Brave – Indomável, em análise

Título Original: Brave

Realizador: Mark Andrews, Brenda Chapman

Vozes (VO):  Kelly Macdonald, Billy Connolly e Emma Thompson

Género: Animação, Aventura

ZON | 2012 | 100 min

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Depois de “Carros 2”, a Pixar necessitava de voltar aos filmes originais e, de preferência, com qualidade. Caso tal não acontecesse, poderíamos estar perante o início de uma micro-crise de criatividade. Mas a Pixar voltou a dececionar.

É deveras interessante que um estúdio que cria histórias onde brinquedos como Woody e Buzz ganham vida, ou narrativas com cenários apocalípticos onde dois robôs vivem uma história de amor, ou até crónicas de monstros que vivem a assustar crianças, seja capaz de nos fornecer um desapontante argumento como este.

“Brave Indomável” dá-nos a conhecer Merida, uma rapariga que está destinada a tornar-se princesa e a casar com quem não pretende. É a típica história de uma princesa cujo destino foi desenhado pelos seus progenitores. Apesar de alguns artifícios narrativos como a introdução de ursos, bruxas e magia, “Brave Indomável” não parece ser um filme concebido no estúdio que já nos trouxe belas e originais histórias desde o início da sua existência.

O mais interessante de observar é a consistente capacidade de nos mostrar a relação entre uma mãe e uma filha. Todos os dissabores, todas as discussões e, por fim, o amor mútuo que apesar de por vezes parecer não existir, está escondido e revela-se sempre que é necessário.

Mas a Pixar já fez muito mais. O enredo cai diversas vezes no cliché de um filme de princesas e nem nos momentos onde pretende ser mais emocionante consegue convencer. Quem é que quase não chorou ‘baba e ranho’ quando Carl Fredricksen recorda a sua mulher no livro de aventuras em “Up – Altamente!”? Quem não se sentiu verdadeiramente angustiado com a partida de Andy no final de “Toy Story 3”? “Brave Indomável” não tem um destes momentos e, mesmo sendo um filme da Pixar, não parece sê-lo.
É percetível a realização pouco experiente onde Mark Andrews, Brenda Chapman e Steve Purcell são estreantes e onde se sente a falta de alguns génios criativos como Pete Docter ou John Lasseter.

A verdade é que não se trata de um filme mau. Mas tendo em conta todo o espólio da Pixar, é sem dúvida, a par com “Carros 2”, um filme menor onde nem a componente visual convence totalmente. O azul, o verde e o castanho pálidos contrastam com o cabelo ruivo de Merida e constituem uma paleta de cores que não são tão atraente como seria suposto ser. Ainda no âmbito visual, é desaconselhada a sua visualização em 3D dado que esta terceira dimensão não existe em momento nenhum.

Pedia-se muito mais, é certo. Mas a desilusão face “Brave Indomável” está intrinsecamente relacionado com o facto de ser um filme made in Pixar. No próximo ano teremos o regresso ao mundo das sequelas e prequelas. “Monstros: a Universidade” assume-se como talvez um dos filmes mais importantes da era Pixar: se falhar, está na iminência uma crise criativa, se for um sucesso, podemos voltar a rir e a chorar e a ir ao cinema ver bons filmes.

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