Jay Som (foto de Lindsey Byrnes)

Jay Som anuncia Anak Ko com o single “Superbike”

“Superbike” é o single principal do segundo álbum de Jay Som, Anak Ko, cujo título alude à herança filipina e história pessoal de Melina Duterte.

Depois do sucesso de Everybody Works (2017), álbum de estreia do projecto bedroom pop Jay Som, de Melina Duterte, a americana de ascendência filipina regressa com o seu segundo esforço, Anak Ko, que sairá no dia 23 de Agosto na Polyvinyl (América do Norte), na Pod/Inertia Music (Austrália, Nova Zelândia e Ásia) e na Lucky Number (resto do mundo). O anúncio veio acompanhado do prometedor single principal “Silverbike”, que podes ouvir abaixo.

Jay som - Silverbike - Anak Ko
Capa de Anak Ko

O novo disco Anak Ko (pronuncia-se “Ah-nuh Koh”) recebe o seu título de uma expressão que significa “minha menina” em Tagalog, um dialecto nativo filipino, e inspirou-se numa mensagem corriqueira que a mãe de Melina Duterte lhe enviou um dia, usando este tratamento familiar. A cantautora explica que esta expressão é “uma coisa carinhosa de se dizer, soa confortável”, comparando o processo de criar e lançar um álbum a dar à luz e cuidar de uma criança. Esta ideia de cura, bem como a da importância da paciência e da bondade, atravessa todo o álbum, ligando-se ao título. Reflectindo sobre o sentido do álbum e o seu crescimento como artista, Duterte explica:

Para mudar, é preciso cometer tantos erros. O que me ajudou foi forçar-me a ser ainda mais pacífica e bondosa comigo e os outros. Podemos ficar tão presos na atenção e no valor monetário de ser músico, que nos esquecemos de ser humildes. Pode-se aprender mais da humildade do que das coisas vistosas. Quero bondade na minha vida. A bondade e a empatia são as coisas mais importantes nesta profissão.

Em Novembro de 2017, Melina Duterte mudou-se da sua terra natal na Bay Area para a cidade de Los Angeles. Foi aí que começou a gravar as demos das novas canções, enquanto abraçava oportunidades de trabalho como música de estúdio, produtora, engenheira de som e misturadora para outros artistas (como Sasami ou Chastity Belt). Vendo-se confrontada com as dificuldades de uma carreira na música, Duterte virou-se para dentro, tomando ainda mais atenção às suas emoções e desejos como forma de se manter firme e focada por entre toda a instabilidade de grandes mudanças.

Como sempre, Duterte gravou em casa (podem-se ouvir, em algumas canções a máquina de lavar a roupa ou a secadora a trabalhar perto do quarto), acumulando os papéis de compositora, produtora, engenheira e misturadora do novo álbum. Pela primeira vez, no entanto, convidou amigos, como Laetitia Tamko (Vagabon), Annie Truscott (Chastity Belt), Justus Proffitt, Taylor Vick (Boy Scouts), e os membros da banda, Zachary Elasser, Oliver Pinnell e Dylan Allard, a contribuir para o disco com harmonias vocais, bateria, guitarras, cordas e pedal de aço. Inspirada pela música da década de 80 de bandas como Prefab Sprout, os Cure ou Cocteau Twins, mas também no trabalho de guitarra de uma banda contemporânea como os Weed, Duterte concentrou-se mais no baixo, de modo a conseguir “um álbum mais ritmado”, e chegou a uma sonoridade brilhantemente táctil e firmemente ancorada.

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Estas características são bastante evidentes em “Superbike”, o single lançado na dianteira do novo registo. As guitarras que abrem e permanecem tilintantes até terminarem numa nuvem de distorção, lembram a fusão de jangle pop e shoegaze dos Ride e acompanham a direcção recentemente seguida por uma banda como Hatchie. Apesar das harmonias vocais mais expansivas que a envolvem, a voz vaga e imprecisa, aveludada de Jay Som surge, igual a si própria, arrastando consigo o ambiente íntimo do quarto, lugar onde vivem e revolvem as imagens e pensamentos expressos nos versos. Um lado etéreo evocado pelas últimas palavras, antes do desfecho épico: “Gonna breathe until you’re gone”  Melina Duterte confessa que em “Superbike” procurou combinar os “Cocteau Twins e a Alanis Morissette”, “deixando-se ir” num torvelinho de shoegaze. Não só conseguiu como nos levou com ela.

JAY SOM, ANAK KO | “SUPERBIKE”

ANAK KO | Alinhamento do álbum

  1. “If You Want It”
  2. “Superbike”
  3. “Peace Out”
  4. “Devotion”
  5. “Nighttime Drive”
  6. “Tenderness”
  7. “Anak Ko”
  8. “Crown”
  9. “Get Well”

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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