Elena e Damon em The Vampire Diaries (© Bob Mahoney/ The CW/ HBO Portugal)

A Redenção de Damon Salvatore (Parte V)

Damon Salvatore não começou a história já salvo, como certos vampiros pouco memoráveis, mas foi salvo pelo amor. Não há outra explicação para o fascínio desta personagem.

O eixo subliminar do triângulo

Em “Disturbing Behavior”, Caroline obriga Elena a reconhecer que “[no] matter what he does, Damon’s gotten under your skin […], you are attracted to him in all of his bad brother glory”. Verdade que Elena se recusa a admitir porque, se o fizer, “if I even let the thought in for just a second, what does that say about me?” A resposta é, como sempre em The Vampire Diaries, que “you’re human”. Muito tempo depois, durante o doloroso processo de apagar as memórias dele, Elena recordará o momento em que, à laia de presente de anos, Damon lhe trouxera o colar de verbena que Stefan lhe oferecera, no princípio de tudo, como protecção contra a compulsão mental de Damon, precisamente: “Even though he loved me he gave me the one thing that represented hope for me and his brother. I knew how much it hurt him, but he did it. It was the most selfless that he’s ever been and in that moment I loved him. I didn’t want to. It terrified me, but for that moment I loved him.” Como é óbvio, não faltavam razões para temer e evitar este sentimento que ia inadvertidamente ganhando terreno.

Elena sabe desde o início que, no caso dela e Damon, “you and I, we have something, an understanding”, um laço que era ainda incipiente e já não admitia traições,[1] datando talvez do primeiro encontro na casa dos Salvatore ou da conversa tida enquanto Damon a ajudava a arrumar a cozinha, na primeira vez que fora a casa dela. Quando Elena lhe disse que “I’m sorry about Katherine, you lost her too”, qualquer coisa cedeu e desarmou no interior do vilão, entrincheirado na sua jura de eterna miséria ao irmão.[2] O entendimento era forte o suficiente para superar o terror e ódio iniciais, aquando a descoberta da natureza e vilania de Damon, e foi crescendo por entre viagens de carro, conversas na cozinha ou no quarto de Elena – lugar onde um Damon Salvatore que não conhece quaisquer limites se sente obviamente à vontade – e a companhia em momentos significativos da vida de Elena, desde o baile de debute à necessidade de resgatar Stefan das suas temporárias perdas de humanidade.

A Redenção de Damon Salvatore
Elena Gilbert e Damon Salvatore em “The Descent” (© The CW/HBO Portugal)

O estreitar-se do laço não veio sem confusão ou remorsos para Damon. Nos primeiros tempos é incerto, para nós mas também para ele próprio, qual o objecto do seu desesperado amor. É o que o atrai em Elena o rosto de Katherine, a evocação da presença dela, a sua continuidade? Ou será antes a possibilidade de possuir qualquer coisa de Elena o que o impele a libertar Katherine do túmulo e dispor-se, mais tarde, a perdoar-lhe? Clarificados os sentimentos, a lealdade com o irmão é, apesar de tudo, maior do que a vilania e Damon Salvatore “sente-se atormentado por isso”[3]. Os remorsos não o impedirão de tentar conquistar Elena nem serão tão fortes que Damon consiga resistir sempre aos impulsos mas, à medida que o laço entre ele e Stefan se vai regenerando, cresce também a culpa “for wanting what I want”[4]. Quanto a Elena, “está a cair numa profunda, profunda, profunda amizade e confiança com a pessoa mais improvável da sua vida,” diz Julie Plec. “Penso que é realmente muito complicado para ela porque vai obrigá-la a fazer toda a espécie de perguntas sobre ‘Quem sou eu?’, ‘Porque amo como amo?’, ‘Porque amo quem amo?’, ‘O que é suposto eu fazer quanto a isso?’ É uma pergunta a longo prazo para ela.”[5]

Damon Salvatore | “Wanting what I want”

Mas o que Elena Gilbert e Damon Salvatore não admitem ou guardam para si, acerca do qual tanto se confundem ao início e contra o qual vão lutando por diversas razões, a câmara revela. A montagem articula o que permanece soterrado na consciência, escondido no lodo de intenções e desejos imprecisos, dando-lhe voz ao mesmo tempo que o constrói, adensando subliminarmente a tensão tecida pelo argumento. No episódio final da primeira temporada, “Founder’s Day”, antes da parada, por entre rodeios, piadas e ameaças veladas, Damon e Stefan discutem as intenções do primeiro e os ciúmes do segundo. Damon acusa o irmão de temer que, saindo Katherine de cena, ele volte a sua atenção para Elena. “But don’t worry, Elena is not Katherine,” acrescenta Damon, em grande plano. Depois do contra-campo em que Stefan concorda, e avisa, que “you’re right, she’s not”, voltamos ao campo onde Damon ergue ligeiramente a cabeça e olha para a direita, para lá de Stefan. A câmara atravessa o eixo da acção e um plano médio une os dois irmãos, mostrando-nos novamente Damon de frente, a olhar agora para a esquerda, e Stefan a voltar-se na direcção do olhar do irmão. No plano POV, Elena aparece com um vestido de crinolina, o cabelo arranjado em cachos, olhando distraída em redor, pronta para desfilar. Um grande plano de Stefan revela-nos a sua consternação, talvez por temor do que tal parecença com Katherine possa trazer. Segue-se um novo plano de Elena, que repara finalmente nos irmãos, olhando primeiro para Stefan e depois para Damon. A direcção do olhar introduz um grande plano deste último, atónito, a respiração suspensa por instantes, antes de a cena encerrar em Elena, que se curva numa vénia, olhando por fim e demoradamente para a esquerda, onde Damon se encontra fora de campo. Em vez de sublinhar o argumento, a relação oficial entre Elena e Stefan e os ciúmes deste último, o enquadramento e a montagem colocam Damon no centro, ao ter a câmara a atravessar a linha dos 180° e colocando-a em cima do novo eixo de acção para que o possamos ver a ele de frente, por um lado, e ao fazer a cena culminar na sua reacção e não na de Stefan, por outro. O assunto da cena converte-se por isso no impacto que a aparição de uma Elena inconscientemente vestida de Katherine tem nele. Não será a única vez em que, encontrando-se os três juntos, a análise da cena juntará Damon e Elena em detrimento de Stefan.

No enterro de Jenna e John[6], Elena coloca rosas também na campa dos pais, momento em que acaba por soçobrar, o olhar perdido na própria dor. Segue-se um grande plano de Stefan, a impotência no rosto intensificada pela falta de conexão entre os dois planos, cuja inversão só serve para prometer uma relação que não acontece. Stefan assiste silencioso ao sofrimento, um pouco de fora, um pouco atrás. Já o plano seguinte de Damon, que passa e contempla Elena dirigindo o olhar para baixo, encontra resposta no contra-campo dela, olhando para cima na sua direcção. Novo campo e contra-campo confirmam a troca de olhares, numa alusão talvez à desavença entre eles, causada pela violência com que Damon tentara salvar Elena e pela qual pedirá perdão no dia seguinte, sem sucesso. Mas, seja qual for a motivação desta sequência, no final é com Damon e não Stefan que se dá um encontro neste instante dramático da vida de Elena. Já na terceira temporada, em “Dangerous Liaisons”, a entrada de Elena no baile dos Mikaelsons é antecipada por um grande plano de Damon, cujo olhar, seguindo Kol a afastar-se, é atraído para um ponto em frente. A câmara alterna então três vezes entre o grande plano de Damon, estupefacto tanto pelo inesperado como pela magnificência da aparição, e o plano POV de Elena em todo o seu esplendor. Como sempre, a música – neste caso a “Devotion”, dos Hurts – parafraseia a acção ao milímetro, desde o verso “could I walk away” ao som do qual Kol se afasta até ao refrão que acompanha a entrada de Elena sob o olhar de Damon: “Devotion save me now/ I don’t wanna stray from the hallow ground/ I’ll turn temptation down/ I’m asking you to take me to safety this time”. Um travelling frontal vai fechando os planos e acentuando a aproximação entre eles, na mente de Damon mas também na dos espectadores. Só então Stefan entra em cena, sobressaltando Elena com a sua presença e devolvendo-lhe a pergunta sobre a razão de ali estar. De facto, Damon era o único dos três que devia ir ao baile e toda a sequência poder-se-ia explicar pela necessidade de encenar a surpreendente revelação, para ele e para a audiência, da vinda inopinada dos outros dois. Ainda assim, o eixo do triângulo realçado pela montagem acaba por ser o de Damon e Elena, cuja cena, saída do conto da Cinderela, contraria a linha principal do argumento ao retirar a Stefan o protagonismo.

The Vampire Diaries | Entrada de Elena no baile

Um dos segredos do sucesso das primeiras três temporadas da série é a sofisticada arquitectação do triângulo amoroso. Recorrendo às várias componentes da arte cinematográfica, do argumento à montagem, a equipa criativa conseguiu um equilíbrio de forças capaz de levar o espectador a identificar-se com a dificuldade de escolha de Elena. Não se trata só de ambos os irmãos e a relação peculiar de cada um deles com Elena merecerem igualmente o nosso fervor e atenção. É que a unidade na competição, a necessidade de se juntarem para protegerem a vida de Elena, por um lado, e salvarem a humanidade ora de Damon, ora de Stefan, por outro, constrói uma tensão digna da melhor dialéctica hegeliana. O final da cena da chegada de Elena ao baile da família de Klaus, quando ela avança de braço dado com os dois irmãos Salvatore, constitui talvez o instante mais icónico da síntese desta tensão. Uma resolução que pode ser apenas momentânea porque, como Isobel pressagiara duas temporadas antes, “as long as you have a Salvatore on each arm you’re doomed”[7], principalmente no caso de Elena para quem, ao contrário de Katherine, talvez não seja “okay to love them both”[8]. Mas, enquanto dura, torna-se impossível não estimar o carácter único da estranha amizade que a história forjou entre os três, cuja particularidade escapa a qualquer categorização. Com o verso da canção que ecoa antes mesmo de Elena tomar o braço de cada um dos irmãos, somos obrigados a concordar que “I could never live without you”. Cada um deles sem os outros dois e nós sem eles os três.

A profundidade da estima aqui em jogo não se explicaria se esta fosse apenas uma novela sentimental. Visitando a letra completa da canção reencontramos a raiz da afeição suscitada por este triângulo supostamente amoroso: “Devotion, devotion/ I’m a slave onto the mercy of your love/ For so long I’ve been so wrong/ I could never live without you”. É importante notar que o imaginário gótico não é acidental ao enredo. Os irmãos Salvatore serem vampiros não é um pretexto para uma história romântica cujo conteúdo poderia ser igualmente expresso numa série como Dawson’s Creek, por exemplo. Ou se era, deixou de o ser assim que os produtores decidiram levar a sério o problema do mal e a necessidade de salvação intrínsecos ao género da ficção de vampiros. A presença central da luta com a morte e a maldição elevam a narrativa do nível sentimental, por melhor desenhado que seja, a um nível moral e metafísico que justifica a inclusão deste triângulo amoroso na memória colectiva. Esta centralidade, bem maior na série do que na tetralogia original, explica o deslize de Damon para o papel de protagonista, um resvalo que não só fazia todo o sentido no contexto da redefinição dos temas principais da história na adaptação à televisão como acabou por contribuir para essa redefinição.

Damon Salvatore, um monstro a salvar

Quando a história de The Vampires Diaries começa, na tetralogia de L. J. Smith como na série de Williamson e Plec, Stefan Salvatore já era um herói. Falível e atormentado, em contínua luta com os impulsos intrínsecos à natureza de vampiro, temeroso de magoar os que amava, mas por isso mesmo um herói. Deixando por agora de lado os problemas teóricos que a reconfiguração do vampiro de uma personificação do mal para uma espécie biológica predadora coloca, pode-se dizer que Stefan sabia já o que era o bem quando tudo começa, qual era a decisão certa a tomar, e desejava viver segundo esse conhecimento. O seu drama, o pathos que o caracteriza, é a queda constante de um ideal claramente divisado.

Em “Blood Brothers”, Stefan acusa-se de ter feito uma escolha, ao completar a transição para vampiro, responsável pela introdução de um rasto de sangue no mundo. O sentimento de culpa é tão doloroso e tão grande a tentação de o eliminar, cedendo à inconsciência da sede de sangue e do apagamento da humanidade, que Stefan tem medo de, um dia, desistir de lutar e acabar por magoar Elena: “I’m so terrified that one day I’m not gonna wanna fight anymore, Elena. The next time I hurt somebody it could be you.” Esta consciência da sua monstruosidade e da dificuldade em mantê-la sob controlo, colocando em risco os que ama, é um traço essencial de Stefan e justifica a hipótese de que Stephanie Meyers se tenha inspirado nele para criar a personagem de Edward Cullen (é, pelo menos, uma explicação empiricamente mais verosímil do que a sugestão onírica). Elena recorda-lhe que ele também fez escolhas no outro sentido: “You also made a choice to stop, to reject the person that the blood made you. You made a choice to be good.” E se não pode estar certa de que não haverá uma próxima vez é só porque o livre-arbítrio existe: “What I do know is that you can take [the ring], throw it in the quarry and let the sun rise. Or you could take this ring and put it on and keep fighting. It’s your choice.”

A Redenção de Damon Salvatore
Stefan Salvatore e Elena Gilbert em “Brave New World” (© The CW/HBO Portugal)

Quando se pensa que, não importa quão infame e mortífero, Damon nunca teme ferir Elena a não ser quando sob o efeito de alguma infecção, como a do veneno de lobisomem ou o vírus de Wes Maxfield, percebe-se a diferença entre os irmãos e os respectivos dramas pessoais. Para Stefan, na linha de uma cultura que identifica o vampirismo como uma monstruosidade e símbolo de perdição, ser vampiro constitui uma deficiência moral que importa combater, não interessa quão enraizada, e a ausência de quaisquer dúvidas sobre isto é própria de um ser humano saudável. Já Damon vê o vampirismo como uma forma de predação, que integra o ecossistema, e a satisfação das suas exigências como alheias a quaisquer considerações éticas. Se os nossos vampiros fossem personagens de um romance de Jack London (não por acaso o autor é mencionado na série), Damon Salvatore teria razão. E, paradoxalmente, é este à-vontade com a sua natureza vampírica que lhe permite controlar-se e saber que Elena não corre perigo junto de si. Mas dado que o assunto de The Vampire Diaries é a humanidade e não a vida selvagem, seja o vampirismo uma forma de predação ou de malevolência, não há qualquer reconciliação possível entre as duas naturezas. Por isso, Damon só pode ser entendido como um ser humano doente, precisado de salvação.

Penso que não há nada de tão tangível como hoje ser um deles bom e o outro mau e amanhã ser diferente. Julgo que a evolução destas personagens ao longo da série é haver duas coisas em jogo neles, isto é, tratarem-se de dois irmãos que foram em tempos humanos, viveram uma existência humana e tornaram-se vampiros, coisa que rotulámos [a semana passada] de espécie predadora. Essa batalha está constantemente a ser travada dentro dum e doutro. Damon, à sua estranha maneira, lida melhor com ser vampiro do que lida com ser homem. Stefan é melhor como ser humano do que é como vampiro e daí a troca de papéis e onde um se encontra relativamente ao outro ter normalmente a ver com quem está a passar pela batalha interior maior.[9]

Se Elena só precisa de sustentar Stefan no esforço de viver segundo o ideal de humanidade que este entrevê com clareza, no caso de Damon trata-se de um processo de conversão. Em certo sentido, Stefan já estava salvo quando Elena o encontrou, mas Damon Salvatore era ainda “only a monster that must be stopped”. Esta descrição de Stefan em “Friday Night Bites” precisa de ser qualificada. Por um lado, apesar dos períodos de desalento e descrença, Stefan pressente e deseja que Damon não tenha perdido completamente a sua humanidade. E por isso não lê o ódio que o irmão lhe tem como pura malevolência mas consequência do amor a Katherine, por cuja perda o responsabiliza: “Katherine is dead. And you hate me because you loved her and you torture me because you still do. And that, my brother, that is your humanity.”[10] Por outro lado, uma vez mais a montagem revela o que Damon tenta esconder. Para contestar o irmão, e torturá-lo um pouco mais, Damon mata o treinador Tanner, que em má hora chegou para gritar a Stefan que fosse jogar. Mais tarde, enquanto ouvimos Stefan desabafar no diário a iludida esperança de que “somewhere deep inside something in Damon was still human, normal”, a câmara leva-nos até ao quarto de Elena, que dorme profundamente. “I was wrong, there’s nothing human left in Damon, no good, no kindness, no love” diz Stefan, quando percebemos que o irmão está ali e contempla o rosto dela. E no preciso momento em que ouvimos “only a monster that must be stopped”, Damon passa ao de leve o dedo por aquele rosto, não sabemos se por ser o de Elena, se por trazer Katherine de novo à vida. Dirá Elena mais tarde, ao ver os extremos a que chega o vilão para reabrir o túmulo, que “Damon believes that everything he’s done, every move, he’s done for love, it’s twisted but kind of sad.”[11]

Damon Salvatore | “Only a monster that must be stopped”

Damon Salvatore não começa a história como simples monstro, mas um monstro capaz de amar e ninguém como Elena, “savior of the cursed and the damned”[12], será tão capaz de o ver e dar a ver, antes de mais ao próprio Damon. Por isso, mesmo se também ela terá os seus bem compreensíveis momentos de crise, ao descobrir o que Damon fizera à mãe Isobel (“Just as I was starting to think there was something redeemable about you”) ou, mais tarde, ao ver o ataque a Jeremy ou saber da morte de Aaron, no final, o vampiro que chegara a Mystic Falls “wanting to destroy it”, o vilão que se surpreendera a tentar proteger a cidade quando não há em si um átomo de heroísmo (“I don’t do good, it’s not in me”), é obrigado a reconhecer, perplexo e comovido, que “somewhere along the way you decided that I was worth saving”[13].

Damon passou pelo rápido processo de chegar à cidade com uma agenda secreta, descobrir que essa agenda estava completamente errada e decidir ficar na cidade porque se começou a interessar por certas pessoas. Isso subiu imensamente a parada. Quando se forjam relações, corre-se o risco de se interessar, torna-se difícil ir embora. E Damon, infelizmente, descobriu-se a querer, subconscientemente, alimentar essas relações.[14]

Ian Somerhalder descreve o momento decisivo no processo de conversão de Damon Salvatore, que levaria mais tarde Rose a dizer-lhe, ela que vivia fugindo há quinhentos anos, sem um lugar a que chamar casa há tanto tempo, “you’ve built a life, wether you want to admit it or not”[15]. Apaixonado por Elena, Damon torna-se “esta personagem relutante que não quer ser o herói, não é o seu papel na vida, não é bom nisso, com Elena ali a pressioná-lo para ser o herói, quando a sua natureza é matar pessoas”[16]. Acaba por ficar, vendo-se obrigado a protegê-la a ela, aos amigos e à cidade, primeiro de Katherine, depois de Klaus, a seguir de todo o seu clã e mais tarde, do Caçador de vampiros e outros perigos, quando já nada o prende a Mystic Falls, perdida a esperança de conseguir Elena para si e morto o único amigo, junto de cujo túmulo resmoneia: “Thanks for leaving me here to babysit because I should be long gone by now. I didn’t get the girl, remember? I’m just stuck here fighting my brother and taking care of the kids.”[17]

O egoísmo de Damon Salvatore

Embore Damon Salvatore abandone o papel de vilão, todas as suas decisões são tomadas em função do desejo egoísta de obter Elena, de não a perder, e não “for the right reasons”, como lhe diz Stefan, uma vez que “it’s only real when it comes from your desire to do the right reason for nothing in return, […] an entirely foreign concept to you.”[18] De facto, para Damon, não há razões certas independentes da relação com Elena. O bem dela, que é o seu bem, converter-se-á no propósito último do seu agir e a regra de distinção entre o certo e errado, a sua “bússola moral”. Certo é mantê-la viva e certo é tudo o que ela lhe diz para fazer, excepto quando isso não a mantém viva. Refreará os instintos de predador, batalhará a sua natureza, para ser “the better man” que Elena lhe pede que seja, em “Daddy Issues”, mesmo se o carácter impulsivo e pragmatismo moral muito discutível (“He’s a werewolf, he needs to die, I’m willing to kill, it’s a win-win”) se ressintam e rebelem contra esta exigência de contenção: “You need to stop doing that, assuming that I’ll play the good guy because it’s you who’s asking”[19] Como diz Julie Plec, “para Damon, não querer comprometer ou sacrificar este laço mesmo íntimo que tem vindo a crescer entre si e Elena vai ser um dos desafios, ‘como não dar cabo disto como normalmente faço?’”[20]

No final, Damon acabará por se vergar à vontade de Elena, desde que a existência dela não corra risco, caso em que se verá ou julgar-se-á obrigado a contrariá-la nos seus desejos e intenções. Aqui, não se importa de tomar todas as decisões de vida ou morte, frequentes nas circunstâncias anormais de perigo em que vivem, e ser “the bad guy” porque “at the end of the day, I’ll be the one to keep her alive.”[21] Damon, “who has never put anyone’s life before mine, including his own”[22], avisa Elena de que se for preciso decidir entre ela e a feiticeira, deixará Bonnie morrer sem problemas, porque “I will always choose you”[23]. E se tivesse sido ele e não Stefan a saltar para o rio, no desastre que a vitimou, Matt estaria morto, diz-lhe Elena. “But you wouldn’t be”, responde-lhe. “And you would have gotten to grow up, have the life that you wanted, the life that you deserved. And I know that I didn’t use to get that but I do now. And I wanted that for you, Elena. And I would have gladly have given it to you and let Matt die because I am that selfish.”[24] Estas e outras decisões, como forçar Elena a beber o seu sangue, para garantir que ela regressaria, nem que fosse como vampiro, do confronto com Klaus[25], ou recusar-se mais tarde a tomar a cura porque, tornando-se humano, só a teria por alguns anos[26], acabam por ferir a própria Elena: “You know what I really am? Selfish. Because I make bad choices that hurt you.”[27]

Damon Salvatore | “I can’t be selfish with you”

Damon Salvatore, no seu hedonismo e egoísmo, subsume e sacrifica tudo à sobrevivência e felicidade de Elena, cuja perda lhe é insuportável (“I can’t loose you”[28]). Mas se há uma pessoa com quem não pode ser egoísta, por quem sacrifica o egoísmo ele próprio, é Elena. Com a ambivalência e mescla de motivos que o caracteriza, não consegue impedir-se de desabafar o amor que lhe tem, encontrando um modo de o fazer ao compeli-la a esquecer a confissão: “I just have to say it once. You just need to hear it. I love you, Elena. And it is because I love you that I can’t be selfish with you. And why you can’t know this. I don’t deserve you. But my brother does. God, I wish you didn’t have to forget this. But you do.”[29] Não importa quão discutível ou desajeitado seja o obstáculo do laço de geração (sire bond) como estratégia de enredo, foi a oportunidade de Damon revelar a gratuidade dos seus motivos, ou superar a falta dela, no que respeita a Elena. Se os sentimentos dela resultam apenas do laço, então não são reais e é preciso que ele a liberte, mandando-a embora, mesmo que Elena lhe peça para não o fazer: “I don’t wanna do this, Elena! I’m not the good guy, remember? I’m the selfish one. I take what I want, I do what I want, I lie to my brother, I fall in love with his girl. I don’t do the right thing, but I have to do the right thing by you.”[30] Não será a única vez que abdicará dela. Tentará fazê-lo quando julgar que a está a corromper, mudando-a para pior: “I’m choosing to relieve you of having to defend me for every awful thing I’ve ever done. […] I won’t change who I am. I can’t. But I refuse to change you.”[31] E, uma vez regressado do mundo prisional de 1994, ao perceber que Elena, apagando as memórias dele, conseguira recomeçar a vida recuperando um pouco da existência que desejara ter quando humana, uma vez mais aceita largá-la: “I need you to live your life. Be happy. I love you, Elena. Enough to let you go.”[32]

Damon Salvatore | “I’m ready for a little reality, if you are”

Não é só da posse de Elena que Damon Salvatore está pronto a desistir, sempre que lhe pareça que o bem dela é outro, mas também da sua natureza. Ele que, ao contrário de Stefan, retirava prazer do exercício do vampirismo, não conseguiu, ao princípio, dar o passo de desejar tomar a cura para poder ser humano juntamente com Elena:

“Be human with me. We can be together, grow old together. This doesn’t have to be hard anymore.”

“That’s not me, Elena. That’s Stefan. You know, I used to miss being human. Now I can’t think of anything more miserable on Earth.”[33]

Mas com o passar do tempo, a travessia de obstáculos como o laço de geração, o mal cometido, a ausência e a amnésia, com o avanço da relação e a lenta conversão, Damon descobriu-se pronto a sacrificar o vampirismo para que Elena não tivesse de recusar a vida humana que tanto desejava para ficar com ele: “You’re gonna take the cure, Elena, and I’m gonna take it with you. […] I don’t want to face my future without you. I’ll become human too.”[34] Por mais épica que a vida deles como vampiros pudesse ser, “I’ve had so much fantasy in my life, Elena, enough for a hundred lifetimes, I’d give it all up for one life with you. […] I’m ready for a little reality, if you are.”[35] E quando Elena tentar, por todos os meios, dissuadi-lo de abandonar o vampirismo por qualquer outra razão que não o desejo de ser humano, Damon lembrá-la-á de que o gosto de uma vida humana vem do que dá sentido a essa vida, única razão para a abraçar:

“I’m taking it. I’ve been a vampire for a long time, Elena. It’s been a blast, but I would give it up in a second to be your husband, your partner, the father of your kids.”

“You can’t take it just for me.”

“That’s what you and Stefan keep saying but you’re wrong. I can. I can take it for us, ok? Because even if it doesn’t work, even if it all goes to hell, even if I’m miserable and alone, the smallest chance at the perfect life with you is infinitely better than an immortal one without you. And I know this, Elena. I love you and I will love you until I take my last breath on this Earth.”[36]

Quem é Damon Salvatore sem Elena Gilbert?

O último obstáculo fantástico que a relação entre Damon Salvatore e Elena Gilbert deverá superar, o sono de Bela Adormecida, será a ocasião de novo crescimento e completude do processo de conversão deste vampiro. Numa lógica onde o trigo vem sempre com joio à mistura, o hedonismo e egoísmo de Damon constituíam uma forma exacerbada, distorcida de conceber e perseguir o bem desejado, mas eram também um sinal, ainda que turvo, da capacidade de amar. Ainda que confusamente, o amor por Elena despoleta a consciência de Damon[37] e torna-se o meio pelo qual a bondade entra na sua existência, influenciando-o lentamente, com uma força que não pode ser detida nem sequer pela pressão contrária exercida pelos erros e vícios de Damon: “You are literally the best person I’ve ever known. And for me to think that I could change you gives me way too much credit and you not nearly enough. You are the best influence on me. I need you. You’re the good. And I need a little good in my life. Because without it there’s an awful lot of darkness.”[38] Nunca terá maior consciência do impacto das suas más acções, nunca o remorso será tão agudo como quando é Elena a vítima do seu mal: “Please, Elena, feeding you my blood, I was wrong. […] I know I don’t deserve your forgiveness but I need it”[39]. A presença dela, o desejo de não a perder impele-o a dominar os impulsos e a corrigir o seu pragmatismo moral, a recuperar um vocabulário do qual as palavras “certo” e “errado” de novo fazem parte: “Despite every nerve in my body wanting to break someone or hurt someone or do all the wrong things for the right reasons, I’m holding it together the best I can for you.”[40]

Damon Salvatore | “You are the best influence on me”

No tempo, Damon foi aprendendo a amar não desordenadamente mas com justiça, num caminho que culminaria em salvar Bonnie das feridas mortais infligidas por Kai, apesar de saber que, com isso, perderia Elena por mais de meio século. Esta era precisamente a escolha que ameaçara nunca fazer. Desaparecida Elena, contudo, será preciso que Damon descubra quem é longe dela: “So who is Damon Salvatore without Elena Gilbert? A selfish friend? A jealous brother? A horrible son? Or maybe with a little luck I’ll do right by you because you may be a thousand miles away or a hundred years away but you’re still with me and my heart is right there in that coffin with you.”[41] Trata-se de saber qual a extensão exacta da influência de Elena sobre a sua personalidade, até que ponto é a conversão definitiva, incidindo sobre crenças, desejos, reacções, sentimentos e decisões.

Ao princípio, aquando a descoberta da responsabilidade de Lily no sono de Elena e a ocupação de Mystic Falls pelos Heréticos, Damon Salvatore parece ter recuado até ao ponto inicial, recaindo no egoísmo e métodos questionáveis de resolver os problemas:

“Proving that I do bad things for the people I love?”

“This isn’t about what you do in her name, Damon. It’s about what you do in her absence. […] You tell yourself that you’re protecting Mystic Falls for Elena. You convince yourself that you’re keeping her safe by any means necessary. You justify punishing Lily for Elena’s sake. Did you ever once think ‘what would Elena do?’”

“I never had a chance to ask, thanks to Lily.”

“Ah, so you had to ask? Is Elena’s influence on you so weak that you can’t tell right from wrong without her holding your hand?”[42]

Na realidade, Damon não regressará só à casa de partida mas, bem pior, descerá (literalmente) ao abismo infernal. Rejeitará a mãe Lily à hora da morte, perdendo-a pela terceira vez; abandonará irmão e amigos, preferindo não agir a arriscar-se a agir erradamente; ao salvar Bonnie, será possuído pela Sibila e obrigado a cometer até à náusea, por ela e depois Cade, aquilo que antes lhe fora natural como vampiro; arrastará o irmão na sua perdição, ainda que para salvar as filhas de Alaric; e, por fim, recuperará a humanidade só à custa de ser avassalado pelo insuportável sentimento de culpa por tudo o que fizera ao longo da vida, antes e durante a possessão. Como se o último passo na estrada da conversão fosse, conhecida outra forma de viver, experimentar em força a antiga existência não só para lhe perceber todo o horror e ganhar aversão visceral, mas para, acima de tudo, testar a profundidade da presença de Elena em si.

A Redenção de Damon Salvatore
Damon & Elena em “Birthday” (©Annette Brown/The CW/HBO Portugal)

Obrigado a desligar a humanidade assim que possuído mentalmente pela sereia, a fim de esconder dela as pessoas que estimava, “because if you care for nothing it can see nothing”[43], Damon desce até àquele “one small piece of his mind tucked away someplace safe, one final sliver of humanity holding on for dear life buried deep inside” onde, adormecido, se refugia para, diante das memórias soterradas dela, lhe suplicar: “Elena, I need you. I don’t know how much longer I can fight.” Como explica Somerhalder: “Elena nunca se foi realmente embora. Ela está sempre presente e tem um grande papel na moralidade de Damon, no seu entendimento de quem é – especialmente nestes últimos episódios. Apesar de tudo aquilo em que se envolveu, ainda está a tentar tomar decisões que Elena aprovaria, porque ela ainda é a luz da sua vida, mesmo submerso na escuridão da ausência dela.”[44]

No final, confrontado com o dilema de decidir entre as duas pessoas a quem mais quer na vida, Damon Salvatore será capaz de fazer a mesma escolha que Lily fizera numa situação semelhante[45] e que teria sido também a de Elena. Se antes colocara a vida do irmão em risco para não perder a oportunidade de uma vida com ela[46], causando o segundo aprisionamento da mente dele no inferno da Espada da Fénix, quando Cade lhe deu a escolher entre salvar a alma de Stefan ou a de Elena, Damon ofereceu-lhe a sua, abdicando de um futuro com a mulher amada para que o irmão pudesse viver mais uns anos: “I choose me”[47].

A história é apanágio dos pecadores

Para Damon Salvatore, o encontro com Elena não constituiu apenas, como para Stefan, uma companhia na travessia da estrada do bem mas a própria possibilidade dessa estrada, a sua vinda e abertura. Ao longo da série, é de si mesmo que Stefan retira o conhecimento do bem. Em “I Went to the Woods”, dirá a Damon que, acabado de sair do inferno, sem saber quem era ou onde estava, o seu primeiro instinto fora salvar as pessoas do autocarro. Ao que Damon replica, quando Stefan lhe pergunta onde estão os instintos dele, o que lhe diz a voz dentro dele: “Do you want me to say what we both already know? Fine. I’m selfish. I’m angry. I am impatient. And yes, until I met Elena, I wasn’t interested in doing the right thing for anybody.” É o amor por Elena Gilbert que define Damon Salvatore, é dele que toda a sua vida moral depende. Dir-lhe-á um dia que “I’m not gonna let someone else’s idea of destiny stop me from loving you or building a future with you, because you are my life”[48], e fará coincidir o próprio florescimento com ter sido amado por ela: “You are by far the greatest thing that ever happened to me in my 173 years on this earth. The fact that I get to die knowing I was loved, not just by anyone, but you, Elena Gilbert, it’s the epitome of a fulfilled life.”

Damon Salvatore | “If I’d chosen differently”

Se a única razão para que a história exista é a salvação do sujeito que a vive, sendo verdadeiro o aforismo de que a felicidade não tem história, Stefan nunca poderia ter sido realmente a personagem principal de The Vampire Diaries. Será o seu herói, mas não protagonista, porque a sua humanidade já estava salva desde o princípio. Dela poderia derrapar, sempre que perdia a fé no irmão ou sentia ciúmes dele, ou sempre que caía (nunca por causa sua) num período de Estripador. Mas era de uma humanidade plena, já constituída no início da história, que escorregava para de novo regressar a ela. Só de Damon Salvatore podemos dizer que houve um real, imenso crescimento, desde uma humanidade incerta, “aimless, always searching for something more”[49], no tempo em que era ainda vivo e se deixara enredar livremente na teia de Katherine, passando pela nefasta existência como vampiro, até encontrar em Elena, na bondade e no amor dela, o caminho e o sentido para a vida por que procurava. Quando alguém aceitou amá-lo como era, perdido ainda mas redimível na capacidade, ainda que desordenada, de amar, abriu-se-lhe a porta da salvação. E se a misericórdia não elimina o erro, transforma-o num bem ao fazer dele a estrada pela qual se chegou até ela:

“It’s ok, Damon. I’m right here.”

“Elena, get out of here. I could hurt you.”

“No, you won’t. I’m here until the very end. I’m not leaving you.”

“Get out of here.”

“Hey, it’s ok, it’s ok.”

“No, it’s not ok. All those years, I’ve blamed Stefan. No one forced me to love her. It was my own choice. I made the wrong choice. Tell Stefan I’m sorry, ok?”

“I will” […]

“I’ve made a lot of choices that have gotten me here. I deserve this, I deserve to die.”

“No, you don’t.”

“I do, Elena. It’s ok. Because if I’d have chosen differently I wouldn’t have met you. I’m so sorry. I’ve done so many things to hurt you.”

“It’s ok. I forgive you.”

“I know you love Stefan. And that it will always be Stefan. But I love you, you should know that.”

“I do.”

“You should have met me in 1864. You would have liked me.”

“I like you now, just the way you are.”[50]

The Vampire Diaries | A redenção de Damon Salvatore

Lê Também:
A Família de Vampire Diaries (Parte VI)

[1] “Fool Me Once”, temporada 1, episódio 14.

[2] “Friday Night Bites”, temporada 1, episódio 3.

[3] Christina Radish, “Kevin Williamson: The Vampire Diaries Interview”, Collider, 20 de Janeiro de 2012.

[4] “The New Deal”, temporada 3, episódio 10.

[5] Jim Halterman, “Interview: ‘The Vampire Diaries’ Executive Producer Julie Plec”, The Futon Critic, 11 de Outubro de 2011.

[6] “The Sun Also Rises”, temporada 2, episódio 21.

[7] “Isobel”, temporada 1, episódio 21.

[8] “As I Lay Dying”, temporada 2, episódio 22.

[9] Jim Halterman, “Interview: ‘The Vampire Diaries’ Executive Producer Julie Plec”, The Futon Critic, 11 de Outubro de 2011.

[10] “Friday Night Bites”, temporada 1, episódio 3.

[11] “Children of the Damned”, temporada 1, episódio 13.

[12] “The Murder of One”, temporada 3, episódio 18.

[13] “Founder’s Day”, temporada 1, episódio 22.

[14] Jaret Wieselman, “Ian Somerhalder: Damon’s Fighting for Something Bigger than Himself”, Page Six, 3 de Fevereiro de 2011.

[15] “The Descent”, temporada 2, episódio 12.

[16] “The Vampire Diaries: Kevin Williamson Interview”, Spoiler TV (inicialmente publicada em Buzzsuger), 27 de Julho de 2011.

[17] “Memorial”, temporada 4, episódio 2.

[18] “Founder’s Day”, temporada 1, episódio 22.

[19] “Daddy Issues”, temporada 3, episódio 13.

[20] Jim Halterman, “Interview: ‘The Vampire Diaries’ Executive Producer Julie Plec”, The Futon Critic, 11 de Outubro de 2011.

[21] “The Last Dance”, temporada 2, episódio 18.

[22] Elena em “Handle With Care”, temporada 5, episódio 6.

[23] “The Last Dance”, temporada 2, episódio 18.

[24] “Growing Pains”, temporada 4, episódio 1.

[25] “The Last Day”, temporada 2, episódio 20.

[26] “Graduation”, temporada 4, episódio 23.

[27] “Graduation”, temporada 4, episódio 23.

[28] “The Last Day”, temporada 2, episódio 20.

[29] “Rose”, temporada 2, episódio 8.

[30] “We’ll Always Have Bourbon Street”, temporada 4, episódio 8.

[31] “Fifty Shades Of Grayson”, temporada 5, episódio 10.

[32] “Do You Remember the First Time”, temporada 6, episódio 7.

[33] “Into the Wild”, temporada 4, episódio 13.

[34] “Because”, temporada 6, episódio 19.

[35] “I’d Leave My Happy Home For You”, temporada 6, episódio 20.

[36] “I’ll Wed You In the Golden Summertime”, temporada 6, episódio 21.

[37] “We Have History Together”, temporada 8, episódio 8.

[38] “The Devil Inside”, temporada 5, episódio 12.

[39] “As I Lay Dying”, temporada 2, episódio 22.

[40] “What Lies Beneath”, temporada 5, episódio 20.

[41] “I Carry Your Heart With Me”, temporada 7, episódio 4.

[42] “Hell Is Other People”, temporada 7, episódio 10.

[43] “Hello Brother”, temporada 8, episódio 1.

[44] Andy Swift, “Ian Somerhalder on Elena’s Presence in The Vampire Diaries’ Final Episodes: ‘She Is Still the Light in Damon’s Life’”, TV Line, 20 de Janeiro de 2017.

[45] “Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me”, temporada 7, episódio 8.

[46] “Days of Future Past”, temporada 7, episódio 16.

[47] “It’s Been A Hell of A Ride”, temporada 8, episódio 14.

[48] “Original Sin”, temporada 5, episódio 3.

[49] “I’ll Wed You In the Golden Summertime”, temporada 6, episódio 21.

[50] “As I Lay Dying”, temporada 2, episódio 22.

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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