Sound! Euphonium © Kyoto Animation Co.,Ltd.

Sound! Euphonium, primeira temporada em análise

Produzido pela Kyoto Animation e do mesmo realizador de Clannad, Sound! Euphonium é um drama envolvente que não vais querer perder.

Lançada em 2015, “Sound! Euphonium” é uma série anime do estúdio Kyoto Animation e que contou com o mesmo realizador de êxitos como “Clannad”, “Air” ou “K-On!”. A história é extremamente simples e linear. E no entanto, é também empolgante e bastante sincera, em todos os seus aspectos.

Comecemos pelo início. Kumiko, a protagonista, é uma jovem que fez parte de uma banda de estudantes na altura em que frequentava o ensino básico. Quando a sua banda falha a qualificação para o Concurso Nacional de Bandas, Kumiko não fica surpreendida ou desiludida. Isto porque ela nunca acreditou que a banda fosse capaz de tal feito. O mesmo não se verifica numa das suas colegas, Reina, que fica devastada com a derrota e perplexa com a reação de Kumiko.

Mais tarde, ao entrar para o ensino secundário, Kumiko decide ir para uma escola onde a vertente musical não seja muito forte. Não existe nela qualquer vontade de fazer novamente parte de uma banda de música. Por azar, é exatamente isso que acontece. E para piorar mais a situação, ela reencontra a sua ex-colega Reina, e a banda em questão tem como objetivo chegar ao Concurso Nacional de Bandas.

sound! euphonium

“Sound! Euphonium” procura mostrar como é fazer parte de uma banda de música. E quem diz de uma banda, diz também de uma equipa de futebol ou de um grupo de teatro. É um pouco indiferente, já que o propósito da série é mostrar a dinâmica do grupo em si. Especialmente quando este tem um objetivo a alcançar. Que tipo de conflitos e obstáculos podem surgir pelo caminho? Como reagem os membros do grupo? E a nível individual, como é que certos elementos se sentem face a determinadas adversidades? Quais os sacrifícios que estão dispostos a fazer pela banda?

O amadurecimento é um dos temas mais explorados em “Sound! Euphonium”. Este tema está especialmente presente na forma como os personagens são forçados a tornarem-se responsáveis pelas decisões que tomam ou pelas atitudes que têm. Por exemplo, vemos isto logo numa das primeiras cenas da banda.

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Antes de começarem os ensaios, o maestro coloca a seguinte questão aos alunos: querem tocar para se divertirem um bocado, estarem com os vossos amigos e criarem boas memórias, ou querem ter como objetivo chegar ao Concurso Nacional de Bandas? Após lançar a pergunta o professor tem ainda o cuidado de dizer que irá respeitar qualquer que seja a escolha do grupo. Mas alerta que, se quiserem entrar nas competições, tem de haver um verdadeiro compromisso da parte de todos, e o nível de exigência e de trabalho vai ser grande. A maioria dos alunos opta pela segunda escolha. E aqui surge o conflito principal da série.

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Apesar de todos quererem competir e tentar chegar ao concurso nacional, são poucos aqueles que realmente se esforçam para isso. Quer por preguiça ou malandrice, quer por estabelecerem outras prioridades, como estudar para os exames. É neste momento que o professor começa a tratar aquele grupo de jovens como adultos e confronta-os com a decisão que eles próprios tomaram, de livre vontade. Não existe qualquer tipo de condescendência para com os alunos. Esta atitude firme e rigorosa da parte do professor obriga os jovens estudantes a encararem com mais seriedade e responsabilidade o papel que cada um desempenha no grupo.

Mais tarde, esta questão volta a ser explorada em “Sound! Euphonium”, quando se instala um clima de grande tensão na banda. Nem todos os alunos terão oportunidade de atuar, por questões regulamentares da competição. Portanto, é preciso fazer audições e decidir quem está mais apto a representar a banda e a ajudá-la a qualificar-se para o concurso nacional. Como é natural, o que deve prevalecer aqui é o talento, e não as hierarquias ou estatutos dos alunos. Mas certas escolhas feitas pelo professor não são bem aceites. Principalmente quando uma caloira é escolhida para tocar o solo de trompete, em vez da aluna mais velha e finalista.

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Novamente, há elementos que não concordam com esta decisão, e tornam-se na origem de um ambiente stressante e tenso que invade a banda. Tudo porque só estão a pensar neles próprios, em vez de pensarem no que é melhor para o grupo. Desta forma, o professor decide fazer novas audições, e agora, quem escolhe a solista serão os próprios alunos. Com esta solução, o maestro volta a apelar ao bom senso e à responsabilidade dos elementos da banda, pois obriga-os a fazer a escolha consoante aquilo que é melhor para o grupo e para o objetivo que eles definiram, e não de acordo com aquilo que eles preferem.

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Ao longo desta temporada de “Sound! Euphonium”, existem outros momentos-chave que exploram esta questão da maturidade. Por vezes fá-lo na perspectiva do grupo, e noutras esse tema é abordado numa vertente mais individual. Eventualmente conseguimos notar um crescimento de parte a parte. Isto vê-se especialmente na dinâmica entre a banda e a protagonista, Kumiko.

Durante 13 episódios, a primeira temporada de “Sound! Euphonium” foca-se tanto na evolução da banda como na evolução de Kumiko. Quando a história começa, tanto a banda como a jovem encontram-se praticamente na mesma posição. À medida que a história se desenrola, vemos que o desenvolvimento do grupo e da protagonista estão constantemente a influenciar-se um ao outro. Eles crescem em conjunto.

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No início, a banda define um objetivo, mas não está propriamente a trabalhar em conjunto para o alcançar. Por vezes o foco desvia-se para questões que não são tão prioritárias e que não beneficiam em nada a banda. Ao longo da temporada, esta realidade altera-se. Em grande parte, pela interação dos vários membros da banda e pela maneira como se relacionam. Mas o inverso também acontece, e vemos a dinâmica da banda a influenciar individualmente certos elementos.

Olhemos então para o caso da protagonista. Ela toca bem o seu instrumento (bombardino), mas nunca se dedicou completamente a ele, de modo a tornar-se na melhor música de bombardino. Porque não é bem isso que ela quer. Quando a história de “Sound! Euphonium” começa, ela nem queria estar ligada a nada que tivesse que ver com música, e muito menos com competição. Eventualmente ela junta-se à banda. Não por vontade dela, mas porque o seu novo grupo de amigas a convenceu. No momento em que os alunos decidem se querem ou não competir no concurso nacional, Kumiko fica indecisa. Ela sabe perfeitamente que a sua vontade é tocar por lazer. Mas não é capaz de o admitir. Assim, a protagonista não opta por nada na votação e junta-se à decisão da maioria.

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Durante muito tempo, é notório que não existe um investimento pessoal e emocional da parte dela tanto no seu instrumento como na banda. Ela está lá, por estar. Não sente o mesmo desejo ardente de chegar ao concurso nacional, como outros dos seus companheiros. No entanto, quando ela começa a ver os seus colegas a ensaiarem horas a fio, a empenharem-se e a esforçarem-se, ela acaba por encontrar motivação para se focar nos seus ensaios. Até que chega a um ponto de entrega total e consegue, por fim, compreender certas reações de companheiros seus. Como o caso de Reina, na altura em que as duas estavam no ensino básico e a banda delas não se qualificou para a competição nacional.

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Ver estas duas evoluções a par e passo é o que torna “Sound! Euphonium” tão envolvente, empolgante e emocionante. Chega inclusivamente a ser satisfatório testemunhar a experiência vivida por aquele grupo de alunos. Gradualmente, vemos uma banda completamente fragmentada, desligada e sem ânimo transformar-se num grupo em absoluta sintonia.

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Como já tivemos oportunidade de referir, “Sound! Euphonium” é uma série da Kyoto Animation. Para quem já viu trabalhos anteriores do estúdio, não ficará espantado com a qualidade da animação desta série. O estúdio japonês é famoso por ter uma das melhores animações da indústria. E esta série não foge à regra. A animação é magnífica. Para além de conter cenários que parecem autênticas pinturas, é de salientar o detalhe que é dado à animação dos gestos mais comuns e banais, à semelhança do que é feito noutros estúdios, como o Studio Ghibli.

Como por exemplo, quando um personagem se descalça. Alguns animadores poderiam menosprezar este gesto. Mas na Kyoto Animation, dão-lhe muita importância. Não só pelo lado mais exibicionista, digamos, onde eles encontram aqui uma oportunidade para demonstrar como são capazes de animar este gesto de uma forma realista. Mas também porque é um momento onde se consegue delinear traços da personalidade ou o estado de espírito do personagem. Esta é uma das principais características e qualidades da animação da Kyoto Animation. Cada movimento feito por um personagem é uma oportunidade para nos revelar algo sobre ele. Seja uma troca ou desvio de olhares, pequenas mudanças na sua postura ou a forma como se senta.

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Sendo um anime sobre música, a banda sonora tem um papel fulcral em “Sound! Euphonium”. Não iremos debater sobre a qualidade das músicas interpretadas ao longo dos episódios. Contudo, tal como acontece na animação, o som em “Sound! Euphonium” é altamente realista. Durante os 13 episódios, o espectador ouve determinadas músicas várias vezes, ou simplesmente pequenos excertos de uma música. Isto acontece porque a série dedica muito do seu tempo a mostrar-nos os ensaios quer em grupo, quer individuais. Acontece que nem todos os ensaios soam da melhor maneira. E a série não tenta camuflar isso. Portanto, há alturas em que estamos a ouvir a banda (ou um membro da banda) a tocar, e percebemos que estão desafinados, que erraram numa determinada nota ou não estão no tempo certo. Mas depois, também temos cenas onde é impossível não ficarmos maravilhados com as performances musicais. “Sound! Euphonium” permite que o espectador mais leigo no campo musical seja capaz de perceber quando é que uma peça está a ser bem ou mal tocada, ou quando é que os personagens estão a melhorar ou a ter dificuldades nos ensaios.

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“Sound! Euphonium” apresenta-se assim como um excelente drama, aconselhado especialmente para os fãs de slice of life. Tem uma narrativa bastante coerente, cujo desenvolvimento é feito a um ritmo adequado, permitindo explorar a evolução e o crescimento dos personagens, como indivíduos e nas relações que partilham entre eles. De salientar o retrato que “Sound! Euphonium” faz sobre a dinâmica e as vivências de um grupo que se encontra inserido num ambiente de competição.

 

7.5/10

 

Sound! Euphonium | Trailer

Sound! Euphonium, primeira temporada em análise
sound! euphonium

Name: Sound! Euphonium (Hibike! Euphonium)

Description: Depois de jurar afastar-se da música após um incidente na competição regional de bandas do ensino básico, Kumiko Oumae entra no secundário na esperança de ter um novo começo. Mas o destino prega-lhe uma partida quando ela se vê rodeada de pessoas interessadas na banda de música da escola. Assim, Kumiko tem de encontrar novamente motivação para entrar no mundo da música, com a ajuda das suas novas amigas, mas também de colegas antigos como a trompetista Reina Kousaka. No entanto, um ambiente caótico assola a banda. Apesar de ter como intenção qualificar-se para a competição nacional de bandas, no estado em que se encontra, até um simples festival local representa um grande desafio. A menos que o novo professor da banda, Noboru Taki, consiga dar a volta à questão.

  • Filipa Machado - 75
75

CONCLUSÃO

O MELHOR: Retrato realista sobre a experiência de fazer parte de um grupo num ambiente competitivo. Evolução positiva e credível dos personagens. Animação como complemento à caracterização dos personagens.

O PIOR: A simplicidade da narrativa pode tornar-se num obstáculo para quem queira ver uma série com mais drama ou intensidade do que existe em "Sound! Euphonium".

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Filipa Machado

Licenciada em Estudos Artísticos e uma grande apaixonada (e viciada) por Literatura, Televisão, Cinema e, em especial, por Animação Japonesa.

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