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Eurovisão 2022 em Turim | MARO em entrevista exclusiva desde Itália

Começamos a semana com uma entrevista exclusiva a MARO, a representante de Portugal na Eurovisão 2022 feita diretamente de Turim. 

MARO, a representante de Portugal na Eurovisão 2022 falou com a Magazine.HD diretamente de Turim para contar como têm sido os preparativos para a primeira semi-final do festival que ocorre já no próximo dia 10 de maio.

saudade, saudade na Eurovisão 2022

Em entrevista com MARO percebemos a enorme vontade em mostrar ao público português e ao público eurovisivo o resultado final do seu trabalho. Trata-se sobretudo de colocar em palco o significado de uma palavra tão estimada por todos nós e mostrar como a perda de alguém querido pode ser compreendida melhor através da música. Como foi possível ver nas imagens do primeiro ensaio da MARO em Turim, a sua atuação promete ser diferente da final do Festival da Canção. Não só teremos Diana Castro e Milhanas, outras concorrentes do festival nacional no seu coro, mas também uma performance muito mais intimista, através de um círculo fechado de dor, que parece disposto a contactar com outro mundo. MARO vai transportar-nos para um limbo ou uma dimensão alternativa que separa a vida da morte.

Não achamos, por isso, estranho que a MARO, nome artístico de Mariana Brito da Cruz Forjaz Secca, queira tanto fazer um dueto com Amanda Georgiadis Tenfjord, a representante da Grécia na Eurovision Song Contest 2022. Enquanto aguardamos ansiosamente por essa possibilidade, ficou claro que  MARO vai oferecer uma interpretação surpreendente na Eurovisão 2022 em Turim. Vai agarrar Portugal à RTP e, eventualmente, poderá conquistar a Europa. De facto, a artista recebeu ótimas críticas da imprensa após o primeiro ensaio e é para muitos considerada o dark horse deste certame.

Abaixo poderás ler a entrevista completa com a MARO, a representante de Portugal na Eurovisão 2022. Fica atento aos nossos conteúdos, pois publicaremos várias conversas com artistas eurovisivos ao longo da semana que antecede o maior evento de música do mundo.

Eurovisão 2022
© EBU / ANDRES PUTTING

MHD: Qual a sensação de estar no palco eurovisivo pela primeira vez e que energia se sente durante os ensaios?

MARO: Ontem fomos pela primeira vez conhecer o Pala Olimpico e foi incrível. É um espaço gigante e adorei a parte da Green Room, com os bancos que parecem tirados de um jardim italiano. Tivemos um primeiro ajuste à nossa performance em relação ao som e ao espaço. Decidimos onde iríamos ficar e como iríamos interagir.

Foi impressionante o facto de termos tido oportunidade de conhecer várias pessoas da equipa. Quem monta, quem organiza e observar como tudo funciona. Foi um dia ótimo para começar a ficar entusiasmada com o Festival da Eurovisão.

Eurovisão 2022
© EBU / ANDRES PUTTING

MHD: Eu queria saber como descreverias a tua relação com a Beatriz Fonseca, Beatriz Pessoa e a Carolina Leite e como é ter a Milhanas e a Diana Castro no coro? 

MARO: Foi muito difícil porque elas são muito complicadas (risos). Mentira, eu realmente chamei-as pelo talento, porque vejo-as musicalmente e sei o que valem. Também é verdade que já havia uma amizade muito forte com cada uma delas. Enquanto grupo, damo-nos muito bem e nesse aspeto tem corrido às mil maravilhas.

MHD: Tiveste tempo de ouvir as restantes canções da Eurovisão? Tens alguma favorita ou favoritas? E com quem gostarias de fazer um dueto?

MARO: Já ouvi sim. Todas são realmente diferentes e muitas delas são divertidas. Não consigo escolher apenas uma, pelo menos por agora.

Em termos de colaboração, e como já disse algumas vezes, talvez com a Amanda Georgiadi Tenfjord. Já falámos uma com a outra e eu acho a sua música “Die Together” lindíssima [ver vídeo acima]. Ela é bastante simpática e acho que conseguiríamos criar uma canção muito especial.

MHD: Em que aspeto consideras o panorama musical norte-americano diferente do panorama eurovisivo?

MARO: Em termos de espectáculo, o panorama musical norte-americano, por ter vivido lá, não se distingue muito da Eurovisão. Todos os lugares do mundo descobrem esta magia de ver música ao vivo de uma maneira ou de outra. Temos a Eurovisão como festival, mas não poderemos esquecer que dentro da Eurovisão somos 40 artistas, com estilos muito diferentes e, no final de contas, o que nos une é o gosto pela música seja o género que for.

MHD: Chegaste a Turim no sábado à noite. Já tiveste tempo de conhecer a cidade?

MARO: Infelizmente ainda não. Não me deixam nem dormir (risos). Hoje será o nosso primeiro dia de folga e vamos ver um bocadinho do centro da cidade. Já cá estive em 2011, portanto conheço ligeiramente. Mesmo assim, acho que agora será mais giro porque temos uma equipa fantástica. Será muito mais divertido com este monte de tugas.

Turim
A cidade de Turim à noite © Città di Torino / EBU

MHD: Será que me poderias falar um pouco sobre o visual escolhido para a performance em palco?

MARO: É bastante diferente do Festival da Canção. Para a Eurovisão fizemos uma parceria com a Carol Roquete e com a Diana Matias Pereira, duas estilistas portuguesas que se envolveram com o projeto e que gostam imenso da música e de nós as seis. Eu estive em tour e não houve muito tempo para descobrir algo além do que foi mostrado. Mas conseguimos chegar a uma proposta de vestuário intimista e, de certo modo discreta, que formasse uma espécie de união entre todas nós no palco.

MHD: Desde que ganhaste o Festival da Canção qual tem sido o feedback do público? Sentes alguma pressão?

MARO: Sinto pressão para mim mesma, no sentido em que quero chegar ao palco e quero dar o meu melhor. Queremos todas sentir que fizémos o melhor. Num lado negativo não sinto qualquer pressão.  Tenho sim imensas pessoas a me mandarem mensagens, por exemplo “Vai com força”. Só isso já te faz mexer o coração. Vamos ver o que acontece.

Festival da Eurovisão 2022
MARO no palco do Festival da Canção 2022 © RTP

MHD: Como foi juntar o inglês e o português na letra de “saudade, saudade”?

MARO: Eu tenho outras canções assim. Quando escrevo eu deixo as coisas fluírem, nada é forçado. Nunca mudo ou corrijo com uma segunda intenção. Existem canções que são desta forma porque trabalho com pessoas em inglês, mas eu sou nativa de português e há certas coisas que preciso dizer de uma maneira. Nunca é uma coisa pensada de, por exemplo, acordar e dizer que hoje vou escrever uma música bilingue. Foi isso que aconteceu com “saudade, saudade“.

MHD: Será que me poderias falar um pouco das suas influências para esta canção “saudade, saudade”?

MARO: Eu não fui escrever uma canção com algum artista ou homenagem em mente. Como tudo o que escrevo tem haver com aquilo que ouvi ao longo da minha vida.

Deparei-me com muitos batimentos africanos, com influências estilísticas de João Afonso do seu álbum “Missangas”. Outro exemplo seria o Rajery de Madagáscar e sinto que existem referências às músicas do Congo ou até ao pop porque cresci a ouvir pop. É realmente um pouco da mistela que tenho cá dentro e quando sai música, sai dessa forma.

MHD: Se pudesses acrescentar alguma coisa à tua canção o que seria?

MARO: Poderia ter um versozinho do Zé Cabra (risos). Acho que é uma pergunta difícil. Na altura fiz um vídeo de uma versão ao vivo de “saudade, saudade” em Barcelona com uns amigos e existe ali uma parte que queria que estivesse nesta versão final da Eurovisão.

Gostaria também de fazer uma versão mais longa e provavelmente mais lenta da canção com mais guitarras. Para a Eurovisão 2022 em Turim tivemos que obedecer às regras dos três minutos.

Quero muito fazer uma canção mais acústica, mais comprida e com um swing diferente, mais voltada para o flamenco. Eu vou fazer mais versões ao longo do tempo e logo veremos. De qualquer maneira gosto do resultado que tivemos e da versão em estúdio.

MHD: Eu queria saber um pouco mais do making-off do teu mais recente videoclip “we’ve been loving in silence”. Como foi a colaboração com o Salvador Sobral, que venceu a Eurovisão em 2017?

MARO: Já andava em volta do conceito desde 2018 e lembro-me de falar nisto com um amigo, quando vivia em Los Angeles. Adorava a ideia de lançar uma música e pegar noutro artista para dar a cara no videoclipe, como se a música fosse dele. Parece confuso, mas para mim era algo atrevido e muito giro de se fazer.

Uma vez que vou lançar o meu novo álbum neste verão, estou bastante empenhada em acompanhar o lançamento com vários vídeos. Quero muito dar uma dimensão mais visual aos meus projetos e a ideia realmente seguiu em frente. Estava em Portugal e a primeira pessoa que me veio à cabeça para “we’ve been loving in silence” foi o Salvador. Estou muito feliz de isto ter sido feito e de ter acontecido em Portugal, porque o Salvador elevou o vídeo a mil ao ser tão expressivo. Realmente deu vida ao conceito.

MHD: Certamente o Salvador Sobral deu-te algum conselho para a tua performance no palco eurovisivo?

MARO: Deu sim. Alguns conselhos não posso revelar (risos). Ele realmente disse que era algo diferente, que tudo isto era uma loucura e disse para eu aproveitar. É precisamente isso que estamos a fazer. Estamos com olhos entusiastas e pensamos ‘bora lá aproveitar cada segundo’.

MHD: Como é lidar com a saudade, uma vez que esta canção é para o teu avô?

MARO
© JOEY SCHULTZ

MARO: Talvez não seja a melhor pessoa para responder a isso. Para mim lidar com a saudade é algo que vem com o tempo. Só passou 1 ano e meio desde que ele partiu e aquilo que faço agora é relembrá-lo.

Relembrar as coisas boas dele e pensar naquilo que trago comigo e que veio do meu avô. “saudade, saudade” é a celebração dessa pessoa todos os dias. Em vez de pensar numa forma triste, pretendo ver as coisas de um lado positivo. Pensar ‘eu sou assim, porque ele ensinou-me isto’ ou ‘lembro-me perfeitamente disto’. Quero pensar nestas coisas e compreender o que é a saudade. Não consigo explicar estes meus sentimentos em conversa com outra pessoa. Para mim a música ajuda-me a dizer aquilo que quero e sem ela, jamais o conseguiria fazer.

MHD: Em nome de toda a equipa da Magazine.HD muito obrigado pela entrevista e boa sorte para a Eurovisão. Estamos confiantes que vais trazer um excelente resultado para Portugal.

MARO: Obrigado eu pelas palavras.

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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