Outer Range, Billy Tillerson (played by Noah Reid)

Outer Range | Entrevista ao elenco da nova série Prime Video

Falamos com o elenco de Outer Range: Noah Reid, Shaun Sipos, Tamara Podemski, Isabel Arraiza e Lewis Pullman.

São os nomes do momento. Entrevistámos os principais rostos da série original “Outer Range” da Prime Video que chega hoje à plataforma de streaming. A série foi escrita pelo dramaturgo Brian Watkins e cria a sua trama a partir de uma mistura dos elementos tipicamente encontrados no género western com elementos contemporâneos da ficção científica.

Além da ousadia no género, o autor teve tempo de trabalhar em personagens e quebrar de uma vez por todas os estereótipos. Temos obviamente o filho ganancioso, o filho estranho, o filho lutador, mas também temos uma xerife indígena e homossexual e temos uma jovem latina trabalhadora e à procura de melhores condições de vida. “Outer Range” é uma série que promete romper algumas percepções do western, encerradas e isoladas num tempo próprio da história do entretenimento nos Estados Unidos. Mais do que inovador, “Outer Range” consegue ser um projeto libertador.

Trailer de Outer Range

Foi isso que sentiram os atores de “Outer Range”. As estrelas que falámos foram Noah Reid (Billy Tillerson), Shaun Sipos (Luke Tillerson), Tamara Podemski (Xerife Joy), Isabel Arraiza (Maria Olivares) e Lewis Pullman (Rhett Abbott). Uma conversa única muito dinâmica, onde cada um destas estrelas contou-nos um pouco sobre as personagens e também sobre aquilo que significa “Outer Range”.

Não percas ainda as nossas conversas com Josh Brolin, Lili Taylor, Imogen Poots e Brian Watkins que foram publicadas ao longo do dia de hoje. Assiste a “Outer Range” o quanto antes e descobre o impacto que esta série promete causar em 2022.

MHD: A minha primeira pergunta é tanto para Noah quanto para Shaun. Como criaram a dinâmica familiar para “Outer Range” e como foi ter o Will Patton como pai?

Noah Reid: Acho que, em grande parte, a dinâmica familiar foi criada nas páginas do argumento. Lembro-me de falar com o Shaun quando chegámos ao Novo México para filmar e realmente tinhámos as coisas bem preparadas para o projeto que nos foi entregue. Conseguimos estar em sincronia e entender bem as nossas personagens, como deveriam interagir uma com a outra. O Billy vai perceber o que lhe conecta ao Wayne e tomar algumas decisões importantes com base nisso.

Outer Range
Outer Range, Wayne Tillerson (played by Will Patton)

Curiosamente somos ambos do Canadá e portanto há esse entendimento partilhado que vem das nossas origens. Depois trabalhar com o Will Patton foi realmente único. É como interagir com uma corrente elétrica. Houve momentos verdadeiramente emocionantes.

Shaun Sipos: Eu concordo com o Noah completamente. Acho que o Brian consolidou perfeitamente a narrativa. Em termos do trabalho que fizémos foi conversar bastante ao telefone e tentar certificar-nos que passámos muito tempo juntos. Eu senti uma boa ligação com o Noah, por sermos canadenses, e depois ter o Will Patton como patriarca da família foi algo mágico. Acho que o Will estava sempre preparado para atuar e sabia entrar na personagem cada vez que a câmara começava a filmar.

Outer Range
Outer Range, Billy Tillerson (Noah Reid) © Prime Video

O Brian Watkins, o criador do projeto, foi testemunha dessa transformação. Certo dia, o Will Patton veio ter comigo e com o Brian e disse que sabia do que se tratava a série. Foi apenas isso que disse antes de se ir embora. Pequenos momentos que me deixaram rendidos àquele ator.

MHD: Como foram as rodagens? Sabemos que a série foi filmada num lugar remoto seguindo rígidos protocolos para contenção da pandemia COVID-19.

Outer Range
Outer Range, Luke Tillerson (Shaun Sipos) © Prime Video

Noah Reid: Para mim foi maravilhoso. Eu gosto de filmar fora de casa. Não só porque não existem distrações, como também porque houve a possibilidade de filmar longe da cidade. Fomos para um lugar no Novo México praticamente intocável. Senti a magnitude daquela terra, a extensão dela. Tivémos todo o cuidado com a pandemia COVID-19, mas estávamos numa bolha, isolados. Acho que nos sentíamos todos um pouco felizes por isso.

Shaun Sipos: Sim, eu concordo com isso. Rodar uma série durante esse período foi desafiante. Ficámos longe de casa, mas também ficámos longe de tudo. A rodagem, apesar de todas as dificuldades permitiu-nos perceber que estávamos todos no mesmo barco. Permitiu-nos conectar uns com os outros. Não sei se algum dos meus colegas já o mencionou, mas senti-me como uma companhia de teatro, onde um ator sente-se realmente ligado a outro ator. Partilhamos cenas, mas também conhecemos outras pessoas. Foi um momento realmente especial e único e duvido que alguma vez voltaremos a rodar em situações semelhantes.

Outer Range
Outer Range, Patricia Tillerson (Deirdre O’Connell), Luke Tillerson (Shaun Sipos), Billy Tillerson (Noah Reid) © Prime Video

MHD: Agora a minha pergunta é para a Tamara Podemski. O que te atraiu nesta personagem? Não é uma personagem que estejamos habituados a ver na televisão.

Tamara Podemski: Eu fiquei completamente rendida à minha personagem, a Xerife Joy. O Brian foi capaz de virar o género do faroeste de pernas para o ar. Conseguiu transportar uma personagem índigena para o mundo contemporâneo, mas sem a conotação a que está habitualmente associada. Tive a sorte de participar de um projeto onde sentimos que há uma nova narrativa. Há algo ao virar da esquina, que pode abrir muitos caminhos.

Lewis Pullman
Outer Range, Rhett Abbott (Lewis Pullman), Maria Olivares (Isabel Arraiza) © Prime Video

MHD: Isabel, como descreverias a tua personagem? Quão intenso foi preparar o seu relacionamento com o Rhett, a quem dá vida o Lewis?

Isabel Arraiza: A minha personagem, a Maria, é uma mulher inteligente e determinada que sabe muito bem o que quer na vida. Esta é uma mulher que tem que começar de novo. Ela conecta-se com aquele amigo do liceu e percebe que existe ali um clima de romance. Acho que ela aprende que é capaz de viver uma grande paixão, ao mesmo tempo que luta pela suas convições. É uma mulher que assume alguns riscos, mas que está muito terra a terra.

MHD: Lewis, e para ti como foi dar vida ao filho rebelde do Josh Brolin e da Lili Taylor na série? Como é que o relacionamento com o teu pai te ajudou a preparar a personagem?

Lewis Pullman: Boa pergunta. Isso foi uma das coisas que me atraiu no projeto. Queria uma personagem que nunca está bem com ninguém, que sabe o que quer do pai e que procura desesperadamente atenção. Mesmo assim, sinto que o Rhett Abbott é um pouco definido por essa necessidade de cortar os laços com o progenitor. Eu lancei-me numa direção completamente distinta à minha realidade. O que a série oferece e o arco narrativo que me foi entregue, permitiu-me realmente explorar esse conflito filho-pai com alguma profundidade.

Tamara Podemski
Outer Range, Xerife Joy (Tamara Podemski) © Prime Video

MHD: Quais são as vossas melhores recordações do período de filmagem?

Tamara Podemski: Ui… as minhas recordações. Bem, lembro-me que o clima em Santa Fé foi de doidos. A última vez que tirei a neve do meu carro foi em maio e essa instabilidade sente-se no drama de “Outer Range”. A forma como os padrões climáticos realmente ajudam a entender melhor um contexto e o que se poderá esperar a seguir. Lembro-me de tirar fotos com a equipa, com o céu diferente de todos os céus que já vi. Estar naquele ambiente o meio das montanhas, foi poderoso. Foi deixar-se absorver pela magia do Novo México.

Isabel Arraiza: Sinto que por causa da pandemia, conseguimos estabelecer um vínculo com o elenco. De todas as maneiras estavámos a rodar em condições que antes nunca tínhamos feito. Reuníamo-nos todos os dias e, falo por mim, conheci pessoas incríveis e fiz alguns novos amigos, com certeza.

Lewis Pullman: Sim, tinhamos reuniões com o Brian Watkins, cozinhávamos bifes e passámos mesmo muito tempo juntos. A série fez com que olhássemos uns para os outros e percebemos que as razões da Humanidade precisar de estar em interligada, em contacto constante. Fomos responsáveis por construir uma grande comunidade familiar e talvez por isso as dinâmicas entre as personagens em “Outer Range” sejam tão autênticas.

Lewis Pullman
Outer Range, Rhett Abbott (Lewis Pullman) © Prime Video

MHD: E como foi colaborar com o Josh Brolin?

Lewis Pullman Foi uma das experiências mais surpreendentes da minha vida. Para mim o Josh Brolin é um dos melhores atores vivos. Cada conversa, cada sequência funcionou como uma masterclass, na qual tentei absorver o máximo de informação possível. Ele é um ator tão generoso e praticamente quando começava a rodagem ele ficava com um tom mais dramático, mais pesado diria eu. O Josh tem talento para dar e vender e divertimo-nos muito juntos. Acho que não existem palavras para descrevê-lo.

MHD: A série pareceu-me bastante espiritual. Há o tema de família, há religião, mitologia grega. Acreditam que o buraco que aparece na fazenda do Royal pode expressar metaforicamente o vazio em cada um desses personagens?

Tamara Podemski: Acho que mais do que representar o vazio das personagens, esse buraco vai libertar a ameaça do desconhecido, que se está a aproximar do nosso mundo. A maneira como os humanos reagem quando são ameaçados por algo que eles não sabem, seja o outro, ou a incerteza, ou ideias, ou até os seus maiores pesadelos. Acho que o buraco tem esse papel.

Tamara Podemski
Outer Range, Matt (Matthew Maher), Xerife Joy (Tamara Podemski) © Prime Video

MHD: Sentem que a série acrescenta novidade ao género do western?

Isabel Arraiza: Sim. Realmente eu nunca associaria o género do western a algo metafísico ou espiritual, mas aqui está. Portanto eu percebi que estava a ser feito algo diferente, algo que fazia todo o sentido para os dias de hoje. Aquele buraco adiciona um ingrediente de mistério, mas também abre portas a outras potencialidades do género. Sabes, eu cresci no Porto Rico. Para mim o western sempre foi sobre cowboys a combaterem índios. Acho que esta série vai mudar alguma coisa.

Lewis Pullman: Eu também acredito nisso do vazio de cada personagem. Eu cresci em Montana e os meus pais têm um rancho, os meus tios têm um rancho e portanto conectei-me perfeitamente com o género. Não me consigo lembrar da última vez que li um argumento de um western contemporâneo onde não existissem alienígenas. Em “Outer Range” não há robôs. Acho que o buraco catapulta as personagens para uma espécie de incerteza, para o lugar onde devem estar. A vida no oeste americano tem um pouco disso. É um estilo de vida tão implacável, que muitas vezes pode ser cansativo quando tratas do gado, mas que existem ainda muitas pessoas que o fazem e que não querem fazer outra coisa.

Tamara Podemski: Eu nasci numa terra de indígenas. Eu sempre pensei que o faroeste era propaganda para mobilizar os colonos para o oeste e conquistar as terras livres. A parte mitológica pode fazer todo o sentido, mas apenas teremos conhecimento daquilo que se apresenta diante dos nossos olhos. Acabamos por nos apegar às possíveis verdades por detrás do buraco.

MHD: Um dos temas recorrentes nesta série é o tempo. As vossas vidas ficaram relativamente em pausa com a pandemia e eu queria saber qual a vossa relação com o tempo.

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© Amazon

Isabel Arraiza: Isso foi totalmente redefinido para mim nestes últimos dois anos e meio. Eu não sei definir o tempo. Será controlo? Será renúncia? O tempo é certamente relativo, por vezes muito lento outras vezes muito rápido.

Tamara Podemski: Eu fui forçada a entender o tempo. Nos últimos dois anos a vida estagnou e estamos a reaprender a lidar com ele, a saborear cada momento com calma. Aprendemos a estar com as nossas famílias e acima de tudo a deixar de fazer as coisas de uma maneira sempre apressada. Acho que isso fortaleceu a minha relação com o tempo. Parece que voltei a ter algum controlo das coisas, sobre aquilo que era antes.

Lewis Pullman: A minha irmã teve recentemente um filho e acho que perdes a noção do tempo quando existe uma criança na tua família ou com quem passas grande parte da tua vida. E acho até que quando nasce um filho, sendo “Outer Range” um projeto sobre pais e filhos passa a haver um antes e um depois. A infância vai passar rápido e quando menos estás preparado chega a adolescência. Na minha mente ainda me lembro da minha irmã com 11 anos e dificilmente consigo vê-la como uma mulher adulta, como uma mãe. Mas as coisas simplesmente acontecem, a vida simplesmente acontece. Há que saber tirar o melhor proveito daquilo que temos a cada dia.

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