Óscares 2016, em análise | Melhor Filme

 

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A acreditar no principal barómetro, o vencedor do Óscar de Melhor Filme em 2016 será “A Queda de Wall Street”. Mas nem tudo é assim tão linear.

Se é verdade que “A Queda de Wall Street” venceu no Sindicato dos Produtores (que nos últimos oito anos coincidiu com o vencedor dos Óscares e que utiliza, inclusive, um sistema de votação idêntico com boletim por preferência – onde os votantes têm de ordenar de 1 a 8 os seus filmes favoritos na categoria de Melhor Filme), a acreditar nas declarações de Pete Hammond do Deadline, essa vitória foi conseguida quase pela margem mínima (por apenas três votos face ao segundo classificado e com quatro filmes com semelhante número de votos).

É que a concorrência é feroz. De um lado temos “O Caso Spotlight” que, caso vença o prémio de Melhor Filme (à semelhança do que aconteceu nos Critics’ Choice Awards ou no caso dos SAG), tornar-se-á num dos vencedores de Melhor Filme com menos vitórias de sempre em outras categorias (Melhor Argumento Original parece ser certo, e Mark Ruffalo é uma hipótese remota). A última vez que um filme venceu apenas dois Óscares, incluindo para Melhor Filme, foi em 1952 com “The Greatest Show on Earth”. O mesmo se passará com “A Queda de Wall Street” que, apesar de ter hipóteses de vencer Melhor Montagem, sairia da cerimónia com apenas dois prováveis Óscares. Estamos realmente longe dos tempos dos grandes sweeps e, portanto, tal poderá não significar nada (afinal, “Argo” e “12 Anos Escravo” não ganharam mais do que três Óscares cada um nos seus anos).

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Depois há ainda o filme que se assume neste momento como o favorito, mesmo que a sua vitória implique que a História da Academia seja reescrita. O filme de Alejandro González Iñárritu, “O Renascido”, beneficia da sua vitória nos DGA, Globos de Ouro e BAFTA (sendo importante realçar que estes últimos dois prémios galardoaram “Boyhood” em 2015, não tendo, portanto, quaisquer problema em dar a Iñarritu os louros em 2016), assim como uma certa desconfiança de que a campanha #OscarsSoWhite possa resultar na coroação do realizador mexicano. Se “O Renascido” vencer o Óscar de Melhor Filme, Iñarritu será o primeiro realizador de sempre a vencer o Óscar de Melhor Filme em dois anos seguidos (sendo o terceiro a conseguir levar para casa o Óscar de Melhor Realizador em anos consecutivos, a seguir a John Ford e Joseph L. Mankiewicz).

Sendo esta uma declarada luta a três, há ainda quem acredite que se trata de uma luta a quatro ou até a cinco, com “Mad Max: Estrada das Fúria” a meter-se na conversa ou até “Quarto” a se tornar numa surpresa (que poderia beneficiar da divisão de votos para se intrometer entre os gigantes, conseguindo uma surpresa tão grande quanto “Chariots of Fire” conseguiu em 1982).

Por aqui, não estamos crentes em surpresas maiores e, se tivéssemos de apostar o nosso dinheiro, a aposta segura seria em “O Renascido”, que beneficia também do facto de ser o filme mais nomeado (com um total de 12 nomeações) e será certamente um daqueles que vai levar mais prémios para casa (numa luta com “Mad Max: Estrada da Fúria”). No entanto, não será de descurar uma vitória de “O Caso Spotlight” (o filme mais “emocional” entre os favoritos) ou mesmo “A Queda de Wall Street” (que é produzido por Brad Pitt e é o tipo de filme “importante” que a Academia costuma premiar).

Aposta: O Renascido

Alternativa: O Caso Spotlight

 

 

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Daniel E.S.Rodrigues

Sonho como se estivesse num filme de Wes Anderson, mas na verdade vivo no universo neurótico de Woody Allen. Sou obcecado pela temporada de prémios, e gostaria de ter seguido a carreira de cartomante para poder acertar em todas as previsões dos Óscares, Globos de Ouro (da SIC), Razzies, Troféus TV7 Dias e Corpo do Ano Men's Health. Mas, nesse universo neurótico e imperfeito em que me insiro, acabei por me tornar engenheiro. Sigam-me no Instagram para mais bitaites sobre Cinema, Música, Fotografia e outras coisas desinteressantes.

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