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Corcunda de Notre Dame: O Musical, revisitado

“Corcunda de Notre Dame: O Musical” é uma peça cheia de significados, com capacidade de encantar qualquer geração. Trata-se de uma peça divertida e encantada!

Há muito que os filmes da Disney deixaram de ser longas-metragens feitas exclusivamente para os mais novos. Até porque quanto mais velhos somos, mais facilmente nos concentramos na mensagem transmitida, não nos deixando levar pelas fantasias das personagens. Desta feita, enquanto a criança olha para o Corcunda de Notre Dame como uma criatura horrenda, o adulto vê Quasimodo como um ser solitário que é olhado com desdém por todos aqueles que o rodeiam. É esta a premissa do romance publicado por Victor Hugo, em 1831. Porém, quando pensamos em “O Corcunda de Notre Dame”, o enredo que rapidamente nos assalta a memória é a adaptação cinematográfica produzida pela Disney, em 1996.

Desde o lançamento do filme de animação, muitas adaptações teatrais têm sido levadas aos palcos de todo o mundo e Bruna Andrade decidiu encenar uma versão musical da obra de Victor Hugo. “O Corcunda de Notre Dame: O Musical” é uma peça com enfoque na aceitação do outro, mas também na procura da aceitação de nós próprios. Num momento em que tanto importa expor aos mais novos temas relacionados com o bullying e a xenofobia, esta peça encarrega-se de nos dar uma nova visão das consequências dolorosas que a intimidação pode gerar nos seres humanos.

Para quem não se recorda, “O Corcunda de Notre Dame” acompanha a história de Quasímodo, um jovem deformado que havia sido fechado na Catedral de Paris pelo malvado Frollo, pertencente ao Clero. Após anos encurralado na Torre Sineira, onde as gárgulas revelaram ser a sua única companhia, o ‘Corcunda’ é incentivado por Esmeralda a procurar lutar pela sua liberdade. Esmeralda é uma jovem cigana vítima de xenofobia por parte de Frollo, o homem que quer ver expulsa da cidade toda a comunidade cigana.

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Mal sobe o pano do Auditório do Casino Estoril, somos desde logo transportados para um cenário que, apesar de minimalista, nos remete de imediato para a Catedral de Notre Dame. No desenrolar de toda a peça, os atores recorrem a pequenos elementos decorativos que rapidamente transformam o cenário em distintos espaços, o que permite ao espectador viajar visualmente por diferentes locais cénicos. Quanto aos aspetos cenográficos, a atenção ao detalhe é, sem dúvida, um elemento a destacar, dada a capacidade de nos transportar para um mundo fantástico.

Mas o aspeto que maior destaque merece é a entrega com que o elenco se dedica à concretização desta peça de teatro. Para começar, JP Costa, o ator que dá vida a Quasimodo, tem uma prestação incrível, merecendo todas as ovações de pé. Segue-se Mafalda Tavares que tem o dom de vidrar o espectador na sua doce atuação. Quanto a Hugo Rendas, é indiscutível a capacidade que o ator tem para interpretar o papel de vilão, protagonizando o papel de Frollo de forma bastante realista. Por fim, o destaque vai ainda para as três atrizes que dão vida às Gárgulas, interpretadas de forma extremamente divertida, com capacidade para arrancar gargalhadas fáceis a quem assiste ao espetáculo. Com tudo isto, não podemos esquecer também Diogo Garcia e Bernardo Raposo, bem como o restante elenco que dá vida à comunidade Cigana, que se encontram presentes no clímax da ação.

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Em suma, o resultado não podia ter sido melhor. Trata-se de uma peça cheia de significados e com uma atenção incrível ao detalhe, com atores que mostram saber o que estão a fazer em cima do palco. Da mesma forma, as canções escolhidas para esta peça de teatro musical são deliciosas, fazendo-nos viajar pelo mundo encantado da Disney. O único apontamento negativo advém do facto de não se conseguir perceber no decorrer do espetáculo se as músicas são, de facto, interpretadas ao vivo pelos atores. Contudo, este é um teatro imperdível, ao qual todas as gerações deveriam assistir.

CARTAZ | CORCUNDA DE NOTRE DAME: O MUSICAL EM CENA NO CASINO ESTORIL

Corcunda de Notre Dame
© Casino Estoril

“Corcunda de Notre Dame: O Musical” estará em cena no Auditório do Casino Estoril até ao dia 18 de dezembro.

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