Horas Decisivas | Entrevista exclusiva com Holliday Grainger

 

Holliday Grainger revela em exclusivo para a Magazine HD os segredos de Miriam, a personagem de Horas Decisivas que voltou a fazer a atriz viajar no tempo. 

Holliday Grainger é uma atriz em ascensão que nos últimos anos tem participado num vasto número de projectos no Reino Unido e nos EUA. Cinderela (2015), Anna Karenina (2012), Great Expectations (2012), Bel Ami (2012) e Jane Eyre (2011) são alguns dos filmes que a transportaram para uma época diferente retratada pelo cinema que lhe deu a fama. Fez ainda parte de séries televisivas como The Borgias (Sky Atlantic), Merlin (BBC) e Demons (ITV), sendo também reconhecida em palco com a peça The Three Sisters no Southwark Playhouse. Depois de contracenar com Emile Hirsch, Cate Blanchett, Jeremy Irons, Robert Pattinson e Michael Fassbender, a atriz abraçou o projecto da Walt Disney Pictures a cargo do realizador Craig Gillespie, ao lado de Chris Pine que se transformou numa nova experiência revelada por Grainger nesta entrevista em exclusivo para a Magazine HD.

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Inicialmente o que a atraiu nesta história?

HG: É uma história que nunca tinha ouvido falar e é fascinante por ser uma história verdadeira de como estes homens salvaram a vida de 32 pessoas numa tarde. Nunca tinha feito nada desta época e adoro a ideia e o estilo da década de 1950… este tipo de cidade pequena com uma mentalidade americana regional, é algo que nunca tinha interpretado.

 

Pode-nos falar sobre o que é a história?

HG: É sobre uma tempestade enorme que vem da costa leste e sobre dois grandes petroleiros que se partem durante a tempestade. A maioria das equipas de resgate saíram à procura de sobreviventes de um navio, mas quatro homens partiram num pequeno barco salva-vidas para encontrar o outro navio e tudo o que podia dar errado, aconteceu. O casco do barco partiu-se em vários bocados, assim como a bússola e ficaram sem saber como ir para o petroleiro, porque também não tinham como falar com a Guarda Costeira, mas ainda assim conseguiram colocar 32 pessoas a bordo de um barco de 12 lugares que já tinha quatro passageiros.

 

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Fale-nos de Miriam, a personagem que interpreta e sobre a sua relação com Bernie.

HG: Interpreto Miriam, que é uma personagem interessante. Demorei algum tempo até entrar dentro da sua mentalidade, porque é tão forte e determinada a conseguir o que quer, mas encaixa-se confortavelmente na década de 1950 e no mundo contemporâneo. Apaixona-se profundamente por Bernie Webber e pela sua honestidade, integridade, simplicidade e bondade e apesar de ser uma mulher com educação, tudo o que mais deseja é casar. Tem de perceber o mundo de onde Bernie vem e ter a certeza, porque casar-se com ele significa casar-se com o seu mundo. O trabalho de Miriam é ser telefonista e quando atende uma chamada que Bernie estava a fazer e o ouve, diz: “É este o homem com quem me vou casar.” Namoraram pelo telefone durante meses e ficam a saber tudo sobre o outro, e entretanto, Miriam concorda em encontrar-se com Bernie cara a cara. É uma relação muito doce, porque Bernie preocupa-se mesmo com ela e estão realmente apaixonados, mas ele não quer levar esta jovem e educada mulher para o meio do seu mundo de perigo, porque está sempre a salvar a vida das pessoas e não sabe quando ou se vai voltar. A Miriam começou a fazer sentido como personagem para mim, quando fui a Cape e me encontrei com Miriam e com a filha de Bernie, Pattie Webber Hamilton. Passou o dia comigo em Chatham, mostrando-me o que havia à volta do atual Posto da Guarda Costeira e apresentou-me a uma mulher que conhecia a sua mãe e o seu pai, o que me fez perceber o seu sotaque. Ela pode ter sido uma verdadeira senhora (as mulheres daquela época tinham sempre o cabelo e as unhas arranjadas), mas teve uma enorme força interior. Ouvindo as histórias reais sobre a mulher que se está a representar e especialmente as da sua família, pode-se tornar muito assustador… é muita pressão para fazer justiça à pessoa.

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Holliday Grainger

“A Miriam começou a fazer sentido como personagem para mim, quando fui a Cape e me encontrei com Miriam e com a filha de Bernie, Pattie Webber Hamilton.”

 

Como é que Miriam reage ao ver Bernie partir na missão?

HG: Miriam não pertence a esse mundo e não percebe a mente masculina e a hierarquia da Guarda Costeira, e como ama Bernie vai à Guarda Costeira e ao escritório do comandante e exige que mandem Bernie regressar da missão. No meu primeiro dia de filmagens, a minha personagem tem uma discussão com Eric Bana onde tive de ir direita à cara dele e o que é muito bom em Miriam é que embora esteja assustada, finge não o estar. Passa o resto do filme a tentar chegar a um consenso sobre o que é ser a esposa de alguém da Guarda Costeira e o que isso pressupõe, e acaba por perceber o quão importante é o seu trabalho.

 

Como foi trabalhar com Chris Pine?

HG: Chris fez um trabalho incrível de interpretação, conseguindo trazer para o grande ecrã pequenas nuances de Bernie, como a forma como fala ou o tipo de força e de estoicismo que tinha. Foi ótimo trabalhar com ele, porque está sempre pronto para improvisar, o que significa que temos de o acompanhar. Obriga-me a ser natural e permite-me fazer o que me parece estar certo para a minha personagem.

 

Holliday Grainger

“Chris fez um trabalho incrível de interpretação, conseguindo trazer para o grande ecrã pequenas nuances de Bernie, como a forma como fala ou o tipo de força e de estoicismo que tinha.”

 

Como foi trabalhar como Craig Gillespie como realizador?

HG: Adoro a forma como Craig realiza. Sempre me orgulhei em ser alguém que é fácil de receber indicações, mas demorei algum tempo até estarmos na mesma onda. Craig não tem medo de mudar por completo uma interpretação na sua cabeça de uma cena para a outra, mas as suas ideias são sempre certas. Este é um filme épico de ação e com muita facilidade podia ser suavizado ou ainda mais dramatizado, mas o que recebi de Craig é que estava a tentar fazer com que o relacionamento de Bernie e Miriam parecesse sempre real. Estava focado neste tipo de estoicismo composto, que é tão adequado para as pessoas que vivem nesta pequena vila de pescadores, com condições ambientais severas… há uma espécie de força e serenidade necessárias para se sobreviver e conseguiu capturar essa atmosfera no filme.

 

Pode-nos falar sobre filmar em Chatham?

HG: Acho que é importante estar no local num filme como este, porque é tanto sobre os locais como sobre a própria tempestade… são como duas personagens. Enquanto atriz, é muito mais fácil obter o tom e a atmosfera certa quando se está sobre uma península gelada uma vez que o carro da sua personagem se avaria… podemos sentir a solidão, o isolamento e o coração da tempestade. E quando se vê o barco salva-vidas real que ainda está amarrado ao Chatham Harbor e o posto da Guarda Costeira atual, parece que estamos em casa e já não nos parece ficção… estamos rodeados da verdade, e faz com que se queria fazer um filme honesto.

 

Acha que é uma história que tem de ser contada?

HG: É uma história humana sobre o cuidado pelo seu parceiro e a forma como as pessoas valorizam a vida, mas é também sobre salvar vidas, o que nos ajuda a dar mais valor à nossa própria vida. A integridade e a coragem que estes homens tinham e o facto de serem tão humildes quanto àquilo que fizeram, foi muito inspirador. Depois há a história de amor de Bernie e Miriam que se entrelaça e que lhe traz um elemento de romance. E há também esta aventura épica de ação e resgate neste filme, onde no fim quase todos são salvos, e o facto de ser real torna-o ainda mais atraente.

 

Ainda mais curioso/a acerca do filme? Horas Decisivas estreia a 4 de Fevereiro de 2016, em 3D, nos cinemas perto de ti.

 

One thought on “Horas Decisivas | Entrevista exclusiva com Holliday Grainger

  • Bel Ami: 3*

    A meu ver é fiel ao livro, gostei do que vi.
    A personagem da Holliday estava igual ao livro.
    Cumprimentos, Frederico Daniel.

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