Girl Band vão lançar o primeiro single em quatro anos

A iconoclasta banda de Dublin estará de volta no próximo mês com o single “Shoulderblades”. Os Girl Band ressurgem da sombra, quem sabe para ficar. 

Lembram-se dos Girl Band? Talvez não, mas não faltam bandas por aí com o nome deles sempre na boca. Os Fontaines D.C. colocam-nos lado a lado com as suas influências literárias. Os Silverbacks podem gabar-se de ter os seus singles produzidos pelo baixista Daniel Fox. Como também, aliás, o cantor e compositor Paddy Hanna, que colaborou com o produtor no seu segundo álbum Frankly, I Mutate. E, assim por diante, é difícil entrar na cena musical de Dublin sem se cruzar com a sua sombra.

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Eis que dela emergem, três anos depois do cancelamento da sua digressão europeia, em 2016, por motivos de saúde, divulgando nas redes sociais o lançamento de um novo single, por meio da Rough Trade. A arte de capa de “Shoulderblades” é da autoria de Damien Tran, artista francês sediado em Berlin que, já em 2015, criara para a banda um poster de digressão dentro do seu particular estilo de abstracção.

A versão digital de “Shoulderblades” sairá no dia 6 de Junho e, no dia seguinte, chega às lojas uma edição limitada de 750 cópias em vinil. Não há para já notícia de um longa-duração, mas um comunicado de imprensa sugere mais música no horizonte, logo depois de descrever a sonoridade que podemos esperar da canção:

Sonicamente, a paisagem viaja de um distante horizonte dissonante a um ameaçador”shh!”, a nota de serra eléctrica a disparar de ouvido a ouvido, o desconfortável cobertor atonal que nos envolve, iniciando-nos no novo mundo dos Girl Band. “Shoulderblades” é um momento, um estudo, um detalhe significativo do grande retrato surrealista que está para vir.

Os Girl Band vieram ao mundo em Julho de 2011. Formada pelo vocalista Dara Kiely, o guitarrista Alan Duggan, o já mencionado Daniel Fox e ainda o baterista Adam Faulkner, esta banda de Dublin especializou-se numa síntese peculiar de pós-punk, noise-rock e ritmos electrónicos industriais. Tendo chamado a atenção com dois EPs, France 98 (2012) e The Early Years (2015), a banda lançou o seu álbum de estreia – e o único até à data – Holding Hands With Jamie (2015). Os espectáculos ao vivo destes iconoclastas irlandeses eram bem conhecidos pela sua turbulência ensurdecedora, o que só tornou mais atroz o silêncio que se lhes seguiu aquando o cancelamento da digressão de 2016 e o desaparecimento da banda desde então de todos os radares.

A sua música não é para os moles de coração, como não o são também aliás os vídeos, realizados por Bob Gallagher, que acompanham os singles “Pears for Lunch” e “Paul”, com o seu retrato cru da escondida solidão urbana. Podes rever aqui este último, que fez a fama e glória da banda, enquanto esperas para ouvir o que de novo esta nos traz. Seja o que for, não nos deixará indiferentes.

GIRL BAND | “PAUL”

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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