Paulo Trancoso

Entrevista com Paulo Trancoso | Prémios Sophia 2018

A cerimónia de entrega do Prémios Sophia 2018, os mais importantes do cinema português, é já no próximo domingo à noite no Casino do Estoril. A MHD falou (entrevista em vídeo) com Paulo Trancoso, o presidente da Academia Portuguesa de Cinema, sobre esses prémios, e sobre um balanço de sete anos de actividade desta instituição. Aqui também se abre o véu sobre a cerimónia do próximo domingo e sobre as nomeações.

Paulo Trancoso, foi o produtor de filmes tão reconhecidos como “Comboio Noturno Para Lisboa”, de Billy August (2013), “A Rainha Margot“, de Patrice Chéreau (1994) ou a “A Selva”, de Leonel Vieira (2002),  entre muitas outras obras da cinematografia nacional e internacional. Foi realizador e distribuidor de filmes, na Costa do Castelo, empresa que tem uma dos melhores catálogos de filmes de autor, e clássicos do cinema nacional e internacional. Mas é sobretudo uma figura respeitada e de grandes consensos no meio do cinema português. É membro fundador e o primeiro presidente da Academia Portuguesa de Cinema, reeleito novamente para o triénio 2017/2019. Por isso, Paulo Trancoso faz aqui um balanço de sete anos da instituição que agrega um grande maioria dos profissionais de cinema nacionais. A Academia Portuguesa de Cinema para além dos Prémios Sophia tem desenvolvido muitas outras importantes actividades, entre outras o Passaporte, que tem projectado e fomentado a participação de alguns dos actores portugueses em séries e filmes estrangeiros; exposições como a “Cartazes de Sonho” ou workshops e conferências como “A Quatro Mãos”, dedicada aos argumentistas. A actividade tem sido intensa e os planos para o que aí vem são muitos e estão aqui todos numa vídeo-entrevista, de pouco mais de 30 minutos de conversa com Paulo Trancoso, — um confessado encontro de amigos — onde falámos sobre o futuro, passado e presente desta instituição que honra e tem promovido, o cinema português no País e no estrangeiro. 

SOBRE A ACADEMIA PORTUGUESA DE CINEMA

A Academia Portuguesa de Cinema – ou Academia Portuguesa das Artes e Ciências Cinematográficas – é uma associação sem fins lucrativos, fundada em julho de 2011, cuja a “principal missão é aproximar o cinema português do grande público e promover o cinema nacional no mundo”, segundo comunicado da instituição. Em 2012, a Academia instituiu os Prémios Sophia que, à semelhança dos que existem dos seus congéneres Oscar, nos EUA, César, em França, Goya, em Espanha, e os Bafta no Reino Unido, “pretendem distinguir o melhor do cinema português, em 21 categorias entre as quais melhor filme, realizador, ator e atriz, banda sonora, fotografia, argumento original e adaptado, curta-metragem, documentário e filme estrangeiro”. Para candidato às nomeações para o Óscar 2018, de Melhor Filme em Língua Estrangeira, a Academia Portuguesa de Cinema indicou o filme “São Jorge”, de Marcos Martins, curiosamente o mais nomeado aos Prémios Sophia 2018 (14 nomeações).

O produtor Paulo Trancoso foi reeleito presidente da Academia Portuguesa de Cinema em 2017, com uma equipa que inclui a atriz Carla Chambel, os realizadores José Carlos Oliveira e Vicente Alves do Ó e a produtora Ana Sofia Major. Uma equipa apoiada por uma Comissão Consultiva com sete colégios onde constam alguns dos melhores profissionais de cada actividade: Luís Branquinho (Diretores de Fotografia), Quintino Bastos (Sonoplastas), Gonçalo Galvão Teles (Argumentistas), José Mazeda (Produtores), Helena Batista (Técnicos), Carmen Santos, Miguel Monteiro (Atores), Lauro António (Realizadores) e Maria Gonzaga (Figurinistas e Guarda-Roupa). Inês de Medeiros (atriz), Patricia Vasconcelos (diretora de casting) e João Cayatte (realizador) foram escolhidos para a mesa da Assembleia Geral e António Costa Valente (realizador), Maria do Carmo Moser (produtora) e Cláudia Lopes (produtora) para o Conselho Fiscal. A Academia Portuguesa de Cinema foi fundada juridicamente em meados de julho de 2011. Uma das suas funções é a entrega dos Prémios Sophia, que são os prémios anuais, a par do Festival Caminhos do Cinema Português, os mais importantes no cinema realizado no nosso país. Outra das suas funções tem sido a escolha do filme pré-seleccionado para integrar a Lista de Filmes Pré-Nomeados ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, nomeação que Portugal nunca conseguiu na sua história.

 

PRÉMIOS SOPHIA 2018: “SÃO JORGE” COM 14 NOMEAÇÕES

“São Jorge” é o filme português com mais nomeações à edição deste ano dos Prémios Sophia. As nomeações foram reveladas a 27 de fevereiro passado, numa conferência de imprensa que decorreu, como habitualmente, na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, apresentada por Margarida Vila-Nova e Miguel Nunes. “São Jorge” é o filme mais nomeado, com 14 nomeações entre as quais Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Ator e Atriz Principal, Melhor Ator e Atriz Secundária e Melhor Argumento Original. O filme “São Jorge”, de Marco Martins, foi igualmente o candidato de Portugal à nomeação para Óscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, mas não logrou sequer chegar à short list das potenciais nomeações, como aliás  jamais aconteceu com um filme português, apesar das muitas tentativas. No entanto, para além desta candidatura, a longa-metragem de Marcos Martins foi também submetida à possível nomeação de melhor filme ibero-americano nos Prémios Goya, em Espanha.

O filme “São Jorge” estreou nos cinemas portugueses em março do ano passado e conta a história de Jorge, um pugilista, desempregado, que aceita trabalhar numa empresa de cobranças difíceis para pagar as suas próprias dividas e para tentar que a mulher e o filho não emigrem. O filme conta com excelentes atores profissionais como Nuno Lopes, José Raposo, Mariana Nunes, Gonçalo Waddington e Beatriz Batarda, mas também alguns “figurantes”, a quem é dada voz para falar sobre crise, desemprego e falta de dinheiro. Antes de chegar aos cinemas portugueses, o filme teve estreia mundial no verão de 2016 no Festival de Cinema de Veneza, onde Nuno Lopes foi distinguido com o Prémio de Melhor Ator, na Secção Horizonte. Em declarações à agência Lusa, Marco Martins explicou na altura que quis fazer “um documentário mascarado de ficção”, a partir de muita pesquisa sobre pugilismo, clubes de boxe e sobre os efeitos da crise económica no país, nos tempos da troika. Aqui, lista completa dos nomeados.

 JVM

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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