Numa pequena vila na Coreia do Sul, a polícia vai investigar uma série de gado que aparece atacado por um animal. À medida que a investigação evolui, começam a perceber que não conhecem a criatura que fez o ataque.
É quando de repente, esta criatura chega até ao centro da vila e começa uma destruição massiva que vem a revelar um conflito de proporções cósmicas. Só pela pequena sinopse, este já é um filme enigmático e com potencial para surpreender os espectadores.
“Hope” está a competir para a Palma de Ouro na Competição Oficial do Festival de Cannes e os espectadores estão a adorar este filme. É um filme sul-coreano de Na Hong-jin que, surpreendentemente, também conta com Michael Fassbender e Alicia Vikander nos papéis principais.
As referências a filmes do género

Em várias reviews e comentários ao filme, há muitas comparações a outros filmes de ficção científica e aliens, como “Transformers”, “The Mummy”, “Avatar” e “Alien”. No entanto, apesar de conseguirmos ver inspiração de anos e anos de filmes dentro deste género, ele consegue ser completamente original e diferente de todos os filmes de extra terrestres feitos anteriormente.
É profundamente original, porque consegue colocar vários géneros de cinema num só filme de forma coerente e surpreendente. Começa com elementos de thriller, passa para cinema de terror, com violência estilizada, progride para cinema de monstros e ficção científica e nunca perde o seu sentido de humor durante todo filme.
É impressionante como é que o realizador consegue manter todos esses elementos, durante quase três horas de filme, com variadissimas personagens e nunca se perder pelo caminho.
A reação de Hope em sala no Festival de Cannes
Durante a minha presença no Festival de Cannes, nunca vi uma reação a um filme como esta. Vi-o no Grand Théâtre Lumière, o mais famoso e maior do Palais, com mais de dois mil lugares.
As reações foram efervescentes. Começa com um pequeno riso aqui e ali, passando para uma enorme tensão na sala, até ao momento em que revelam o monstro. A partir daí houve risos, personagens vaiadas e palmas em momentos de catarse.
Uma experiêcia coletiva fantástica que mostra do que é feito o cinema e que este filme deve ser visto num grande ecrã e com uma plateia animada. Foi sobretudo a surpresa deste tipo de filme estar em competição e as revelações que são feitas ao longo de “Hope” que estão a tornar num dos filmes mais falados e apreciados desta edição.
O estilo Spielberg
As várias partes deste filme estão construídas com muita inteligência e assentam todas numa primeira parte com uma base bastante forte. Na Hong-jin leva o seu tempo a introduzir esta história.
Bem ao estilo de Steven Spielberg em “Jaws”, só conhecemos a criatura do filme mais de meia hora depois de começar. Esta técnica cria muito mais tensão e curiosidade no espectador do que mostrar imediatamente qual é a ameaça do filme.
Assim, o espectador fica com receio do que vai acontecer, ao mesmo tempo que tem curiosidade de descobrir e, de repente, meia hora se passa, sem se dar conta pois cada pessoa está a tentar imaginar o que está por detrás daquela destruição.
As sequências de ação fantásticas de Hope contra o CGI que precisa de melhorar

Outra das razões para o enorme sucesso de “Hope” são as suas fantásticas sequências de ação. Aliás, podia dizer-se que o filme é uma continua sequência de ação que só nos deixa respirar no final.
Passamos por vários tipos de sequências de ação, todas feitas com grande mestria e momentos memoráveis. Desde a corrida de Jo In-Sung na primeira parte do filme. Passando pelas car chase em que a própria câmara não consegue acompanhar a velocidade das mudanças de direção do carro.
Até às sequências a cavalo de Hwang Jung-min que nos fazem verdadeiramente torcer por aquela personagem. No entanto, estas sequências brilhantes, vêm contrastar com um CGI verdadeiramente fraquinho em certos momentos do filme.
Não que seja compeltamente mau, mas não está ao nível de outros filmes que estão a sair nos últimos tempos, como “Avatar”. Mas confesso, que ao contrário de algumas críticas a este CGI, não me incomodou e até sinto que dá uma certa magia ao filme.
Não sei até que ponto não é de propósito. Para criar quase um estilo videojogo ao filme, que o torna mais divertido.
Michael Fassbender e Alicia Vikander num papel inesperado
Fui ver este filme sabendo que Michael Fassbender e Alicia Vikander entravam no elenco, mas sem saber quais seriam as suas personagens. Uma das maiores surpresas do filme é ver dois grandes atores de Hollywood fazerem personagens extraterrestres.
É divertido para o espectador e um desafio para os atores interpretarem estas personagens, que têm potencial de desenvolvimento numa sequela que é muito provárel de acontecer. Se este filme chegar aos cinemas com o mesmo entusiasmo que está a receber em Cannes, será o próximo grande franchising do mundo do cinema.

