Cloud Nothings (foto de Daniel Topete)

Cloud Nothings reencontram Steve Albini em “Am I Something”

“Am I Something” assinala o lançamento de um novo álbum dos Cloud Nothings e o reencontro da banda com o produtor e engenheiro de som Steve Albini.

Apenas alguns meses passaram desde o lançamento de The Black Hole Understands, mas os Cloud Nothings permanecem activos durante este período pandémico. Para além dos EP’s mensais que têm disponibilizado através de um pacote de subscrição na plataforma Bandcamp, a banda norte-americana anunciou hoje um novo álbum intitulado The Shadow I Remember e o primeiro single, “Am I Something”, já se encontra disponível para audição nas plataformas de streaming.

Oito anos depois, “Am I Something” assinala o muito antecipado reencontro de Dylan Baldi e trupe com o afamado produtor e engenheiro de som Steve Albini, que já havia trabalhado com o grupo em Attack On Memory.

The Shadow I Remember, Cloud Nothings

A acessibilidade melódica da canção relembra a inicial fase pop-punk dos Cloud Nothings, quando o projecto se restringia ao actual vocalista e às suas experiências lo-fi numa cave em Cleveland. No entanto, é na produção orgânica e no realce da garra proveniente da instrumentação e, sobretudo, das melodias vocais de Dylan Baldi, que nos deparamos com a influência de Steve Albini e o seu trabalho de estúdio.

“Am I Something” situa-se assim entre o universo pós-hardcore dos Big Black e a faceta mais pop dos Superchunk. No fim, é a familiar atmosfera de Attack On Memory que recordamos de imediato, escutando a pungência dos acordes e a rouquidão na voz de Dylan Baldi. “Eu quero que uma canção de três minutos soe a um épico. É a versão curta do jam que se arrasta”, referiu o vocalista sobre as composições presentes em The Shadow I Remember.

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O novo single vem acompanhado de um teledisco realizado pela artista chinesa Lu Yang. A animação ilustra o grito existencial dos Cloud Nothings, a liminaridade abordada nos versos e todo o mistério espácio-temporal que estas fases intermediárias acarretam: “Am I something?/ Do you see me?/ Does anybody living out there really need me?”.

Familiarizei-me com o trabalho de Lu Yang através da sua exposição em Cleveland, Ohio durante o MOCA Cleveland, em 2017. Atraiu-me a relação que estabelecia entre religião e género e variadas funções corporais associadas ao género. O seu estilo de animação é muito compatível com os meus gostos pessoais – um videojogo de Sims psicadélico e isolado de género. – Dylan Baldi

Mais maduros e francos, ainda assim atormentados por inseguranças e dúvidas, os Cloud Nothings retornam ao Electrical Audio Studios de Steve Albini, em Chicago, e preparam uma nova ofensiva contra a memória, encarando-a com frontalidade e apoiando-se em peças importantes do seu passado recente para obterem respostas e, quem sabe, finalmente atingirem um estado de paz interior. Uma coisa é certa: os Cloud Nothings já não transbordavam tanto desejo e força de vontade desde a publicação do seu álbum seminal.

The Shadow I Remember tem data de divulgação agendada para 21 de Fevereiro de 2021, sucedendo assim o relançamento, agora em vinil, de Turning On, o disco de estreia dos Cloud Nothings, previsto para 21 de Janeiro do mesmo ano.

CLOUD NOTHINGS | “AM I SOMETHING”

THE SHADOW I REMEMBER | ALINHAMENTO

  1. Oslo
  2. Nothing Without You
  3. The Spirit Of
  4. Only Light
  5. Nara
  6. Open Rain
  7. Sound Of Alarm
  8. Am I Something
  9. It’s Love
  10. A Longer Moon
  11. The Room It Was

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