"Ex Machina"/"Mad Max: Estrada da Fúria"/"Carol" | © FilmNation Entertainment/Warner Bros./The Weinstein Company

Óscares 2016 | Os prémios da MHD vão para…

Se os escritores da MHD votassem, será que os resultados dos Óscares de 2016 teriam sido os mesmos, com grandes vitórias para “O Caso Spotlight”, “The Revenant” e “A Queda de Wall Street”?

A tradição dos Óscares votados pela equipa MHD continua. Em edições anteriores, “A Favorita”, “A Forma da Água” e “Moonlight” sagraram-se campeões, mas agora é altura de examinar o ano de 2016, quando “O Caso Spotlight” ganhou apenas dois Óscares, incluindo Melhor Filme, e “Mad Max: Estrada da Fúria” dominou as categorias mais “técnicas”, com seis vitórias. Uma coisa é certa, a equipa nunca esteve tão dividida como nesta votação.

Em várias categorias, a diferença entre o vencedor e os derrotados não foi mais que um voto e muitos foram os casos em que os cinco nomeados receberam votos da equipa. Tratou-se de uma votação muito dispersa, portanto, uma prova de grande heterogeneidade de opiniões e perspetivas sobre o que constitui, ou não, bom cinema.

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Como sempre, tentámos seguir os métodos que a própria Academia de Hollywood emprega, como o voto secreto e o uso de sistemas preferenciais em categorias específicas. Não é perfeitamente igual, pois a MHD não tem mais de 6000 membros como a Academia dos Óscares, mas sempre dá uma ideia da opinião coletiva da equipa.

Segue as setas para ires explorando as 24 categorias, sendo que começamos com os prémios para as curtas-metragens e terminamos com o prémio máximo, o Óscar para Melhor Filme. Todos os textos a acompanhar as categorias foram escritos por Cláudio Alves, a não ser nos dois casos específicos em que outro autor é assinalado, Melhor Canção Original e Melhor Ator Principal. Em todo o caso, esperamos que, mesmo que discordem das nossas escolhas, entendam algum do raciocínio que levou a elas.

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Sem mais demoras, aqui ficam os resultados dos Óscares MHD de 2016…

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MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL

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© HBO

O Óscar MHD vai para… A GIRL IN THE RIVER: O PREÇO DO PERDÃO, Sharmeen Obaid-Chinoy!

Apesar de estes terem sido uns Óscares MHD com votos muito dispersos e opiniões heterogéneas, começamos com uma categoria em que a nossa equipa concordou com a decisão da Academia. Considerando a importância do filme em questão, talvez não nos devêssemos admirar tanto com este resultado. Afinal, muitos artistas querem mudar o mundo, mas raro é aquele cujo trabalho realmente tem impactos diretos e consegue efetivamente mudar algo.

Assim foi o caso de “Girl in the River: O Preço do Perdão” realizado por Sharmeen Obaid-Chinoy, a realizadora mais nova de sempre a conquistar múltiplos Óscares. Esta cineasta paquistanesa tem dedicado a vida e carreira a apontar o dedo às injustiças da sua nação e cultura. A arma que ela usa são os seus filmes, um modo de ativismo cinematográfico que tem tido resultados visíveis. “Girl in the River”, por exemplo, levou o governo paquistanês a reconsiderar e alterar a sua legislação sobre crimes de honra.

A cineasta fez isso ao dar uma cara humana ao problema e forçar os espectadores a lidar com o horror da perspetiva da vítima. Neste caso, a figura central do filme é uma jovem de 19 anos que, depois de se casar sem o consentimento da família, foi alvejada pelo pai e pelo tio. Subsequentemente, eles puseram o corpo inconsciente da mulher num saco e atiraram-no ao rio. Miraculosamente ela sobreviveu, mas teve de suportar as pressões sociais e judiciais para perdoar os seus atacantes. Segundo as leis vigentes no Paquistão, esse perdão seria o suficiente para exonerar a família dela de qualquer culpa. Trata-se de um caso horrendo e de uma história contada com respeito e fúria jornalística neste brilhante documentário que absolutamente mereceu ganhar o Óscar.

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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