Comic-Con 2015 | Ainda há esperança para um filme de Hannibal!

 

“Hannibal” pode ter sido cancelada mas muita água (ou sangue?!) vai correr ainda no que resta da terceira temporada. Este foi o assunto principal do painel da série na San Diego Comic-Con deste ano. Presentes estiveram os criadores Martha de Laurentiis e Bryan Fuller, e os atores Richard Armitage e Hugh Dancy. Os fãs que estiveram presentes entregaram-lhes coroas de flores.

O painel de “Hannibal” começou com um teaser dos próximos episódios desta temporada e a plateia ficou surpreendida com o aparecimento de Richard Armitage como Francis Dolarhyde, a “Fada dos Dentes”, o principal vilão do livro “O Dragão Vermelho” e um dos melhores vilões da série. O vídeo apresenta a transformação da personagem e a importância da gigantesca tatuagem nas costas. Além disso, as imagens dão um salto de três anos para mostrar Hannibal Lecter (Mads Mikkelsen) atrás das grades. Espreita o teaser exibido:

Quando o recente cancelamento da série da NBC é mencionado no painel, o canal foi fortemente vaiado pela plateia. Para surpresa geral Bryan Fuller defendeu a NBC: “Eles deixaram-nos fazer esta série doida durante três anos, merecem o nosso aplauso”.

O criador contou que a Netflix rejeitou dar continuidade à série e que embora a Amazon tivesse os direitos de exibição e mostrasse interesse em manter a série, Fuller não se sentiu confortável com  o prazo oferecido para iniciar produção por ser demasiado cedo.

“Ainda estamos à procura de opções. Não temos muitas respostas mas estamos a avaliar a possibilidade de fazer um filme. O Hugh e o Mads estão muito empenhados com a série e adorariam continuar, por isso a forma como a temporada termina pode ser uma oportunidade para fazer uma pequena pausa e esperamos encontrar uma forma de vos trazer o Mads e o Hugh de volta”, revelou Bryan Fuller.

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Hugh Dancy aproveitou para desabafar: “Isto é algo comovente para todos nós (…) E ainda não acabou porque ainda estamos a vivê-lo”.

Em relação a Will, Dancy revela que a sua personagem não está morta. “Hannibal” irá fazer um salto temporal de três anos entre os episódios de 16 de julho e 23 de julho e iremos descobrir um Will a desfrutar de uma nova realidade após escapar ao mundo de Hannibal Lecter. “O Will afastou-se do mundo de Hannibal e começou a viver a sua vida em conjunto com uma esposa”, revela Dancy. “Mas, este pequeno desvio não dura muito tempo”, acrescenta.

O “Dragão Vermelho” de Richard Armitage será uma perspectiva única da conhecida história de Francis Dolarhyde. O ator inspirou-se nos livros, ignorou ativamente “Manhunter” e outros filmes, e disse que irá mostrar mais da pele do “Dragão” do que aquilo que esperamos. “Há algo de inocente em Dolarhyde, o que soa estranho considerando o quão negro e complicado o seu mundo é. Mas andou sempre a oscilar entre uma mente inocente e infantil e um homem muito complicado, e por isso eu passei metade da série nú…com uma tatuagem, que eu acho que o Dolarhyde sentia como se fosse a sua roupa”. Bryan Fuller respondeu “de nada” em relação à questão da nudez.

O criador também fez alusão ao facto do diálogo da série ser ocasionalmente demasiado inteligente. “Quando vemos algumas cenas ficamos ‘o que raio queríamos dizer com isto?!'”, contou enquanto Dancy ria e concordava. “Eu acho que sei o que queria fazer quando escrevia esta cena…mas olhamos para a cena e ficamos a achar ‘wow, isto é pretensioso'”.

Um membro da plateia perguntou ao grupo o que iriam sentir mais falta, caso “Hannibal” não encontre um segundo lar. “A relação que temos tido com esta comunidade tem sido esmagadora. Sinto que vamos levar os Fannibals connosco, para onde quer que formos”, respondeu Fuller. “Literalmente”, acrescentou Dancy. O painel reforçou que a interação que têm com os fãs é inspiradora e que ter uma série de baixa audiência com este nível de resposta do público é o melhor “abraço” que poderiam pedir. Dancy acrescenta também que “fazer parte de algo tão acolhedor, com tanto amor e entusiasmo é um privilégio”.

Ainda sobre a história, Fuller comentou que quis manter a promessa de não retratar as histórias de violação de Dolarhyde na série. O criador conta que vai tratar o assunto como um ataque à família em geral e não à mulher que faz parte dessa família. “Sentimos que conhecemos bem a nossa audiência. Achamos que devemos retratar histórias de violação quando achamos que nos podemos dedicar a explorar exatamente que tipo de violação e o seu significado para todas as pessoas envolvidas na situação. Muitas vezes os programas de televisão não fazem isso, e tratam este problema de forma pobre, superficial e preguiçosa”. A plateia interrompe-o para uma salva de palmas, muito merecida, diga-se de passagem. E conclui: “Minimizámos ao máximo os desvios sexuais de Dolardyde. Eles estão lá, se os quiserem ver, mas eu pessoalmente não quis”.

Jeff Jensen encerrou o painel agradecendo à equipa pelos três maravilhosos anos de criatividade e de um brilhantismo absolutamente perturbador.

 

Catarina Porfírio

Licenciada em Ciências da Comunicação | Apaixonada por séries, devoradora de livros e de grande parte de cultura pop. Tem a escrita como terapia e um ódiozinho de estimação a quem dá calinadas no Português. De vez em quando pode ser encontrada no Twitter @Cuquinha89

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