Carbono Alterado

Carbono Alterado: o livro que deu origem à série

Richard Morgan criou um mundo em que morrer é mais difícil do que viver. A adaptação de “Carbono Alterado” já chegou à Netflix. 

Em fevereiro chegou à Netflix uma série que revolucionou o pequeno ecrã com o seu estilo sci-fi cyberpunk. “Carbono Alterado”, inspirado no livro homónimo de Richard Morgan, apresenta uma versão do futuro, no qual a morte deixou de ser permanente.

Tal como a produção televisiva, o livro também foi publicado em fevereiro em Portugal, pela editora Saída de Emergência. Richard Morgan criou um mundo fictício em que a morte é um problema menor. A consciência das pessoas é transferida de corpo para corpo, graças a um disco rígido – a não ser que este seja destruído.

A trama centra-se em Takeshi Kovacs, um ex-agente de forças especiais, que é ressuscitado com habilidades amplificadas para um missão encomendada por Laurens Bancroft, um milionário com mais de 300 anos que foi assassinado. Como não há morte, é Bancroft, devidamente ressuscitado, que traz Kovacs ao mundo dos vivos para desvendar o mistério do seu homicídio. Apesar de a consciência ser a mesma, Laurens não se recorda das últimas 48h de vida, porque esta é a periodicidade com que sua consciência é armazenada.

Carbono Alterado

“Carbono Alterado” é um bestseller cyberpunk com influências de Dashiell Hammett (autor de “The Maltese Falcon“), Raymond Chandler (“The Big Sleep“) e Philip K. Dick (saga “Blade Runner” e “The Man in the High Castle“).

Richard Morgan consegue transportar o leitor para um universo particular com regras próprias, mas sempre através de uma narrativa fluída e esclarecedora. Sempre do ponto de vista do protagonista, o autor coloca os leitores dentro da esfera íntima de Kovacs e apresenta as restantes personagens através dos olhos do protagonista – característica dos policiais noir. 

Morgan aproveitou ainda a influência dos autores para criar um cenário decadente e para explorar uma narrativa repleta de suspense. No entanto, “Carbono Alterado” não se resume apenas a uma história policial, o livro levanta questões difíceis sem lhes atribuir respostas.

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Sendo a morte um detalhe na sociedade futurista criada por Morgan, o que sobra aos humanos? Esta é a grande pergunta do livro. Mas, o autor também aborda a desigualdade social no livro, uma vez que o processo de transferência de consciência não funciona para todos de igual forma. Os ricos podem escolher os corpos que quiserem, incluindo clones, enquanto os pobres ficam com o resto, quando conseguem pagar.

Embora o autor peca por não explorar as personagens secundárias, Morgan consegue criar uma obra interessante (por vezes lenta) e complexa, que homenageia os mestres do género noir. Simultaneamente o autor também conseguiu construir uma narrativa filosófica que obriga a uma reflexão por parte dos leitores.

O livro “Carbono Alterado” está nas bancas e a sua adaptação já está disponível na Netflix.

Catarina Fernandes

Mestre em Ciências da Comunicação e fotógrafa amadora. Seriófila compulsiva e apaixonada por literatura, assim como pelo cinema e pela sua história. (Extremamente) Viciada em música e concertos.

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