"Casamento Escandaloso" | © MGM

Clássicos em Casa | Casamento Escandaloso (1940)

Vencedor de dois Óscares, para Melhor Ator e Melhor Argumento, “Casamento Escandaloso”, também conhecido como “The Philadelphia Story”, é uma comédia clássica tão encantadora quanto divertida. Katharine Hepburn, James Stewart e Cary Grant são os protagonistas.

Ao longo de uma carreira que foi dos anos 30 até ao fim do século XX, Katharine Hepburn foi considerada uma das maiores atrizes que alguma vez apareceu em frente às câmaras. De facto, até hoje, ela detém o recorde de maior número de Óscares ganhos por um só ator, tendo arrecadado quatro prémios para Melhor Atriz, em 1933, 1967, 1968 (um empate com Barbra Streisand!) e 1981. A sua filmografia inclui inúmeros clássicos, desde comédias irreverentes de Howard Hawks até lacrimosos dramas de David Lean, passando pela luxúria venenosa de Tennesse Williams e a rebeldia do cinema de John Huston. Em suma, Katharine Hepburn é uma dessas lendas de Hollywood cuja fama e talentos a colocaram no panteão da sétima arte.

Considerando tudo isso, pode parecer estranho, mas, houve uma altura, em que Hepburn era considerada como veneno para as bilheteiras. Depois de ter começado a sua carreira cinematográfica em força no início da década de 1930, a atriz depressa se afirmou como uma das maiores promessas de Hollywood, conquistando papel carnudo atrás de papel carnudo. Nunca presa a ideias de sensualidade ou glamour, ela era principalmente famosa pelas suas capacidades interpretativas, uma atriz mais que uma celebridade. No contexto da era doirada de Hollywood, essa integridade artística facilmente se traduzia em obstinação abrasiva. Em 1938, depois de uns quantos filmes que desapontaram no box office, Hepburn foi escorraçada na imprensa pelo seu fracasso comercial.

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Insultada e ultrajada, Katharine Hepburn abandonou momentaneamente o brilho do grande ecrã e foi aos palcos em busca de refúgio. O seu exílio de Hollywood podia ter sido permanente, não fosse ela ter encontrado no teatro um papel perfeito. Sempre elogiada pela sua inteligência, Hepburn comprou os direitos de adaptação para a peça “Casamento Escandaloso” e foi ela mesma que convenceu a MGM a produzir um filme com base nessa farsa americana. O resultado foi o papel mais icónico e definitivo na carreira da atriz, um triunfo de tal ordem que a catapultou de novo para a ribalta de onde ela nunca voltaria a cair. Isso é fácil de entender, visto que o filme é um clássico do seu género, perfeitamente hilariante, cheio de charme e repleto de atores consagrados a darem o seu melhor.

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Estreado em 1940, “Casamento Escandaloso” é uma comédia de divórcios e matrimónios que segue a mesma linha de outros filmes como “A Divorciada” e “Com a Verdade Me Enganas”.  Passada entre as elites endinheiradas de Filadélfia, a história centra-se em volta de Tracy Lord, uma socialite altiva e orgulhosa que está prestes a casar-se pela segunda vez. No entanto, o seu ex-marido decidiu dificultar-lhe a vida, assim como uma parelha de jornalistas de tablóides e uma família desesperada por manter certas indiscrições sexuais fora das manchetes. O resultado de tudo isto é um fim-de-semana festivo virado de pernas para o ar, um autêntico caos onde romances antigos se reatam e algumas escapadelas embriagadas têm lugar. Acreditem que é delirantemente divertido ver toda esta trapalhada acontecer.

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Parte do sucesso do projeto deve-se à realização elegante de George Cukor, um cineasta com timing cómico apurado e um olho atento ao glamour mais extravagante que Hollywood tinha para oferecer. Nas suas mãos, os equívocos, mentiras e piadas rebuscadas do enredo surgem de modo orgânico e bem-humorado. Há peso sentimental na história, mas o entretenimento do espectador está sempre acima do realismo psicológico. Esse pode ser um equilíbrio difícil de manter, mas Cukor nunca mostra sinais de esforço. Nem ele, nem o seu elenco que é um dos melhores algumas vez reunidos para um só filme.

Hepburn é perfeita como Tracy, tornando a sua persona de patrícia arrogante numa paródia assumida. Ela é magnética e divertida, sabe-se rir de si própria e, nas suas melhores cenas, tem um grande talento para desempenhar a tontice atrevida que vem com uma valente bebedeira. Jimmy Stewart, como um jornalista sem paciência para as manias de gente rica, é igualmente habilidoso, manejando os solavancos tonais do enredo com grande carisma. Ele é tão bom que ganhou o Óscar para Melhor Ator de 1940 com uma vitória surpreendente, mas merecida. Ruth Hussey traz humor mordaz à equação cómica com a sua fotógrafa sarcástica e Cary Grant é uma supernova de charme romântico como o ex-marido teimoso de Tracy. Em suma, um elenco perfeito para uma comédia perfeita.

Para veres “Casamento Escandaloso”, podes optar por alugar ou comprar o filme no Apple iTunes, Google Play ou no Youtube.

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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