Kabukibu, em análise

Kabukibu traz-nos um dos tópicos mais explorados em séries anime: a criação de um clube escolar. De que forma a série se distingue das outras do mesmo género?

Kabukibu é uma série anime realizada por Kazuhiro Yoneda (Akatsuki no Yona), teve a sua estreia na temporada de primavera de 2017 e adapta a light novel de Yūri Eda. A história foca-se no protagonista Kurogu, à medida que ele se esforça por criar um clube de kabuki, a sua grande paixão. Ao longo dos 12 episódios que constituem a série, testemunhamos as várias etapas da vida do clube. Desde o árduo processo de recrutamento de elementos para o grupo, até à instrução, treino e preparação para o primeiro espetáculo.

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A série não tem uma narrativa altamente sofisticada, nem complexa. Na verdade, ela é bastante simples. Portanto não estamos perante uma série excepcional. Contudo, ela tem uma grande valor e mérito por conseguir ser bastante consistente e equilibrada. Há uma premissa, mesmo que seja básica, e ela é cumprida.

Kabukibu

Existe uma grande tendência por parte das animações japonesas de centrar as suas narrativas em torno de algo tradicional do Japão. Seja um desporto, um jogo, um género de arte, ou outra coisa qualquer. Neste caso, o foco está no kabuki, um tipo de teatro japonês. Este é um aspecto que irá cativar os espectadores mais curiosos, que têm algum interesse pela cultura nipónica. De uma forma muito ligeira, Kabukibu dá a conhecer esta arte tradicional japonesa, explicando o essencial sobre este espectáculo, à medida que conta a sua história.

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Kabukibu pode ser uma série anime com uma narrativa relativamente simples. Ainda assim, há algumas mensagens e lições de moral que pretende transmitir ao espectador. A série não perde muito tempo a fazê-lo, e procura ser o mais directa possível. Uma das ideias que a série transmite é a da importância de se fazer algo porque dá gosto e prazer, e não por obrigação ou dever. Para exprimir esta mensagem, Kabukibu coloca dois personagens em confronto, e os seus respectivos ideais.

Kabukibu

De um lado temos o protagonista, Kurogu. Este é um jovem que nutre uma enorme paixão pela arte do kabuki. Uma adoração que lhe foi transmitida pelo seu falecido avô. É um rapaz de convicções fortes, persistente e que não se deixa abalar por nada.Todas estas características fazem dele a pessoa certa para ser o líder do grupo de kabuki, que tanto anseia criar. Graças à sua forte personalidade, Kurogu consegue recrutar as pessoas suficientes para o grupo ser formado. A sua energia, o seu espírito de dedicação e de entrega acaba por influenciar os membros do grupo, e também eles começam a ganhar um carinho especial pelo kabuki. Mas mais do que isso, o grupo dá origem a uma autêntica família. Tudo porque Kurogu procurou sempre mostrar aos seus colegas que o importante era divertirem-se.

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Do outro lado temos o antagonista da história, Ebihara. Nascido numa família de atores prestigiados de kabuki, o jovem sente uma grande pressão por querer manter o legado da família. Embora a sua paixão por kabuki seja tão grande como a de Kurogu, esta pressão faz com que a sua visão em relação à prática de kabuki seja totalmente diferente. Para começar, ele vê com desdém o grupo criado por Kurogu. Na sua perspectiva, o kabuki é uma arte superior que não deve ser praticada por amadores, sem qualquer treino nem experiência. Ele quer que tudo seja perfeito e depois esquece-se do mais importante. Mesmo que a sua representação seja quase tecnicamente sublime, fica a faltar-lhe alma. E como consequência, a emoção não chega até às pessoas que se encontram nas plateias.  

Kabukibu

Eventualmente, Ebihara torna-se mais humilde e começa a valorizar os esforços de Kurogu. Afinal, tudo o que o protagonista quer é mostrar aos outros por que é que a arte do kabuki é a sua grande paixão. Nem que para isso tenha de quebrar algumas regras, de modo a tornar o espectáculo mais acessível para quem não o conhece. Da mesma forma como Kurogu ajuda todos os seus amigos do grupo de kabuki, e traz à superfície o melhor de cada um, o protagonista também ajuda o seu “rival”.

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Num dos episódios finais, os personagens encontram-se à frente do kabuki-za (o teatro principal de kabuki em Tóquio). Enquanto vêem a neve cair, Kurogu e Ebihara têm uma conversa sincera sobre kabuki. O protagonista conta a Ebihara sobre o seu avô, e sobre o que sentiu quando viu o seu primeiro espectáculo. Conforme a conversa avança, os personagens falam sobre o futuro de Ebihara como ator. É neste momento que se torna mais evidente o peso que Ebihara carrega.

Kabukibu

Depois do seu pai ter sido uma desilusão como ator, Ebihara quer fazer de tudo para ser tal e qual como o seu avô, e evitar que o mesmo lhe aconteça. Porém, o protagonista fá-lo perceber que ele não precisa ser como o avô. Só tem de ser ele próprio. Se até então Ebihara estava lentamente a mudar a sua opinião em relação a Kurogu e ao grupo de kabuki, esta conversa altera por completo o seu ponto de vista. Mas não só. Com estes desabafos, a pressão sentida por Ebihara começa a desvanecer-se, possibilitando uma evolução do jovem como ator.

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Quando uma série anime pretende contar a sua história em torno de algo tão específico como kabuki, há um conjunto de procedimentos que não podem ser ignorados se quiser que o espectador goste do que está a ver. Primeiro, deve explicar minimamente o tema. Mas nunca de uma forma aborrecida. Kabukibu faz isto na perfeição. Em vez de bombardear o espectador com informações, vai esclarecendo o essencial sobre o kabuki, episódio após episódio. Mas isto não chega para tornar a série mais agradável de se ver.

Kabukibu

Tal como acontece com séries de desporto, como as que decidem focar-se em jogos que, à primeira vista nada têm de interessante (ex: shogi), Kabukibu precisa mostrar aos espectadores o quão entusiasmante esta forma teatral consegue ser. Um pouco como Kurogu pretende fazer durante toda a série em relação às pessoas em seu redor. Este objetivo é alcançado novamente graças ao protagonista. Da mesma forma que ele espalha a sua paixão por kabuki a todos os personagens com que se cruza, também nós somos contagiados por ela. E mesmo não percebendo muito sobre este tipo de teatro japonês, sem repararmos, ficamos a torcer pelos personagens cada vez que sobem a palco.  

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Kabukibu é mais uma boa série do Studio Deen. Não está ao mesmo nível de séries como Showa Genroku Rakugo Shinju (também sobre uma forma de entretenimento tradicional japonesa, o rakugo). Porém, ela cumpre com a sua premissa inicial. É uma história sobre um grupo de kabuki composto por jovens estudantes, sobre os obstáculos que eles encontram e sobre as suas conquistas. Quando é exatamente isso que a série nos apresenta, não há grande defeitos a apontar. Podia ter ido mais longe? Talvez. Mas será que essa ambição iria beneficiar a série? Provavelmente não.

Trailer | Kabukibu

 

 

Kabukibu, em análise
Kabukibu

Name: Kabukibu

Description: Kurogu é apaixonado pelo teatro kabuki desde muito pequeno, graças ao seu avô. Agora, como estudante do ensino secundário, ele deseja criar o seu próprio clube de kabuki, com o objetivo de colocar mais gente a apreciar este tipo de teatro. Porém, ele vai descobrir que não é fácil deixar estudantes interessados numa forma de arte com centenas de anos de tradição rigorosa. Um começo difícil não será suficiente para deter Kurogu, e ele vai trabalhar arduamente para inspirar nos outros a mesma paixão ardente que ele sente, até ao dia em que ele irá preparar o seu próprio espectáculo!

  • Filipa Machado - 65
65

CONCLUSÃO

O MELHOR: A mensagem que a série transmite, sobre o que significa ser verdadeiramente apaixonado por algo.

O PIOR: Uma certa previsibilidade do enredo.

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Filipa Machado

Licenciada em Estudos Artísticos e uma grande apaixonada (e viciada) por Literatura, Televisão, Cinema e, em especial, por Animação Japonesa.

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