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IndieLisboa ’20 | Eyimofe, em análise

Na Competição Internacional do IndieLisboa, em 2020, encontramos “Eyimofe”, uma obra oriunda da subsariana Nollywood nomeada para Melhor Primeira Longa-Metragem no Festival de Cinema de Berlim. Exibiu no Indie a 27 de agosto e 1 de setembro. 

“Eyimofe”, ou no inglês “This is My Desire”, obra realizada pela dupla de cineastas Arie Esiri e Chuko Esiri, é mais um exemplo de uma obra de qualidade oriunda do continente africano, numa edição do Indie com especial foco neste.

Filmado em Lagos, capital da Nigéria, “Eyimofe” é um filme da “Nollywood”, a Hollywood nigeriana que todos os anos produz mais de mil filmes. A grande maioria destes filmes não chegam a ser vistos fora do continente africano. Este “This is my Desire”, dos gémeos Esiri, é uma excepção a esta regra. A narrativa acompanha, também ela, histórias de quem quer sair da sua cidade. Os protagonistas do filme, Mofe, um engenheiro que faz reparações numa fábrica e Rosa, uma cabeleireira, preparam a sua evasão para o “el dorado” europeu, de passaporte na mão e motivação em altas.

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Na obra, acompanhamos de forma paralela estas duas histórias de evasão, jornadas rumo a uma nova vida. Os seus objectivos vêem-se sistematicamente atrasados, fruto de impedimentos financeiros e burocráticos que perturbam a sua viagem. Percorremos as pegadas de Mofe e de Rosa, à medida que estes projectam um futuro melhor para as suas famílias. Em busca de uma vida mais confortável, com resultados pouco satisfatórios mas aos quais resistem com nobreza, à medida que o filme se interroga inevitavelmente acerca da veracidade desta Europa sonhada.

“Eyimofe” é um filme honesto, que explora a tenacidade destes dois heróis “banais” do quotidiano e que é mais sobre a vida na cidade do que sobre a vontade de a abandonar. O nosso primeiro herói, Mofe, enfrenta as suas tragédias pessoas com nobreza de carácter e com uma notável firmeza nos seus actos e resoluções. Nunca sentimos pena dele, apenas admiramos a sua pragmática capacidade de processar sentimentos complexos com aparente calma e resolução. Na fase da adversidade, a nobreza de carácter de Mofe nunca é vacilante e garante-nos que é assim impossível corromper o seu espírito.

EYIMOFE
© Berlinale

O filme divide-se em duas partes: “Espanha” e “Itália”. A estrutura de narração é distinta da habitual no cinema ocidental mais corriqueiro e oferece-nos, em paralelo, duas narrativas distintas mas ainda assim próximas. A história de Mofe e a de Rosa não se encontram mas tocam-se especialmente e no tempo. É um puzzle cruzado, mas um que nunca deixa de evidenciar a sua natureza repleta de afeto.

Rosa e a sua jovem irmã grávida, Grace, têm uma vida tão acidentada quanto Mofe e aprendem a lidar com os seus problemas com a mesma nobreza de carácter, à medida que os seus sonhos de evasão se parecem aproximar e simultaneamente afastar.

Esta é a primeira-longa metragem do seu jovem realizador Arie Esiri, nascido em 1985 e que passou pela nova-iorquina Tisch no decurso dos seus estudos. A obra foi realizada em conjunto com o seu irmão gémeo Chuko Esiri que depois de duas curtas se estreia também aqui no formato de longa.”Eyimofe” assemelha-se mais a duas curtas-metragens que se aproximam e se unem numa só, mas não é por isso que a sua estrutura deve ser de forma alguma rejeitada. Antes pelo contrário, a fórmula, embora distinta, sem dúvida resulta. Apenas podemos desejar que mais filmes de Nollywood cheguem à Europa e ao mundo.

TRAILER | “EYIMOFE” DOS IRMÃOS ESIRI 

O IndieLisboa terminou a sua programação no dia 5 de setembro mas continua com sessões especiais e de vencedores, a não perder, até dia 11 de setembro! 

Eyimofe, em análise
this is my desire

Movie title: Eyimofe

Date published: 2020-09-04

Director(s): Arie Esiri, Chuko Esiri

Actor(s): Jude Akuwudike, , Adetomiwa Edun, , Temi Ami-Williams, , Cynthia Ebijie

Genre: Drama

  • Maggie Silva - 80
80

Um resumo

Esta estreia no formato de longa-metragem por parte dos irmãos Esiri traz nobreza e respeito a situações complexas, humanizando os dramas das suas personagens centrais sem nunca esquecer a crítica social mais englobante que aqui fica subjacente.

 

O MELHOR: O retrato humano e sensível que aqui se desenha.

O PIOR: A falta de precisão no destino das personagens e encadeamento da acção;

MS

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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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