Hey Joe, a Crítica | Festa do Cinema Italiano
“Hey Joe” teve a sua estreia em Portugal durante a Festa do Cinema Italiano, no dia 10 de abril. Acompanha a história de um americano que esteve destacado em Nápoles durante a Segunda Guerra Mundial. Em meados dos anos 1970 ele volta à cidade italiana para encontrar o filho que nunca chegou a conhecer.
James Franco, Giulia Ercolini, Francesco Di Napoli e Aniello Arena interpretam as personagens principais de “Hey Joe”, que tem realização de Claudio Giovannesi. O realizador também esteve presente na estreia do filme no Cinema São Jorge, em Lisboa.
A arte imita a vida
Este é um daqueles filmes em que sentimos menos que estamos no cinema e mais que estamos a acompanhar uma história que podia ser perfeitamente real. É um dos meus géneros favoritos de cinema.
Aqueles filmes simples, lentos, que te levam por uma jornada e te fazem sentir parte da trama. Chamo-lhe os filmes que são sobre nada, mas depois acabam por ser sobre tudo. São arte que imita a vida.
Numa altura em que os filmes procuram muito ter grandes efeitos e espetacularidade, é quase uma lufada de ar fresco quando vemos uma história realista e muito focada no desenvolvimento das personagens a chegar aos cinemas. Estes filmes são tão necessários quanto os épicos blockbusters.
Nápoles é uma personagem
Como referi, este é um filme character driven. Ou seja, tem um plot, uma história e um arco, mas é principalmente focado na jornada das personagens e no seu desenvolvimento enquanto pessoas.
Nesse sentido, o realizador tornou a própria cidade de Nápoles numa personagem em si. Além da bonita cinematografia, conhecemos o lado menos simpático desta famosa cidade italiana.
O lado da prostituição, das drogas e de quem não consegue fugir deste caminho. Nápoles é um sugador dos sonhos destas pessoas que não têm o apoio e a força para fugir.
James Franco a falar italiano

“Hey Joe” precisava de mais desenvolvimento de algumas personagens e de um maior contexto da personagem principal e do seu romance. Além do final em aberto que nos faz sentido mas nos deixa descontentes porque queríamos finalizar esta história de forma mais esperançosa. Contudo, lá está, é um filme realista e nem todas as histórias são contos de fadas.
No entanto, acabamos por empatizar com estas personagens e compreender os seus erros e problemas. A personagem principal, interpretada por James Franco, tem um grande arco ao longo do filme, que nos deixa a torcer por ele e pelos seus objetivos.
Contudo, mesmo com todas as adversidades e obstáculos que se colocam constantemente no seu caminho, é uma personagem que tenta melhorar e procurar uma nova vida durante todo o filme.
The Godfather deixa a sua inspiração
De forma engraçada e não demasiado óbvia, os fãs de “Godfather” notam algumas inspirações em “Hey Joe”. Este é um filme absolutamente influenciador para todos os filmes que envolvem o tema da máfia e o mundo do crime.
Assim, colocando um elemento de humor e algum drama também, o realizador deu-nos a personagem Vittorio. É o padrasto do filho da personagem principal e o Padrinho do seu neto.
Vittorio é o chefe da Máfia local, que exerce uma grande pressão e é uma influência muito negativa para o filho do nosso protagonista. Curiosamente, este Padrinho é muitas vezes chamado de Don Vito, nome da personagem interpretada em “Godfather” por Marlon Brando.
Hey Joe
Conclusão
“Hey Joe” é um retrato simples, imperfeito, mas profundamente humano. Claudio Giovannesi privilegia as personagens em detrimento da ação, e é aí que o filme ganha força. Com James Franco no centro de uma jornada de redenção, fica a sensação de uma história inacabada — mas, precisamente por isso, mais próxima da vida real.

