15 Filmes para ver até 2016 terminar – Indies | São Jorge

 

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Data de Estreia: 3 de Novembro

O enredo: Nuno Lopes interpreta Jorge, um jovem pugilista que em plena crise financeira em Portugal em 2011 e no duro período da intervenção da troika, está numa situação de desespero, sujeitando-se por isso a trabalhar para uma empresa de cobranças difíceis. Ele próprio está com dívidas por pagar, quer ficar com o filho (David Semedo) e impedir que a mulher uma imigrante brasileira (Mariana Nunes), regresse ao Brasil, levando consigo a criança. Jorge de devedor passa a cobrador, não sem que isso lhe cause uma enorme angústia, sofrimento e problemas de consciência.

São Jorge

 

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Porque é que não o podes (mesmo) perder:  São Jorge é extraordinário trabalho de ficção no real que dá voz aos mais pobres, num  filme cru e realista, com um profundo olhar sobre o Portugal ‘entroikado’, nesta Europa das desigualdades sociais. O protagonista Nuno Lopes sublinhou isso mesmo no seu longo discurso de agradecimento, quando recebeu o Prémio de Melhor Actor, da secção Orizzonti, de Veneza 73, — o mais importante prémio para um actor português em festivais internacionais — alertando os políticos para ouvirem estas pessoas, que são das mais pobres de Lisboa, que são seres humanos e não apenas números.

São Jorge é fruto ainda de um intenso trabalho de investigação do realizador Marco Martins, que durou pelo menos dois anos, em conjunto com o actor Nuno Lopes, que teve mesmo que trabalhar o corpo para se identificar fisicamente com a sua personagem de boxeur.

E ainda conviver diariamente com a gente do Jamaica e da Bela Vista — bairros problemáticos localizados na margem Sul de Lisboa (Fogueteiro e Setúbal, respectivamente) — , onde decorre a maior parte do filme. Resumindo um trabalho duro, visceral e um dos melhores filmes portugueses dos últimos anos.

 

 

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José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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