Love, Death & Robots Vol. 2 ©Netflix

Love, Death & Robots, segunda temporada em análise

Love, Death & Robots continua a ser um trunfo da Netflix, mas a nova temporada perde pontos pela redução do número de episódios, pelo uso de temas gastos e pela existência de menos episódios inesquecíveis devido a um desequilíbrio entre a animação e a narrativa.

Depois de uma primeira temporada surpreendente em 2019, a série da Netflix que combina animação com Philip K. Dick está de volta para mais 8 curtos episódios de ficção científica.

“Love, Death & Robots” arrecadou 9 prémios com a sua primeira temporada, entre os quais 5 Primetime Emmy com os episódios “The Witness”, “Good Hunting” e “Sucker of Souls”. Teve uma receção de 77% críticas positivas no Rotten Tomatoes, uma pontuação de 65/100 no Metacritic e ocupa a posição 242 no top de séries do IMDB. Por aqui no MHD, a primeira temporada da antologia americana de animação para adultos foi considerada “um orgasmo visual e criativo” e “Experimenta vários estilos e géneros, e flutua no tom, sendo madura e infantil, trágica e cómica, profunda e superficial”. Desta forma a renovação da série foi garantida meses após a sua estreia e a 2ª temporada encontra-se agora disponível na Netflix, desde a sua estreia em Maio de 2021.

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Enquanto a série convergente da Netflix, “Black Mirror” não regressa e tendo a contraparte da CBS, com o remake do clássico “Twilight Zone”, ficado aquém do que se esperava, o regresso de “Love, Death & Robots” é das melhores opções para satisfazer a necessidade dos fãs de cyberpunk.

Tim Miller e David Fincher regressam como criador e produtor executivo, respetivamente, assim como Joshua Donen e Jennifer Miller mantêm as suas posições de produtores. A Blur Studio continua o excelente trabalho na produção dos efeitos visuais, animação e design, e apreciamos também os trabalhos dos Atoll Studio, Passion Animation Studios, Unit Image, Axis Animation e Blink Industries.

Quanto ao elenco, a nova temporada mantém a qualidade da anterior e aposta em estrelas cativantes como Michael B. Jordan, Nancy Linari, Emily O’Brien, Joe Dempsie, Ike Amadi, Nolan North, Fred Tatasciore, Peter Franzén, Jennifer Hale, Sebastian Croft, Brian Keene, Steven Pacey, Scott Whyte e Zita Hanrot.

Love, Death & Robots Vol. 2 ©Netflix

Uma das diferenças que salta mais à vista em “Love, Death & Robots, vol. 2” é o número de episódios. Se houve quem achou que 18 episódios na primeira temporada era um excesso e esse número poderia ser reduzido, neste caso a redução foi a mais e sente-se que a 2ª temporada podia ter pelo menos mais uns 4 episódios.

Esse sentimento é ainda realçado por a temporada ter progredido de forma crescente em termos de qualidade, pelo que no final ficamos a desejar ter muito mais para ver. No geral mantém-se a variedade e a exposição de diferentes tipos de animação. Já as temáticas oscilam entre peculiares e originais, mas também encontramos alguns episódios com tópicos gastos e repetitivos.

Passando então à análise dos contos individualmente. “Automated Customer Service” é a entrada mais leve e comediante, mas não traz nada de novo e o tema é repetitivo. “Ice” marca o regresso do realizador Robert Valley, responsável por “Zima Blue”, um dos episódios melhor cotados e mais falados da primeira temporada. Apesar da animação excelente e do episódio valer a pena em termos visuais, há um desperdício do enredo que se reduz quase a nada, sem o tentar ser. “Pop Squad” e “Snow in the Desert” quase que parecem histórias interligadas e as semelhanças com a história da série “Altered Carbon”, propositadamente ou não, foram notadas por muitos, o que deu aos episódios uma sensação de universo alternativo expansivo. Com visuais a fazer lembrar videojogos, e com histórias curtas, mas complexas, estas duas entradas são ótimos exemplos do melhor que há em “Love, Death & Robots”, sendo que “Pop Squad” se destaca pelo seu tom mais negro e ousado.

Love, Death & Robots
Love, Death & Robots Vol. 2 ©Netflix

“The Tall Grass” usa traços mais artísticos que sobressaem e, apesar de não possuir nem “love”, nem “death”, nem “robots”, o conto de horror é estimulante, se bem que termina abruptamente e não é provocativo o suficiente. “All Through the House” é um conto de Natal simples, mas capaz de arrepiar tanto o Grinch como Jack Skellington (“The Nightmare Before Christmas”). Foi pena não terem aprofundado um pouco mais a história, o que a poderia ter tornado mais memorável.

“Life Hutch” traz Michael B. Jordan como protagonista e revela um realismo incrível. Além disso, a narrativa e a tensão criada fazem lembrar o terror de  filmes como “Alien”. No final, sem dúvida que ficamos a desejar uma versão mais longa. Por fim, “The Drowned Giant” é sem competição, o episódio mais peculiar da temporada. A sua originalidade e estranheza são acompanhadas por uma animação que lembra o filme “The BFG” e também nos traz à mente “As Viagens de Gulliver”. Para muitos será com certeza o conto favorito da temporada.

Love, Death & Robots
Love, Death & Robots Vol. 2 ©Netflix

Apesar de uma nova temporada mais curta, as boas notícias são que a 3ª temporada já está confirmada e não teremos de esperar assim muito por ela, estando prevista a estreia para 2022.

Love, Death & Robots, segunda temporada em análise
Love, Death & Robots

Name: Love, Death & Robots

Description: É o regresso da série antológica de animação para adultos de Tim Miller e David Fincher, para uma 2ª temporada de 8 episódios, com criaturas assustadoras, futuros distópicos, surpresas arrepiantes e humor negro.

  • Emanuel Candeias - 70
70

CONCLUSÃO

A segunda onda de histórias autónomas de ficção científica de Tim Miller e David Fincher continua a ser um trunfo da Netflix. A experiência animada de cyberpunk de “Love, Death & Robots” é um sucesso que merece continuação. Apesar disso, a 2ª temporada perde pontos em relação à estreante pela redução do número de episódios, pelo uso de temas gastos e pela existência de menos episódios inesquecíveis devido a um desequilíbrio entre a animação e a narrativa.

Pros

  • A animação continua estimulante e a um alto nível
  • Diversidade de estilos de animação e temáticas
  • “Pop Squad”
  • 3ª temporada já em 2022

Cons

  • Temporada demasiado pequena, oito episódios não é o suficiente
  • Algumas temáticas usadas já estão demasiado banalizadas
  • A narrativa não acompanhou a qualidade da animação em certos episódios, sendo demasiado superficial
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