© Jeff Lipsky / A.M.P.A.S.

Brad Pitt já trabalhou com nomes como David Fincher, Quentin Tarantino e os irmãos Coen, mas quando lhe perguntam por filmes favoritos, o ator vai buscar uma obra bem mais antiga e menos óbvia.

Assim sendo, numa visita a uma videoteca em Paris, Pitt apontou um clássico de 1982, como “um dos meus favoritos de sempre”.

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Brad Pitt explica porquê

Um dos maiores nomes de Hollywood escolheu, entre milhares de títulos disponíveis, um drama alemão rodado na selva peruana há mais de 40 anos.

O contexto para perceber porque é que uma escolha destas faz sentido é difícil, sobretudo quando o ator em causa construiu a carreira em êxitos de bilheteira.

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Assim sendo a resposta está na história atribulada por trás das câmaras, tão intensa quanto o próprio filme. “Fitzcarraldo” conta a história de um irlandês obcecado por levar a ópera à Amazónia, e que para isso precisa de arrastar um navio a vapor por cima de uma montanha.

Werner Herzog, o realizador, recusou-se a usar efeitos especiais e insistiu em filmar a cena tal como é descrita. Ou seja, com uma embarcação real a ser puxada morro acima. A produção ficou tão marcada por acidentes e imprevistos que se tornou quase tão célebre quanto o filme.

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Produção quase saiu de controlo

O projeto arrancou com Jason Robards no papel principal, mas o ator adoeceu a meio das filmagens, obrigando Herzog a recomeçar praticamente do zero.

Foi nessa segunda fase que entrou Klaus Kinski, com quem Herzog já tinha trabalhado antes em “Aguirre, a Cólera de Deus” e que voltaria a dirigir depois em “Nosferatu” e “Woyzeck”.

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A relação entre os dois era conhecida por ser explosiva, e Brad Pitt destaca precisamente essa energia como parte do fascínio. Assim sendo o ator diz, “havia uma espécie de raiva nele. É uma cor tão interessante, nunca teria pensado nisso.”

Brad Pitt referiu-se ainda ao documentário “Burden of Dreams”, que regista os bastidores caóticos da rodagem, como uma peça essencial para compreender a escolha.

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Para quem gosta de cinema de autor e, sobretudo, de histórias sobre produções levadas ao limite, tanto o filme como o documentário oferecem uma visão rara de até onde um realizador está disposto a ir por autenticidade.

Para o espectador comum, “Fitzcarraldo” é um filme exigente, com ritmo lento e uma narrativa que privilegia a atmosfera em vez da ação.

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Não é, portanto, uma escolha imediata para quem procura entretenimento leve, mas ganha peso justamente pelo contexto da sua criação.


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