Mannarino © Ilaria Magliocchetti Lombi

Alessandro Mannarino | Entrevista exclusiva ao cantor e compositor italiano

Alessandro Mannarino, um dos maiores nomes da música italiana da contemporaneidade, falou com a MHD sobre “V”, o seu novo álbum. 

Vénus Voz Vida Ventre Valor Volume Veneno Violência Vila Vértebra Vagina Vulcão Vagabunda Vento Veias Vegetação Vaidade Verbo Verdade. Assim começa o novo álbum de Alessandro Mannarino sem vírgulas ou outras interrupções. “V” (leia-se Quinto) foi lançado nas plataformas digitais e nas lojas habituais no passado dia 17 de setembro (na Fnac ou Worten em Portugal é difícil encontrá-lo, mas está disponível na loja da Amazon), e assim começa também a nossa conversa com este artista, um dos maiores cantores e compositores italianos do momento.

Contemporâneo de Fabrizio De Andrè, de quem não esconde a admiração e influências, Alessandro Mannarino ou simplesmente Mannarino tem estabelecido um papel curioso na música italiana, pela maneira visionária como conta pequenos apocalipses sociais e pessoais e outras histórias sobre céus que se abrem e mandam luz para os corações que quem está sozinho. Toda esta aventura musical de Mannarino começou em 2001 no bairro Monti da sua cidade natal, Roma e passados 20 anos é um artista mais maduro, mais completo e até universal. Não poderíamos ficar indiferentes ao seu trajeto e depois de muita insistência conseguimos falar com ele.

Alessandro Mannarino
Alessandro Mannarino © Ilaria Magliocchetti Lombi

Se, por um lado, os seus temas iniciais apontam ao seu contexto social, ao seu bairro e à sua calorosa pátria, por outro os temas mais recentes são uma viagem à origem da Humanidade, uma busca por sons novos e poucas vezes escutados internacionalmente. Da língua italiana, ao romanesco, ao espanhol, Mannarino mostra mescla uma série de instrumentos, reivindicado a música como arte de todos e para todos, como a essência que nos conecta à nossa mais pura identidade.

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Mais curioso é nas suas canções conseguimos ouvir inclusive português (sim a nossa língua!), pois foi com Caetano Veloso e Gilberto Gil que aprendeu o significado da metáfora. Ao contrário de outros artistas, o português nas canções de Mannarino não é inserido como um acessório, como um adereço inútil. É exatamente o oposto. A língua portuguesa nos seus álbuns vincula-se fortemente às emoções que o cantautor quer propagar. Sabemos muito bem, que existem sentimentos que só podem ser ditos em português, e que vão muito além da tão popular palavra saudade.

Aliás, é também através do português e de uma envolvência profunda com a nação brasileira que Mannarino imprime toda a lógica deste seu novo esforço profissional. Porque no álbum “V” de Mannarino fala-se de uma conexão entre povos, como já acontecia no romance “Iracema“, em 1865 por José de Alencar e que remete para o nascimento de um país, o Brasil, através da conexão e encontro de culturas. Aproveitando-se dessa história, “V” de Mannarino torna-se um curso de água que nos liga aos nossos ancestrais para alcançar a tão desejada união.

Com os muros quebrados, Mannarino lança-se aos conceitos de liberdade, emancipação, revolução, patriarcado e feminilidade através dos sons tribais, dos cantos e suspiros de mulheres indígenas, dos gritos de animais livres e que ficam impregnados nas nossas cabeças. Percebe-se tudo isto à primeira vista, pois a sua capa do álbum “V” de Alessandro Mannarino mostra-nos a mulher indígena, guerreira e livre, a tirar o seu gorro (ou será que o coloca?) e não uma mulher com medo. Esta é uma imagem evocativa da obra, que fala-nos da luta, no sentido não-violento, até poética e mágico.

capa do álbum V de Mannarino
Capa do álbum “V” de Mannarino já disponível © Paolo De Francesco

Durante a entrevista exclusiva com Alessandro Mannarino falámos destes temas, porque queremos apresentar finalmente o artista àqueles que não o conhecem. Certamente, quem não limita o seu repertório musical às repetitivas playlists que passam nas rádios portuguesas conhecerá Mannarino ou já terá ouvido falar nele. Alguns dos seus temas mais conceituados e escutados são “Me so’mbriacato” – imediatamente aclamado pela crítica e pelo público -, “Arca di Noè” – um perfeito misto entre italiano e português – ou “State Zitta“. O cantor tem um currículo invejável e para o seu novo projeto trabalhou com produtores conceituados, nomeadamente Joey Waronker (responsável pela produção de músicas de Beck) e Camilo Lara (do Mexican Institute of Sound).

Produzido entre Nova Iorque, Los Angeles, Cidade do México, Rio de Janeiro, Amazónia e Itália, o álbum é o mais pessoal e oferece-nos uma viagem deslumbrante, após as fantasias carnavalescas apresentadas em “Supersantos” (disco de 2011); “Al Monte” (disco de 2015 aclamado com o prémio dos direitos humanos Premio Amnesty International Italia 2015) ou “Apriti Cielo” (disco 2017). Atrevemo-nos a dizer que com Alessandro Mannarino descobrimos uma nova musicalidade, na aliança de todas as musicalidades deste planeta, e que expandirá consciências.

O sucesso de Alessandro Mannarino é imenso, e não só enche salas de espectáculos em Itália (o seu tour mais impactante foi além das 150 mil pessoas) como tornou-se no único artista daquele país a tocar no Musée d’Orsay em Paris, em janeiro de 2020. Talento comprovado tem uma voz inimitável e através das suas letras vamos ao fundo das nossas almas e descobrimos algo sobre nós e sobre a nossa corrente sanguínea que ainda não sabíamos que ali estava.

Mannarino
Concerto de Mannarino em Milão © Francesco Prandoni

A seguir poderás ler a nossa entrevista ao cantor italiano Mannarino, intercalada com músicas do novo disco, outras conceituadas, e com fotografias oficiais do artista para a promoção do álbum.

MHD: Porquê África, porque Amazónia e os temas tribais sobra a origem da Humanidade para o teu novo disco? 

Alessandro Mannarino: Eu fiz o meu percurso, desde o primeiro disco “Bar della Rabbia” e este percurso diz respeito a momentos da minha vida, do meu pensamento. Parti do folk romano, mais romano que italiano, diria ligado a um modo de vivência num tempo particular meu, a minha experiência de bar. Está muito ligado a este espaço. Há medida que seguia em frente, pouco a pouco, sempre tentei colocar o meu pensamento na música. Depois em “Supersantos” confrontei-me com os temas da cidade, já fora do bar, e portanto relacionado com o confronto com o poder. Em “Al Monte” era um afastamento perante os dogmas, perante as figuras institucionais, onde tínhamos uma série de figuras: o prisioneiro, a religião e tínhamos inclusive o militar. Depois cheguei a “Apriti Cielo” e esse álbum em particular, tratava-se de uma recitação, como uma súplica e onde me perguntava “para onde posso ir a partir daqui?”.

Chegamos finalmente a este álbum, “V” e onde quis colocar aquela que era a minha ideia sobre um mundo diverso, mas um mundo possível. Portanto, escolhi África e a Amazónia porque sugerem-me isso. São referências de um modo de pensar o mundo que não é monoteístico, mas acaba por ser panteístico. Que não é orientado ao pensamento do Homem como identidade singular, ou seja, no domínio do individual que nos propõem o capitalismo e o neoliberalismo. O meu objetivo era mostrar o Homem como uma coletividade, como uma comunidade. Posteriormente, havia aqui um encontro com o desconhecido, uma relação mais intrínseca com o mistério e com as energias inerentes à Natureza. Em “V” queria mostrar a vida em si mesma, as interligações de nós seres humanos, porém sem recorrer aos dogmas e outras coisas que nos ensina a cultura em que vivemos ou aquilo que nos diz a religião. Por isso, neste disco não há nem religião, não há ciência, não há tecnologia. Há somente o abismo e em frente deste abismo a minha procura pela poesia.

Africa de Mannarino

MHD: Porquê o recurso à língua portuguesa nas tuas letras? O português está presente neste álbum, mas sobretudo no antecedente “Apriti Cielo”. O que transmite o português e que não encontras com o italiano?

Alessandro Mannarino: As línguas românicas são todas comunicáveis e têm todas a mesma alma, mas assumem um caráter diferente. O romanesco, que eu uso muitas vezes em diálogo com o italiano, ajuda-me a transmitir particularidades únicas. O italiano uso para transpor questões concetuais, e o romanesco usou-o para transmitir aquilo que vem de dentro, que vem do coração, que vem do interior do meu estômago, por ser esse o meu dialeto.

Eu vejo que o português e até o espanhol, oferecem nuances e tonalidades que não existem no italiano. Por exemplo, no português – tendo em conta que o meu português é inspirado no português do Brasil, onde tive a oportunidade de viajar imenso – existe uma musicalidade que não encontro noutros sítios. Há uma musicalidade que me transporta para aquilo que vivi nas escolas de samba e diretamente na selva, portanto é um mundo completamente à parte. Eu fiz uma viagens pelas músicas daquele país, que acabaram por estar presentes no meu trabalho.

Mannarino
Alessandro Mannarino © Ilaria Magliocchetti Lombi

MHD: Que emoções sentes e te saem do corpo quando ouves as canções de Caetano Veloso ou Gilberto Gil, artistas que tantas vezes indicas como referências?

Alessandro Mannarino: Para mim existem realmente letras e textos impressionantes que foram escritos no Brasil. Não é como no inglês e no trabalho de artistas como Bob Dylan, de quem sabemos tudo aquilo que foi escrito. O português é, tal como italiano, muito menos acessível no mundo. Existem pequenos textos e extratos geniais de Caetano Veloso, Gilberto Gil, de Chico Buarque, que não têm o mesmo impacto junto do público como os textos de Bob Dylan e a quem não devem nada. Além desses nomes, sou um admirador de outros artistas que oiço regularmente como Candeia, Cartola, Beto Barbosa. Estudei muito a música brasileira e continuam a arrepiar-me a cada minuto.

Quero voltar a esse sentido das línguas neo-latinas e ao facto do espanhol ser bastante falado no mundo e ser também rapidamente compreensível, contrariamente ao português, ao italiano ou ao francês que não são tão fáceis de aprender nem de entender e que acabam por se ressentir. Acredito que quando alguém começa a entender mais sobre uma língua, como eu que comecei a ir a fundo no português, conseguimos desvendar coisas novas. Abrimos as nossas mentes a autênticas obras de arte.

Arca di Noè de Mannarino

MHD: Sem esquecermos que o português nos teus discos é sempre cantado por uma mulher, como em “Arca di Noè” do álbum “Apriti Cielo” e um pouco em “Agua”. Porquê a voz feminina em particular? 

Alessandro Mannarino: Primeiro porque tenho medo que o meu sotaque em português não seja perfeito (risos). Gosto muito desta ideia de alteridade, alternância se quiseres. Nos meus últimos trabalhos a voz feminino está sempre presente, basta recuarmos à canção “La Stregga e Il Diamante”, onde tínhamos eu a cantar italiano e a voz de uma mulher a cantar em siciliano. Essa é uma língua completamente distinta e complexa para mim.

Eu associo regularmente a figura da mulher a um mundo diferente, diferente do meu. Quando ofereço a parte da canção em português a uma mulher, consigo contemplar ainda com mais força essa diferença. Não sei comentá-lo de outra forma.

MHD: A mulher que na realidade é essa guerreira do teu novo trabalho. Na capa do álbum temos uma mulher indígena que usa um gorro invernal e é acompanhado por auriculares. Parece que a música a ajuda a libertar-se dos seus medos. De que maneira, poderá a música salvar-nos? 

Alessandro Mannarino: A música salva-nos do necessário, a música atira-nos para a verdadeira utilidade das coisas, daquilo que nos define autenticamente como seres humanos. A música consegue transportar-se para esse espaço que nos define. Um espaço que nos coloca num nível distinto dos animais, por exemplo. A música para mim tem essa particularidade. Além disso, é capaz de nos atirar para vários níveis, que são antes de tudo níveis de um mundo sem fronteiras.

Agua de Mannarino

MHD: Alessandro, tu viajaste pela América e pela Amazónia em busca dos novos sons do teu disco. Descreverias como um processo em busca da tua identidade ou uma viagem sobre a identidade de um novo?

Alessandro Mannarino: Foi mesmo uma viagem sobre a minha identidade. A minha identidade constrói-se nesse encontro com o dissemelhante. Através desse encontro, faço uma viagem interior sobre a procura das raízes em comum ao ser humano. O disco fala-nos dessas raízes, de uma forma em que somos todos indígenas. A nossa história, enquanto seres no planeta, é muito mais indígena e voltada para esse mundo, do que para o industrial. É muito mais agrícola, é muito mais agrária do que mecânica. Vivemos num mundo tão focado nos avanços da tecnologia que esquecemos o que faz parte do nosso passado.

Atenção, porque no meu novo disco, não digo que quero voltar atrás e abandonar tudo aquilo que fomos aprendendo ao longo dos séculos. Contudo se reconhecermos esses modos, dessa forma de estar na vida indígena e selvagem, conseguimos encontrar um escape a todos os problemas com os quais somos confrontados na nossa sociedade contemporânea. O meu “V” é substancialmente esse despertar do ser humano perante a cadeia a céu aberto onde vivemos hoje. Deste poderoso controlo das mentes que cria muito mais danos e imensas doenças nos nossos corpos.

Mannarino
Alessandro Mannarino © Ilaria Magliocchetti Lombi

MHD: Para ti, então “V” poderia colocar-se ao mesmo nível de uma Torre de Babel, mas onde existe uma coesão, por muito inquieta que continue a ser? 

Alessandro Mannarino: Eu acredito que, neste momento, o verdadeiro crescimento da Humanidade não se faz em altura. Isto é, não é um crescimento que se estabeleça em direção aos céus, mas  horizontalmente. Quero falar de descolonização, mas não aquela retirada dos membros de uma metrópole de um determinado país, mas daquilo que chamo como descolonização do pensamento. Refiro-me ao pensamento sobre o capitalismo e sobre aquilo que tantas vezes quisemos delimitar como a concepção do género, que as estruturas patriarcais aprisionaram-nos. Então, mais do que uma Torre de Babel diria que este é um campo aberto. Precisamos de crescer dessa forma.

MHD: O teu novo álbum carrega um forte simbolismo. Tendo sido registado no Brasil durante a pandemia, o que tens a dizer do governo Bolsonaro? As ideias deste presidente são totalmente opostas à unidade que buscas e que reúnes na tua obra…   

Alessandro Mannarino: Eu já estava no Brasil no momento em chegou a pandemia. Estava lá exatamente para realizar esse caminho, essa jornada de busca da fantasia e da tribalidade que ofereço no meu disco. Regressei a Itália no último voo entre estes países, mas tive tempo de assistir a uma série de manifestações e protestos. Quis mesmo participar num desses movimentos e ajudar os brasileiros contra o radicalismo e extremismo que promove aquele governo. Estava lá eu com minha panela (risos).

Quero lutar pela libertação do pensamento… Não quero deixar de referir que todos nós seres humanos temos que o fazer. Mas uma coisa é certa, antes dessa grande revolução deveríamos centrar-nos na revolução que começa por dentro. Se fossemos constantemente revolucionários connosco próprios, essa luta maior estaria concluída. Temo-nos afastado disso, e esquecemos do nosso corpo, que acaba por ser colocado num patamar distante.

Cantaré de Mannarino

MHD: Falas como de uma necessidade de abrirmos os olhos? 

Alessandro Mannarino: Sim. Não é por acaso que também já li muitos livros de José Saramago, entre os quais “Ensaio sobre a Cegueira”, onde o autor refere-nos o quanto somos cegos perante determinados sistemas que atualmente predominam na nossa sociedade.

Saramago é alguém que nos ajuda a mudar a visão diante uma série de questões. Fala muito da violência do Homem e do encontro entre culturas, e acho que isso fascina-me. Interessa-me muito esse estilo de redação fortemente distópico que faz eco nos meus trabalhos musicais.

MHD: Tens planeado algum concerto em Portugal? O que tens a dizer aos teus fãs portugueses, brasileiros, enfim de língua portuguesa?

Alessandro Mannarino: Há já algum tempo que tenho estado a pensar fazer concertos fora de Itália. Neste momento não sabemos ainda muito bem como serão as coisas, por causa da pandemia. Estamos à espera de conseguir fazê-lo em 2022. Um dos meus objetivos é atuar em Lisboa, a capital portuguesa, porque é uma cidade que gosto bastante e que tive oportunidade de visitar várias vezes. Em Lisboa respiramos esse encontro entre culturas, respira-se a música. É incrível!

Encontramos portugueses, espanhóis, brasileiros, é uma cidade de porto e é uma cidade europeia que está mais próxima da América do Norte e da América do Sul. É uma porta entre a Europa e as outras nações.Gostaria de dizer àqueles que me ouvem e que falam português, um simples obrigado. Eu amo vocês, eu amo o vosso idioma. Gosto muito da vossa cultura. 

MHD: Muito obrigado! 

Depois desta fantástica entrevista com Alessandro Mannarino, poderás finalmente ouvir todas as músicas do álbum “V” no Spotify.

Tour de Mannarino em 2022 por Itália

Mannarino apresentará o seu disco “V” em 9 datas distintas, nas salas de espectáculos mais conhecidas da Itália. Conhece o calendário completo da sua dor abaixo.

  • Quinta-feira, 17 de fevereiro 2022 || Roma / Palazzo dello Sport 
  • Sexta, 18 de fevereiro 2022 || Roma / Palazzo dello Sport 
  • Domingo, 20 de fevereiro 2022 || Nápoles / PalaPartenope 
  • Quinta-feira, 24 de fevereiro 2022 || Bari / Palaflorio 
  • Sábado, 26 de fevereiro 2022| Assago (MI) / Mediolanum Forum 
  • Sábado, 5 de março 2022 || Turim / Pala Alpitour 
  • Segunda-feira, 7 de março 2022 || Florença / Nelson Mandela Forum 
  • Sexta, 11 de março 2022 || Catânia / PalaCatania

Poderás encontrar mais informações sobre os bilhetes para um concerto de Mannarino na página oficial do artista. Todos estes concertos são produzidos pela Vivo Concerti. 

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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