Poucos atores conseguem ser reconhecidos ao mesmo tempo por um anão barbudo de armadura e por um arqueólogo egípcio de bigode. No entanto foi o que John Rhys-Davies conseguiu.
Nascido em Salisbury, em 1944, filho de pais galeses (a mãe enfermeira, o pai engenheiro mecânico e oficial colonial), o ator passou parte da infância na Tanganica, atual Tanzânia, antes de a família se mudar para a cidade galesa de Ammanford.
Estudou na Truro School, na Cornualha, e mais tarde na Universidade de East Anglia. Além disso, foi um dos primeiros 105 alunos admitidos e cofundador do clube de teatro da instituição.
Antes de se dedicar por completo à representação, chegou a dar aulas numa escola secundária em Watton, no Norfolk. Até conseguir uma vaga na prestigiada Royal Academy of Dramatic Art, em Londres. A partir daí, o resto é história.
De Gimli a Sallah, os papéis que o tornaram conhecido

John Rhys-Davies ficou mundialmente conhecido pelo papel do anão Gimli na trilogia “O Senhor dos Anéis”, um papel que exigiu longas horas de maquilhagem e próteses. No entanto, tão desconfortáveis que, em certas ocasiões, lhe provocaram reações que chegaram a inchar-lhe os olhos.
Foi precisamente por causa dessa exigência física que recusou regressar ao papel nos filmes de “O Hobbit”, embora tenha aceitado colaborar como consultor sobre a representação dos anões. Curiosamente, apesar da sua altura (1,85 m, bem acima da dos atores que interpretavam hobbits), foi essa mesma estatura que facilitou o trabalho de câmara nas cenas de grupo da Irmandade do Anel.
Antes disso, já se tinha destacado como Sallah, o fiel amigo e especialista em escavações de Indiana Jones, em “Os Caçadores da Arca Perdida” e “A Última Cruzada”. Ou seja, dois dos maiores êxitos de bilheteira dos anos 80. Assim sendo, só neste filmes, estamos a falar na casa dos mil milhões de bilheteira.
Voz reconhecível em jogos e séries de animação

Para além dos papéis mais visíveis, John Rhys-Davies construiu também uma carreira sólida como ator de voz. Emprestou a sua voz a personagens como Hades em “Justice League”, o vilão Man Ray nos primeiros episódios de “Spongebob” e Macbeth na série “Gargoyles”.
Além disso, participou em vários videojogos, incluindo “Freelancer”, “Baldur’s Gate: Dark Alliance” e, mais recentemente, “The Lord of the Rings: Return to Moria” (2023), onde voltou a dar vida a Gimli para narrar a cena de abertura.
Entre as curiosidades mais peculiares da sua carreira está o facto de ser o único dos nove atores da Irmandade do Anel que nunca chegou a tatuar o número “nove” em tengwar.
No entanto, o seu duplo, Brett Beattie, acabou por receber a tatuagem no seu lugar. Em 2004, foi ainda alvo de um boato que o dava, erradamente, como escalado para interpretar o General Grievous em “Star Wars: Episódio III”.
Vida pessoal de paz após o sucesso mundial

John Rhys-Davies foi casado com Suzanne Wilkinson entre 1966 e a morte dela, em 2010, com quem teve dois filhos, apesar de o casal se ter separado legalmente em 1985.
Desde 2004 que está com Lisa Manning, com quem tem uma filha. Dividindo o tempo entre a Nova Zelândia e a Ilha de Man, onde reside desde 1988. Da fama mundial a uma ilha remota, John Rhys-Davies está a aproveitar a reforma como um verdadeiro anão, em paz e sossego.


