Damon e Stefan Salvatore em The Vampire Diaries (© The CW/ HBO Portugal)

A Família de Vampire Diaries (Parte VI)

Em Vampire Diaries a palavra de ordem não é retribuição mas redenção. No mundo actual onde todos têm de pagar pelos seus erros é um alívio ouvir falar de perdão.

O triângulo em Vampire Diaries

Em The Vampire Diaries apaixonar-se pela namorada do irmão, desejando-a para si, é entendido como um mal, um acto ilegítimo que evidencia o egoísmo de Damon (“I take what I want, I do what I want, I lie to my brother, I fall in love with his girl. I don’t do the right thing”[1]), sendo mesmo capaz de lhe suscitar remorsos e testar continuamente a lealdade com Stefan (“I thought, for one second, that I wouldn’t have to feel guilty anymore […] for wanting what I want”[2]). E se para Katherine Pierce, uma das vilãs da série, “it’s ok to love them both”, essa não era claramente uma opção que agradasse aos Salvatore, tendo dilacerado o laço fraterno e inaugurado uma eternidade de miséria para Damon e Stefan, “the brother who loved me too much and the one that didn’t love me enough”, segundo a definição de Katherine, “the evil slut vampire who only loved herself”[3]. Nem a Elena, que “se confrontará com o que Katherine disse no final do programa, que não há problema em amar os dois, porque pode haver”, diz Kevin Williamson. “Para ela, sim. Essa foi a escolha da Katherine, mas pode não ser a escolha de Elena […] Ela realmente ama os dois, mas o ponto é o que fará quanto a isso. Pode-se amar muita gente mas é o curso de acção que se toma. Vai ser a vez dela”. Elena concebe tão pouco esta hipótese que, durante muito tempo, negará os sentimentos pelo irmão mais velho e só muito a custo, já bem mais tarde, admitirá a Alaric “what everyone else already knows, that she fell in love with Damon when she was still in love with Stefan”[4]. E não tem dúvidas de que a forma de Katherine amar é egoísta: “I know it’s selfish. I know that it seems like I’m stringing you both along, but I don’t know what I’m supposed to do. If I choose one of you then I lose the other. And I’ve lost so many people, I just can’t bear the thought of losing one of you.”[5] Do conceito de amor de Elena faz parte a inevitabilidade da escolha, guardar um e não prender o outro: “I care about you, Damon, which is why I have to let you go”[6].

Damon e Stefan Salvatore em “The Return” (© The CW/HBO Portugal)

Em The Vampire Diaries, o amor egoísta de Katerina Petrova trouxe a perdição aos irmãos Salvatore, levando-os à morte, à viragem em vampiros, à rotura do laço fraternal e ao estado de perene conflito. Se, ironia do destino, um novo triângulo amoroso irá cicatrizar a ferida aberta pelo anterior será só por causa da concepção distinta de Elena do amor e, paradoxalmente, pela mediação, primeiro insconsciente e depois ameaçadora, de Katherine. A primeira vez que Stefan e Elena se associam a Damon numa tensa aliança é para libertar Katherine Pierce do túmulo onde fora supostamente encerrada em 1864. Descoberto o engodo e esclarecida a natureza dos sentimentos de Damon por Elena, só o retorno de Katherine a Mystic Falls refreará o conflito que ameaça desencadear-se entre os dois irmãos. Para se defenderem do perigo que a vampira representa para eles, para a cidade e, acima de tudo, para Elena, Stefan e Damon terão de se unir contra ela:

“Katherine will play us against each other, you know that?”

“Brother, don’t you worry. Our bond is unbreakable.”

“We need to stay united against her. So yes, as much as I would like to kill you I’m not gonna fight you.”

“I kissed Elena.”

“Because you feel something for her. Because you actually care. And I’m not gonna let Katherine come in here and destroy that part of you that is finally willing to feel something. She’ll try to break us. And how we respond to that will define us. It’s our choice. So no, I’m not gonna fight you.”[7]

Precisamente porque amam Elena e devem colocar a segurança dela em primeiro lugar, é preciso que os dois irmãos estejam dispostos a não se deixar dominar pelos ciúmes e juntem forças na tarefa comum de salvar a vida dela, primeiro de Katherine e, depois, de Klaus e da inteira família de Originals: “The only way we’re gonna be able to [keep her safe] is if we’re not fighting each other. We let Katherine come between us. We let that happen with Elena and we’re not gonna be able to protect her.”[8] Estranhamente, o motivo da sua competição – o amor pela mesma mulher –, é também o motivo da sua reunião, se não em família, pelo menos numa equipa: “I was hoping we could hang, a little brother-bonding. I mean, I know we don’t actually ‘hang out’. We team up, we join forces to activate our Wonder Twin powers!”[9] O que poderia ter sido um mal converte-se misericordiosamente numa bênção, ao obrigar os Salvatore, depois de dezenas de anos sem conseguirem estar juntos, a conviverem amiúde, pondo de lado as suas diferenças por um bem maior:

“Turns out we make a pretty good team, huh?”

“It only took a century and a half.” […]

“All this over one girl.”

“She’s a pretty special girl.”

“Yes, she is.”[10]

À medida que enfrentam juntos os vários perigos e arriscam a própria vida para se salvarem um ao outro, vai-se regenerando o laço entre estes “blood brothers”: irmãos de sangue que o sangue derramado, deles e por eles, separou e que uma contínua dívida de sangue irá sarar pouco a pouco. Damon salvará Stefan de Logan, jurando que “if anyone’s gonna kill you it’s gonna be me”[11], e depois dos vampiros do túmulo.[12] Por sua vez, Stefan salvará o irmão do incêndio congeminado por John e pelos membros do Conselho e, mais tarde, oferecerá a sua vida a Klaus em troca do antídoto para o veneno de lobisomem que infectara Damon. Cairá por isso numa espiral de destruição e desumanidade de que Damon não desistirá de o resgatar, porque “you’re in this mess because you saved my life, because I owe you, and I can’t just leave you in a cell to rot.”[13] Um ciclo de retribuição que se prolongará por toda a série, até ao grande sacrifício final.

The Vampire Diaries | “You need to let him go”

A regeneração de um laço inquebrável

A certa altura, a reconstituição do laço fraterno deixa de depender da mediação de Elena, como ela diz a Damon: “I think that you’re gonna be the one to save him from himself. And it won’t be because he loves me. It’ll be because he loves you.”[14] Talvez porque, em última instância, o papel dos vários obstáculos, desde a concorrência ao amor da mesma mulher até às maquinações de Klaus, fosse apenas o de levar à redescoberta de uma ligação que sempre estivera lá e nenhum conflito conseguira realmente aniquilar. Em Nova Iorque, no ano de 1977, enviada por Stefan para forçar Damon a reancender a sua humanidade, Lexi lembra o irmão mais velho do que ele lhe pedira em 1864, na noite em que decidira abandonar Stefan à sua fúria de Estripador, que os mataria aos dois: “Before you left you asked me to help him, because no matter what happened, he was still your brother, and you cared about him. Now you need help and he cares about you.”[15] Rebeka dirá que “the Salvatores may fight like dogs, but in the end they would die for each other”[16] e, comparando-os à inclemência do clã Gemini, Luke reconhecerá que “you guys are different, you protect each other”[17], razão pela qual Klaus sairia sempre derrotado: “All this energy you’ve spent trying to get me and my brother to hate each other it’s actually had the opposite effect.” Ao ouvir isto, Klaus tenta ripostar, lembrando Stefan do que acontecerá assim que Elena fizer a sua escolha, mas este encolhe os ombros: “Ah, just go for it. Damon and I have been through a hell of a lot worse than that.”[18]

Stefan não conseguira enfrentar a existência como vampiro sem o irmão: “I’m sorry, what I did was selfish. I didn’t want to be alone. Guess I just needed my brother.”[19] Esta frase espelha o desabafo de Damon a Lexi, quando esta o demovera de acompanhar Stefan na ida para o Egipto, durante a Segunda Guerra Mundial, poupando-o à sua má influência: “Did you ever think that I just need my little brother?”[20] Quando perder a esperança de obter Elena, Damon não se irá embora mas agarrar-se-á a Stefan: “Whenever you go too far I will be there to pull you back. Every second. Every day until you don’t need me. […] Because right now you’re all I’ve got.”[21] Tal como Stefan cairá em desespero depois de Damon desaparecer com a destruição do Outro Lado, onde entrara para o salvar e aos amigos: “I’m not doing so great without you. I keep trying to start over, but I can’t get anywhere because I’m lost, brother.”[22] Porque, como dirá a Elena, “in spite of every single thing that he did we couldn’t live without him”[23].

The Vampire Diaries | “I’m lost, brother”

Tão inquebrável é o laço fraterno, tão inegável na sua existência e natureza que Damon sentir-se-á sempre no direito, independentemente de todos os erros cometidos, de pregar um murro ao irmão sempre que este lhe faltar ao respeito, o que acontecerá por três vezes: quando lhe disser que tem o que Damon não tem, o respeito de Elena; quando, em resposta à explicação sincera que Damon lhe oferece para o querer salvar do descarrilamento causado por Klaus, o avisar de que se acautele, que a sua humanidade está a assomar; e ao acusá-lo de se ter aproveitado do laço de geração (sire bond) para conseguir o que queria. Em “I Was Feeling Epic”, quando Damon compelir Stefan a abandonar os túneis para ser ele e não o irmão a sacrificar-se pela cidade, encerrará a discussão invocando a autoridade de irmão mais velho, não importa quão mal exercida no passado: “Because I am the big brother. I’m sorry I wasn’t better at it until now.”[24]

É verdade que, mesmo ainda antes de Elena os ter reaproximado, já os dois irmãos reconheciam a força do laço de sangue que os unia antes e para lá de todo o mal que cometiam e se infligiam mutuamente. Por mais que Damon advirta Stefan de que “I could rip your heart out and not think twice about it”, o irmão mais novo sabe bem quão vazias são as ameaças: “I’ve heard that before”[25], “you’ve had lifetimes to do it and yet, here I am.”[26] Nem faltava a Stefan esperança de que o irmão pudesse recuperar a humanidade, deixando de ser o monstro que pretendia ser[27]. Mas era necessário que Elena tivesse entrado em cena para suster essa esperança e levá-la a cumprimento. Antes de mais, impedindo Stefan de cometer um fratricídio que o destruiria, não importa quão justificado ou aparentemente necessário para defender vítimas inocentes:

“I have to kill him.”

“No, you can’t do that.”

“Why are you trying to save him? Elena, he’s never gonna change.”

“I’m not trying to save him, I’m trying to save you. You have no idea what this will do to you.”[28]

A esperança que Elena tinha na redenção do vilão infame permitiu a Stefan recolocar a hipótese de uma mudança da qual já descria, até quando a dela esmorecia. Devastada pela descoberta do papel que Damon tivera no desaparecimento de Isobel, sentindo-se ingénua por se compadecer dele e acreditar que o desgosto infligido por Katherine o pudesse mudar, Elena recrimina Stefan por tentar desculpá-lo e pergunta-lhe por que razão o tenta proteger. “Because you’re not the only one hoping that he might actually change,”[29] responde-lhe. Mas, infelizmente para Stefan, a conversão de Damon veio a revelar-se dependente do amor por Elena e ele viu-se dilacerado entre lutar pela mulher que amava ou salvar o irmão, cuja bondade ia emergindo diante dos seus olhos. Assim, se nos primeiros tempos Stefan chegou a desejar que Damon espatifasse tudo para que Elena não lhe sentisse a atracção e passasse a odiá-lo, foi obrigado a reconhecer que “every single time I think that he’s gone too far he’s been there for you, sometimes in ways better than I ever was.” A certa altura, Stefan percebeu que já não conseguia abdicar da pessoa em que o irmão se transformara: “So the truth is after a while I just stopped waiting for him to fail because I liked the person that he had become. And I don’t wanna lose that person.”[30] No final, o amor entre Stefan e Elena metamorfoseou-se na tarefa conjunta de salvar a alma perdida de Damon e o “little brother” realizou o seu primeiro grande sacrifício para que o irmão mais velho se tornasse “the better man”:

“I don’t think Elena necessarily came into my life to be my soulmate. I mean, she was. We loved each other, but she was also the only person I’ve ever met who actually believed that my brother was worth loving. And she reminded me that I used to believe that about him, too. And her faith in him, it brought Damon and me back together. And, yeah, I loved her, more than I ever thought I could love somebody else. But I think in the end, I needed him more than I needed her.”[31]

The Vampire Diaries | “My brother was worth loving”

O preço do sangue em Vampire Diaries

Elena não será a única coisa que Stefan sacrificará para reaver Damon, com a sua humanidade reconquistada. No final, sacrificará também a própria vida, uma última e definitiva vez. Tanto para salvar o irmão como para se redimir do rasto de sangue que traçara no mundo, reconhecendo que o mal cometido, as pessoas que vitimara e cujas vidas destruíra, acontecera e não podia ser rasurado, tido por indiferente. Porque “se não se está pronto a assumir a responsabilidade pelas próprias acções, quer se seja um viciado ou possuído por um demónio, então não se está a ser honesto consigo mesmo”, explica Julie Plec. “E penso que era importante para todos nós reconhecer que, sim, a sangria e o estrago realizados pelos nossos heróis era real e há um preço a pagar por isso.”[32] O tema da responsabilidade esteve sempre presente ao longo de toda a série, com a capacidade de sentir remorso, ou seja, a existência de uma consciência moral, a constituir um dos sinais mais significativos de humanidade. É uma das características intrínsecas da agência que converte os vampiros de espécie predadora irracional em seres humanos. Ainda na primeira temporada, logo após o ataque de remorsos que quase levara Stefan a desistir, deixando-se queimar pelo nascer do sol, Damon diz ao irmão que nem todo o mal do planeta é culpa dele, seguramente não a parte que lhe cabe: “My actions, what I do, it’s not your fault. I own them. They belong to me. You are not allowed to feel my guilt.” Quando Stefan lhe pergunta se sente remorsos, vemos o aflorar do homem por debaixo do vilão: “If I wanted to, it’s there.”[33] Sete temporadas mais tarde, a última dramática troca de palavras entre os irmãos é, de novo, sobre responsabilidade moral e sobre qual dos dois deverá pagar o preço do sangue derramado por um e outro:

“Are you seriously gonna sit here and argue with me about who needs this redemption more? You’re not responsible for Enzo, Stefan!”

“You keep saying that, but you’re wrong. We’re all responsible for our own actions. Every drop of blood I’ve spilled, I am accountable for.”

“Then I’m accountable too and I’ve spilled even more.”

“Damon, I’m human. In sixty years I’m gonna be old, I’m gonna be dead. You have quite literally an eternity with Elena ahead of you.”

“Which means a lot less without you.”

“Do you think I want this? I just got married. My wife is out there, waiting for me to come home to her. But in the nearly two centuries since I made you become a vampire, I have fought to turn you into the man who deserves the happiness that’s out there right now.”

“No.”

“Just let me do this for you.”

“No.”

“Then, let me do this for me. Please.”

“I love you, little brother.”

“I love you too.”

“And you’re right. You are human which is why I can do this. Go. You’re gonna walk out of these tunnels, and you’re not gonna stop until my death breaks the compulsion. Because I am the big brother. I’m sorry I wasn’t better at it until now.”[34]

Graças à vervena, Stefan conseguirá resistir à compulsão e, voltando atrás, reverter a situação, injectando no irmão o seu sangue com a cura e devolvendo-o a Elena, agora plena e literalmente humano: “Tonight I saw a side of Damon that I hadn’t seen in a while. The older brother I looked up to. The son who enlisted in the Civil War to please his father. The Damon I knew when I was a boy. I wanted that Damon to live. And I wanted you to have an opportunity to get to know him. He’s the better man. He’s the right man.”[35] Como comenta Kevin Williamson, “é o eterno arco, ele converteu-se mesmo em tudo aquilo que o irmão esperava que ele viesse a ser; e porque o irmão se sacrificou por ele, Damon pôde viver uma vida melhor.”[36] E explicando por que razão recaíra sobre Stefan a tarefa de oferecer a vida pelos amigos:

Ele matou Enzo, não há como voltar atrás disso. Enquanto Estripador, quantas pessoas matou ele? Transformou o irmão num vampiro e despojou-o da sua humanidade. Como irá compensar pelo que fez? É o nosso herói! Tinha de ser heróico. Tinha de compensar por isso e fê-lo, e ao fazê-lo, garantiu o futuro de Damon. Agora, Damon será para sempre o herói porque tem de o fazer pelo irmão. E este programa foi sempre sobre os dois, o amor entre eles e o seu sentido de família. E Damon tornar-se-á agora digno de Elena.[37]

The Vampire Diaries | Irmãos de sangue

A maturidade moral de Elena Gilbert

Não há quaisquer dúvidas acerca do bem e da mudança que Elena trouxe às vidas dos irmãos Salvatore, principalmente de Damon. O que poderá ser menos óbvio é, como diz Rose a Jeremy, que “he changes her too”: “Damon challenges her, surprises her, he makes her question her life, her beliefs. Stefan is different. His love is pure, he’ll always be good for her. Damon is either the best thing for her, or the worst.”[38] De facto, Elena e Stefan são muito semelhantes, partilhando a mesma visão moral. Ambos têm já em si aquilo que lhes permite não desistirem um do outro e resgatarem-se mutuamente. Elena agradecerá um dia a Stefan a esperança que nunca perdera nela e a companhia que lhe fizera durante o período tumultuoso da perda de humanidade: “Even after everything I put you through, you never gave up on me.” Stefan limita-se a lembrar-lhe a época em que Elena, com a ajuda de Damon, fizera de tudo para o salvar dos estragos de Klaus: “I kind of owned you one.”[39] Nenhum deles alguma vez desistiria de Damon, também. Quando se aterrorizar com as implicações de um compromisso com Elena, julgando-se sem mérito, temendo o mal que poderá fazer e a desilusão que trará, Damon tenta retirar-se dizendo-lhe que “we don’t work”. Mas Elena não lho permite: “So things aren’t easy and you’re gonna push me away? That’s what you do, Damon. You think that you don’t deserve something, so you ruin it. I’m not gonna let you pull that this time.”[40] E no momento em que, transformado num animal raivoso pelo vírus de Wes Maxfield, Damon exigir ao irmão que o abata para proteger-se a si e aos amigos, Stefan dirá, como sempre: “You’re my brother, I’m not gonna give up on you. I never will.”[41] É por isso que “the only person worse at being a vampire than me, is you”[42], diz Elena a Stefan, explicitando o traço de humanidade que os identifica desde o princípio, opondo-os a Damon e ao vampirismo com que este se sente tão à vontade.

A Família de Vampire Diaries
Elena Gilbert e Damon Salvatore em “The New Deal” (© The CW/HBO Portugal)

Esta conformidade de carácter entre Elena e Stefan explica a imediatez com que se aproximaram no início, o entendimento mútuo nas decisões morais a realizar ao longo da série e o desejo comum de resgatar Damon. É nesse sentido que “he’ll always be good for her”. Mas não necessariamente o melhor, porque se Elena começa a história como uma pessoa justa, depressa resvala, na sua juventude, para a condenação moralista, precipitada e simplista, dos erros alheios. E ninguém como Damon para pôr a nu este puritanismo: “don’t look at me with those judgy little eyes”[43]. A crueldade impassível de Damon, mas sobretudo o seu sentido de humor e o bem que no mal se entretece e vislumbra, constitui uma situação moral complexa que contesta as categorias éticas de Elena e convoca dimensões latentes nela. Nina Dobrev descreve assim uma das primeiras facetas deste desafio:

Toda a gente tem bem e mal dentro de si, e Damon tem mais de um do que doutro, mas ainda assim tem ambos. Ela começa a perceber que ele é brincalhão e divertido e não leva nada demasiado a sério. Elena não é propriamente inibida, mas não relaxa muito, tal como Stefan também não. São ambos pessoas muito sérias. Por outro lado, Damon traz o lado divertido dela ao de cima. Ela pode ser si própria com ele.”[44]

Dobrev alude aqui à viagem de carro até ao bar de Bree, em Atlanta, o momento de tréguas que selou a amizade entre os dois. Na companhia de Damon, pela primeira vez, constatamos o que Caroline dissera de Elena, que “she used to be way more fun” antes de os pais morrerem. Ela própria dirá, muito mais tarde, que “being with Damon makes me happy; when I’m with him, it feels unpredictable, like I’m free.”[45]

A transformação em vampiro representa para Elena a entrada na vida adulta. É discutível se alguma vez The Vampire Diaries foi realmente uma série de adolescentes, com as várias personagens a enfrentar os problemas da morte, do mal e da orfandade, mas seja como for é nesse momento que se intensificam os sentimentos de Elena e a sua rede de crenças, juízos, intenções e desejos se complexifica. Conhecerá toda a sua capacidade de cometer o mal, o que significa e a dor avassaladora que daí advém: “I used to think the worst feeling in the world was losing someone you loved, but I was wrong. The worst feeling is the moment you realize you’ve lost yourself.”[46] Perceberá melhor e sentir-se-á melhor percebida por Damon, sentir-se-á mais próxima dele nesta nova fase, mais madura e matizada, da sua vida: “You’re a vampire now, and part of you knows you’re a lot more like me than you are like him.”[47] E tal como para Damon se abriu a possibilidade da reconciliação e da conversão assim que alguém gostou dele como era e não como devia ser, também Elena pôde aceitar “the girl that I’ve become”[48] porque, humana ou vampira, Damon “[was] fine with her either way”[49]. Completada a travessia da turbulenta passagem de uma natureza a outra, Elena verá por fim com clareza, pela primeira vez desde que a série começara, desde que Damon a acusara de se enganar a si própria[50], “what these feelings actually mean”[51]. Aceitando todos os riscos que comporta, escolherá a estrada que mais a contesta e abre ao imprevisto: “I’m not sorry that I met you. I’m not sorry that knowing you has made me question everything. That in death, you’re the one that made me feel most alive. You’ve been a terrible person. You’ve made all the wrong choices and of all the choices I’ve made this will prove to be the worst one but I’m not sorry that I’m in love with you.”[52]

The Vampire Diaries | “I’m not sorry that I met you”

Durante o tempo que durará a conversão de Damon a convivência será atribulada, ao contrário dos sonhos de vida perfeita entre Stefan e Elena, plantados na mente por Markos, mas assim é a vida de todos: “You and I, we’re messy and complicated, but we’re real.”[53] A Elena, apesar de mais consciente da sua falibilidade (“Stop acting like I’m perfect, Damon, I’ve done some horrible things too”[54]), custa-lhe ainda assim a posição em que ele a coloca, “where I have to defend you again, where I have to bend my morals again, where I have to go against every single thing that I believe in, again, because I love you.”[55] Quanto a Damon, descrente da mudança, assusta-se com o que lhe parece a sua má influência sobre ela: “I won’t change who I am. I can’t. But I refuse to change you.”[56] Mas era dar demasiado crédito a ele e, a ela, não lhe dar crédito suficiente. E, por mais que Stefan se perguntasse por muito tempo como podia Elena gostar do irmão, eventualmente percebeu-o: “Damon inspired you, he pushed you to own the darkest parts of yourself, and when you died he was the only one that could make you feel alive again, and you made him feel human.”[57]

No tempo, o risco da escolha compensou e Elena pôde reconhecer a Damon que “I’ve made some huge mistakes in my life”, mas “being with you wasn’t one of them”[58], aprendendo por experiência própria “that it’s never a waste of time to look for the good in someone.”[59] Para isso, Elena apenas precisou de, ao contrário de Katherine e Lily, as outras duas mulheres que abandonaram Damon, ser “the woman who never has”[60]. Esta decisão contrasta com a de Esther, que ao libertar o mundo de todos os vampiros “[would] be killing the good along with the bad”, sendo com isso “no better than Klaus”[61], diz Elena. Mas a única forma de poder não eliminar o trigo juntamente com o joio e conseguir, no final, a conversão de Damon seria rejeitando o que houvesse ainda de puritano na sua moralidade, julgando-lhe os actos sem o abandonar a ele. Não importa os fantasmas do passado, os erros do presente, Elena decide permanecer: “Because I love you, Damon. Because I chose you, and because I stand by my choice.”[62] Esta escolha traçou o destino de Damon, a ponto de ele dizer de si que “I don’t know who I am without you”[63]. Mas também por causa dela, Elena já não é a mesma pessoa que anos antes, à pergunta dele, “does it get tiring, being so righteous?”, respondera que “it flares up in the presence of psychopaths.”[64] O trabalho de acolher Damon tal qual era, na espera de que se tornasse “the better man”, fez dele “the one who defined you”[65], como escreve Elena a si própria numa carta.

Vampire Diaries, uma história de redenção

Daquilo a que Caroline chama “the Elena Gilbert handbook” parecem fazer parte duas regras importantes. Por um lado, o reconhecimento de que, como diz ela a Alaric, “I have blood on my hands too, we all do”, “all I know is I’m no better than you”. Por outro lado, a decisão de ver o outro sempre como redimível: “I’m going to take a page from the Elena Gilbert handbook and choose to believe that you can be saved.”[66] Por simples que seja, este guia pode ser muito útil em tempos de exacerbado moralismo, quando o escândalo diante do mal e da impunidade ou o afã de responsabilização endurecem o coração, olvidando a própria fragilidade e a necessidade de perdão, a dificuldade de arrancar o joio sem arrancar também o trigo e a desconcertante possibilidade de que certas más escolhas se revelem, misericordiosamente, a estrada para a salvação. Desaparecidos instrumentos como, por exemplo, o sentido de humor, o silêncio ou o perdão, torna-se difícil lidar com a complexidade das situações morais concretas, percebendo-lhe os matizes, aceitando não esmiuçar demasiado, conviver com o joio alimentando o trigo e assim contribuir para o florescimento das pessoas envolvidas.

The Vampire Diaries | “Redemption is within reach”

Uma evidência que a lógica da retribuição esquece é como “sometimes really terrible things happen to really amazing people”[67], diz Damon a uma Liz prestes a morrer de cancro. Outra evidência igualmente ignorada é que fazer-nos descrer da redenção é obra própria do demónio. Ao artista que, com as suas tintas de suspeito encarnado, explora os temas do pecado e da redenção, Damon explica que “you should know there is no such thing as redemption, because it only takes one bad day, one bad decision and then it doesn’t matter what you do with the rest of your life because once the devil comes a-calling, you’re done.”[68] Quando se pensa quão alheia é esta crença ao quadro mental de Elena Gilbert, percebe-se a queda de Damon no poder infernal de Cade e das suas Sibilas. Uma vez livre dele e regressada a memória do amor de que fora objecto, o mesmo Damon que desesperara da salvação não hesita em impedir o irmão de cometer o erro de se afastar daquele tecido de relações fora do qual nada faz sentido ou bem algum pode entrar:

In my wretched, miserable life I have inflicted a fantastic amount of pain. I don’t think my slate will ever be clean. But I don’t need some spirit journey with a bunch of strangers to convince me that my redemption is within reach. I just need the people I love. The list is short, but profound. You’re right at the top, alongside a great girl I hope to marry one day. Don’t walk away from your list because you don’t think you’re worth it.[69]

O próprio Ian Somerhalder deveria ter dado mais ouvidos à sua personagem. Em 2018, na Wizard World Comic Con, em Nova Orleães, comentando o final da série, o actor declarou que “nenhum destes irmãos deveria ter vivido”, por causa de todos os crimes que cometeram da primeira à última temporada. Damon não deveria ter tido o seu final feliz com Elena, nem os fãs conseguido o que queriam. Segundo Somerhalder, “a humanidade deveria ter vencido, não Damon e Elena”[70]. Penso que esta afirmação esquece algumas coisas. Antes de mais, o final feliz da história destas duas personagens consiste precisamente na vitória do humano. Acerca do trio Elena, Stefan e Damon, diz Kevin Williamson que “queríamos que recuperassem a sua humanidade e encontrassem paz”. E, de facto, assim conclui Elena o último episódio da série:

This life will be good and beautiful but not without heartbreak. In death comes peace, but pain is the cost of living. Like love, it’s how we know we’re alive. […] That’s my life: weird, messy, complicated, sad, wonderful, amazing and above all epic. And I owe it all to Stefan. When I met him, I had lost my parents, and I was dead inside. But he brought me back to life. And I’m just going to live it the best I can, for as long as I can. Even after our long and happy life together, Damon is worried he’ll never see Stefan again, that he’ll never find peace but I know he’s wrong, because peace exists. It lives in everything we hold dear. That is the promise of peace. That one day, after a long life, we find each other again.[71]

É claro que, para que haja paz e todos se possam reencontrar, é preciso que do humano faça parte a segunda coisa olvidada pelo juízo de Somerhalder. Regressado do Outro Lado, Mason Lockwood diz a um Damon atónito e desconfiado da sua ajuda que “I don’t need revenge, I need redemption.”[72] De facto, é ténue a linha entre retribuição e vingança e certas exigências de assunção de responsabilidades e penalização aproximam-se perigosamente de uma desforra.

A terceira coisa que tais declarações obscurecem é a liberdade da arte e o entendimento dos seus modos de fazer sentido. É bom que a ficção permaneça um campo isento de legislação. Como lugar onde os acontecimentos não têm o peso que teriam na vida real, a ficção deve ser o espaço onde podemos realizar livremente várias experiências de pensamento, antecipando o resultado das nossas acções e aprendendo talvez, de modo pouco penoso, quão péssimas certas ideias e decisões podem ser. E sem querer menosprezar o poder que uma imagem da morte tem – ou a experiência de pensamento não funcionaria – ainda assim a pintura de um cachimbo não é um cachimbo. Que se saiba, ainda ninguém conseguiu fumar o quadro de Magritte. Somerhalder teria beneficiado aqui do conselho da sua versão mais jovem: “É ótimo não se levar a si próprio demasiado a sério. Divertir-se, mesmo se às vezes se está a ser um pouco cruel, é sempre ótimo.”[73]

A Família de Vampire Diaries
Rebeka e Stefan em “The End of the Affair” (© The CW/HBO Portugal)

Talvez seja boa ideia não levar The Vampire Diaries demasiado a sério, percebendo a finalidade do vampiro como metáfora ou caricatura do mal. A falta de sentido de humor não é só uma miséria social mas também uma limitação intelectual que leva a dificuldades e erros de interpretação. Quem não o cultiva, cedendo à susceptibilidade, tende a perder a noção do peso real das coisas. Façamos como o Somerhalder de 2011, que se espantava com a direcção que a sua personagem estava a tomar: “Estou tão confuso enquanto actor como Damon está como pessoa, em virtude de ser uma personagem tão fenomenalmente diferente do que alguma vez antecipei ou planeei que viesse a ser.”[74] Uma criatura que saltou das mãos dos seus criadores merece habitar o nosso mundo, trocando a madeira por carne e osso. É justo também que ocupe o centro da narrativa, porque a história é apanágio dos pecadores agraciados pela salvação. Aprendamos, enfim, como Somerhalder teve de fazer desde o início da primeira temporada, a não julgar Damon[75]. Ou, melhor, a julgá-lo como Elena, no contexto da nota de fundo de The Vampire Diaries. Uma tónica que ninguém sintetiza tão bem como Alaric, quando explica que, paradoxalmente, foi da dor e do mal cometido que surgiu a amizade:

Did I ever tell you why I came to Mystic Falls? I was hunting Damon. He had killed my first wife. Then I found out he had turned her, and that was what she wanted. Eventually I got past that. […] I guess I just didn’t have the energy to hate somebody forever. We’ve all made terrible mistakes in our lives. Done things that no apology can heal. But you just have to keep going. Try to find some new happiness, no matter how much you’ve lost. The strange thing is losing those people is what brought us together. It’s how we found each other. It’s what made us a family.[76]

The Vampire Diaries | “Losing those people brought us together”

Lê Também:
Uma Reapreciação de Vampire Diaries (Parte I)

[1] “We’ll Always Have Bourbon Street”, temporada 4, episódio 8.

[2] “The New Deal”, temporada 3, episódio 10.

[3] Damon Salvatore em “Masquerade”, temporada 2, episódio 7.

[4] temporada 6, episódio 2.

[5] “Before Sunset”, temporada 2, episódio 21.

[6] “The Departed”, temporada 3, episódio 22.

[7] “The Return”, temporada 2, episódio 1.

[8] “Rose”, temporada 2, episódio 8.

[9] Damon em “1912”, temporada 3, episódio 16.

[10] “Before Sunset”, temporada 2, episódio 21.

[11] “Lost Girls”, temporada 1, episódio 6.

[12] “Let the Right One In”, temporada 1, episódio 17.

[13] “Ordinary People”, temporada 3, episódio 8.

[14] “Ordinary People”, temporada 3, episódio 8.

[15] “Because the Night”, temporada 4, episódio 17.

[16] “The Murder of One”, temporada 3, episódio 18.

[17] “What Lies Beneath”, temporada 5, episódio 20.

[18] “Before Sunset”, temporada 3, episódio 21.

[19] “Rose”, temporada 2, episódio 8.

[20] “We’ll Always Have Bourbon Street”, temporada 4, episódio 8.

[21] “1912”, temporada 3, episódio 16.

[22] “The World Has Turned and Left Me Here”, temporada 6, episódio 5.

[23] “Black Hole Sun”, temporada 6, episódio 4.

[24] “I Was Feeling Epic”, temporada 8, episódio 16.

[25] “History Repeating”, temporada 1, episódio 9.

[26] “Friday Night Bites”, temporada 1, episódio 3.

[27] “Friday Night Bites”, temporada 1, episódio 3.

[28] “History Repeating”, temporada 1, episódio 9.

[29] “A Few Good Men”, temporada 1, episódio 15.

[30] “Total Eclipse Of The Heart”, temporada 5, episódio 13.

[31] “I’ll Wed You In the Golden Summertime”, temporada 6, episódio 21.

[32] LaToya Ferguson, “‘Vampire Diaries’ Series Finale Creator Julie Plec on Nina Dobrev’s Return, Possibly Expanding the Universe”, Variety, 10 de Março de 2017.

[33] “Blood Brothers”, temporada 1, episódio 20.

[34] “I Was Feeling Epic”, temporada 8, episódio 16.

[35] “I was Feeling Epic”, temporada 8, episódio 16.

[36] Sadie Gennis, “The Vampire Diaries Co-creator Explains Why [Spoiler] Had to Die”, TV Guide, 10 de Maio de 2017.

[37] Samantha Highfill, “Vampire Diaries bosses on the series finale, that letter, and who almost died”, Entertainment Weekly, 10 de Março de 2017.

[38] “Heart of Darkness”, temporada 3, episódio 19.

[39] “Graduation”, temporada 4, episódio 23.

[40] “Into the Wild”, temporada 4, episódio 13.

[41] “No Exit”, temporada 5, episódio 14.

[42] “Graduation”, temporada 4, episódio 23.

[43] “Lost Girls”, temporada 1, espisódio 6.

[44] Carina MacKenzie, “’Vampire Diaries’ star Nina Dobrev on Elena’s look-alike dilemma and more”, Los Angeles Times, 21 de Janeiro de 2010.

[45] “After School Special”, temporada 4, episódio 10.

[46] “The Killer”, temporada 4, episódio 5.

[47] “The Rager”, temporada 4, episódio 3.

[48] “We All Go a Little Mad Sometimes”, temporada 4, episódio 6.

[49] “The Killer”, temporada 4, episódio 5.

[50] “The Return”, temporada 2, episódio 1.

[51] “My Brother’s Keeper”, temporada 4, episódio 7.

[52] “Graduation”, temporada 4, episódio 23.

[53] “Resident Evil”, temporada 5, episódio 18.

[54] “Fifty Shades of Grayson”, temporada 5, episódio 10.

[55] “While You Were Sleeping”, temporada 5, episódio 16.

[56] “Fifty Shades of Grayson”, temporada 5, episódio 10.

[57] “Black Hole Sun”, temporada 6, episódio 4.

[58] “The Day I Tried to Live”, temporada 6, episódio 13.

[59] “A Bird In a Gilded Cage”, temporada 6, episódio 17.

[60] “I Could Never Love Like That”, temporada 6, episódio 18.

[61] “Do Not Go Gentle”, temporada 3, episódio 20.

[62] “Fifty Shades of Grayson”, temporada 5, episódio 10.

[63] “I Carry Your Heart With Me”, temporada 7, episódio 4.

[64] “162 Candles”, temporada 1, episódio 8.

[65] “Black Hole Sun”, temporada 6, episódio 4.

[66] “The Murder of One”, temporada 3, episódio 18.

[67] “Stay”, temporada 6, episódio 14.

[68] “Hello Brother”, temporada 8, episódio 1.

[69] “It’s Been a Hell of a Ride”, temporada 8, episódio 14.

[70] Laura Hurley, “What Ian Somerhalder Would Change About The Vampire Diaries Finale”, Cinema Blend, 10 de Janeiro de 2018.

[71] “I Was Feeling Epic”, temporada 8, episódio 16.

[72] “Ghost World”, temporada 3, episódio 7.

[73] “The Vampire Diaries – Ian Somerhalder – All About Damon Salvatore”, The CW Source, 2010.

[74] Jaret Wieselman, “Ian Somerhalder: Damon’s Fighting for Something Bigger than Himself”, Page Six, 3 de Fevereiro de 2011.

[75] “Ian Somerhalder On His Toxic ‘Vampire Diaries’ Character & Causing Mid-flight ‘Lost’ Panic”, The Music, 11 de Abril de 2019.

[76] “We’re Planning a June Wedding”, temporada 8, episódio 15.

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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