filme de Wes Anderson, mas na verdade vivo no universo neurótico de Woody Allen. Sou obcecado pela temporada de prémios, e gostaria de ter seguido a carreira de cartomante para poder acertar em todas as previsões dos Óscares, Globos de Ouro (da SIC), Razzies, Troféus TV7 Dias e Corpo do Ano Men's Health. Mas, nesse universo neurótico e imperfeito em que me insiro, acabei por me tornar engenheiro. Sigam-me no Instagram para mais bitaites sobre Cinema, Música, Fotografia e outras coisas desinteressantes.

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