John Wick, em análise

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 FICHA TÉCNICA

  • Título Original: John Wick
  • Realizador: Chad Stahelski, David Leitch
  • Elenco: Keanu Reeves, Michael Nyqvist, Alfie Allen, Willem Dafoe, Adrianne Palicki, Ian McShane
  • Género: Ação, Thriller
  • Pris Audiovisuais | 2014 | 101 min

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A certa altura, John Wick diz qualquer coisa como “People keep asking if I’m back… yeah I’m thinking I’m back.”. É curioso verificar que o próprio Keanu Reeves poderia ser o delator desta confissão, como se Reeves e Wick fossem seres com personalidades intermutáveis.

John Wick é obrigado a ressurgir das cinzas após a súbita morte da sua mulher ao mesmo tempo que vê o seu Boss Mustang de 1969 ser roubado e o seu cão (que fora o último presente da esposa) ser brutalmente assassinado pelo sádico Iosef Tarasov (Alfie “Reek” Allen). Tomadas as devidas distâncias e salvaguardadas as evidentes diferenças, a ascensão de John Wick perante as dificuldades que a vida lhe impôs assemelha-se ao ressuscitar de Keanu Reeves para o Cinema e para aquilo que ele melhor sabe fazer.

Reeves nem tem de se esforçar muito na tarefa que sempre foi o seu calcanhar de Aquiles: estabelecer um diálogo digno. Não precisa de falinhas mansas nem de sobejas linhas de diálogo porque subsiste através da sua imponente presença física (algo que já não se via desde “Matrix”).

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Keanu Reeves interpreta um assassino profissional que abandonou os meandros mais obscuros do crime para construir uma família ao lado da sua mulher. Toda essa contenção que John Wick foi gerindo ao longo dos tempos é anulada de forma efusiva quando vê o seu projeto de vida destruído pelo filho impertinente de um dos seus antigos patrões.

É então que Reeves se revela numa prestação explosiva, de grande exigência física mas com apontamentos de humor não descarado que vai, aqui e acolá, provocando algumas reações mais entusiásticas no público.

Chad Stahelski e David Leitch, ambos em estreia na realização (o primeiro foi até duplo de Reeves em “Matrix”), bebem de algumas influências de estilo de Nicolas Winding Refn, nomeadamente na forma como orquestram algumas cenas de ação, servindo-se das virtuosidades do néon e da banda sonora, dos slow-motions, da violência gráfica e de alguns cortes lentos entre cenas do mesmo plano que vão exacerbando a tensão inerente a determinadas cenas. Olhe-se, por exemplo, para a alucinante cena na festa de Iosef, rodeada de corpos sangrentos e fugas vertiginosas, mas com jogos de luzes e sons que lhe confere um brio técnico acima do comum.

John Wick

Embora “John Wick” em certos momentos pareça tornar-se um filho legítimo de “Drive”, a verdade é que a adrenalina e o humor imprimida por Stahelski  e Leitch, em quase todas as cenas, o afasta desse território.  “John Wick” é naturalmente reconhecido como um competente filme de ação americano com apontamentos de autor, e não a situação inversa. E esse factor joga imenso em seu favor. Desta forma, cria-se no espectador uma expectativa mais low-profile (quer queiramos, quer não, a maioria dos filmes de ação americanos são plágios inócuos de si mesmos) e devolve-se muito mais do que aquilo que ele esperava receber.

Não se livra de alguns lugares comuns e de uma sobre-exploração do humor sádico que lhe retira alguma credibilidade em certos pontos, mas é um preço que estamos dispostos a pagar.

A simbiose que se estabelece entre Reeves e Wick só pode dar mais frutos no futuro, é o que se depreende da cena final. Se este for o início de um novo franchise que potencie as competências do seu ator principal, cá estaremos para o apreciar.

 É mesmo verdade, Keanu Reeves está de volta. E que não vos passe pela cabeça fazer mal ao seu cãozinho.

DR

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